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sábado, 29 de dezembro de 2012

Dois mil e mais

  
Eu desejei, sim, que dois mil
e treze fosse um ano bom:
que, como as águas, pelo rio,
fluísse sem mudar de tom!

Mas, refletindo, um ano hostil
eu preferia: um ano com
austera luta, um desafio
que me vencesse por "Ippon"!

Pois sim! Prefiro um ano vil,
que, a cada sol, lapide a alma
a esmorecer na vida calma!

Que venha então! Teste-me o brio!
Que o ano novo enterre o enfado
e não me encontre acomodado!

 Gilberto de Almeida
29/12/2012


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Ondas





Gilberto de Almeida
26/12/2012


domingo, 23 de dezembro de 2012

Oito haicais sobre a muralha da China



 
A enorme serpente
chateia, mas não bloqueia
a vida da gente!
 
Se eu olho pro sol
sem pressa, a calma atravessa
o império mongol.
 
Há o sol que se espalha
calado, de cada lado
da grande muralha.
 
A luz que ilumina
elege alguém que protege
da história da China!
 
De longe se enxerga
a ação de separação
que ao cosmo se enverga!
 
A grande muralha
um verso em grande universo:
- a grande migalha!
 
Saí da muralha.
Descrente, andei para frente...
...cheguei na muralha.
 
Estavam banhados
os povos, antigos e novos,
de luz, dos dois lados!
 
Gilberto de Almeida
23/12/2012
 
 


Esquecimento


Deixei pegadas pelo Alasca,
inerte, ausente e sonolento.
Aguardo a próxima nevasca:
- que venha a mim o esquecimento!

Pois Deus, perante uma borrasca,
noss'alma de anjo desatento
lapida, cuida, expõe, descasca
e clarifica o pensamento.

E a Divindade, o Amor Paterno,
há de esquecer-nos as passadas.
Eis a bondade, a luz do Eterno:

- por mais que tenham sido erradas,
vem outra neve, noutro inverno,
e, ao caminharmos, mais pegadas!

Gilberto de Almeida
23/12/2012


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Uma florista me contou

 
nota: este é um poema para ser cantado, ou seja, é uma canção. A melodia é a de " Wouldn't it be loverly", cantada adoravelmente por Audrey Hepburn, interpretando a vendedora de flores Eliza Doolittle, em My Fair Lady, que a foto acima me fez lembrar. Vale a pena clicar no link e rever a cena!
 
 
Foi a Eliza Doolittle quem
certo dia, com dó de mim,
me convenceu que a vida tem
"algo bão demais..."
 
Simplesmente, falou assim:
que "o futuro, não muito além,
se mostrará tão belo, enfim,
será bão demais..."
 
"- só precisa de plantar flores no jardim,
rapaz!
e elas vão brotar, meu bem,
e isso será bão demais!"
 
Dona Eliza, tão simples, vem
me mostrar que não é o fim;
"é plantar flores para alguém,
que será bão demais,

bão demais...

bão demais...

bão demais...

bão demais..."
 
Gilberto de Almeida
21/12/2012
 
 

Encantamento

 
 
Demorei um certo tempo
para entender o segredo
oculto dos girassóis.
 
Passou-se um dia e uma noite,
mas - penso - compreendi
a natureza do encanto:
 
- na natureza do encanto,
o encanto da natureza
vem, por certo, de um lugar.
 
E os girassóis reconhecem
e ao mesmo lugar se curvam
todos os dias da vida.
 
Gilberto de Almeida
21/12/2012
 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Se as palavras fossem flores

Se as palavras fossem flores
eu diria à primavera
que as palavras, minhas dores,
são a angústia duma espera!
Gilberto de Almeida
19/12/2012

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Cianobactéria




















Eu era uma cianobactéria
e no meu pensamento unicelular
tudo era límpido e cristalino.

Até que uma onda me virou
e eu vi o céu.

Foi então que,
mesmo de dentro do meu pensamento unicelular,
percebi que me esperava 
uma longa evolução!

Gilberto de Almeida
18/12/2012


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Eu, Alberto e o filtro violeta























Nem todos sabem que o Alberto,
quando não está na maleta, nem no bolso
o levo comigo em pensamento.

Assim, quando certa manhã, ao olhar para o mar e para o céu,
me deparei com aquelas cores estranhas,
o Alberto, de dentro do meu pensamento, percebeu e disse:

- Sabes que eu não compreendo a tecnologia,
mas porque não experimenas remover o filtro violeta.
Aí verás as cores como elas são!

E essa frase me soou enigmática, por dois motivos:
- porque vinha do Alberto;
- e porque eu estava vendo aquela cena a olho nu!

Gilberto de Almeida
17/12/2012

domingo, 16 de dezembro de 2012

Corinthians

 

C ada vez que, no horizonte,
O nde explode essa alegria
R etumbante que hoje existe,
 nflamando-se na fonte
N atural da rebeldia -
T anto a alegre, quanto a triste! -
H á aquele que me conte
 I  gualmente e todo dia
A lgo assim, bandeira em riste:
N em que a morte nos afronte!,
S ou Corinthians, sim! Sorria!
 
Gilberto de Almeida
16/12/2012
 
 

 

Porta entreaberta

 
 
 
 
Gilberto de Almeida
16/12/2012
 
 
 
 

sábado, 15 de dezembro de 2012

Amanhecer

 
 
Por dentro desta minha casa
já havia luz,
mas fui pela ladeira
do benquerer.
 
E espero - a esperança rasa,
como supus -
que o dia, agora, queira
amanhecer.
 
Gilberto de Almeida
15/12/2012
 
 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Um haicai para embalar o sono



Sobre a torre o sol poente,
lá do horizonte, atravessando a ponte, 
pede a Deus que me acalente...
 
Gilberto de Almeida
12/12/2012
 
 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Quando o inverno chegar














Quando o inverno da vida chegar,
que eu tenha construído moradia aconchegante,
despensa cheia, e que me dê guarida.

Quando o inverno da vida chegar,
que eu tenha edificado moradia acolhedora,
que abrigue quem ainda sente frio.

Quando o inverno da vida chegar,
que eu tenha me instalado em moradia edificante,
que possa iluminar a noite escura.

Quando o inverno da vida chegar,
que eu tenha regressado à moradia iluminada,
que existe dentro do meu coração.

Gilberto de Almeida
12/12/2012

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Na ilha de Procida




















Daquele ângulo, eu nunca tiha visto a ilha de Procida!
Eu nunca tinha visto a ilha de Procida
em toda a minha vida!

Mas, daquele ângulo, tinha uma novidade entre a terra e o mar!
Eu nunca tinha visto assim, separados, a terra e o mar.
Tentei adivinhar!

Mas, daquele ângulo, não compreendia a separação na natureza!
Eu nunca tinha visto a natureza
com toda essa clareza!

Mas é assim que, conforme o ângulo, até mesmo a ternura de um abraço -
E eu nunca tinha visto esse tal ângulo -
nos rouba espaço!

Gilberto de Almeida
11/12/2012

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Montanha mágica














Mas age com a montanha má age cá!
Montanha má age co'a montanha
mágica. Montanha Mágica!

Por em cadeia, a lógica!
Porém, cadê a lógica?

Cadê a lógica?
Uma lógica:
é mágica!

E age
cá!

Gilberto de Almeida
10/12/2012

sábado, 8 de dezembro de 2012

Amor


















Olhar o mundo de longe
e ao mesmo tempo fazer parte dele
(que é como eu acho que Deus também deve fazer)
é crescer mais do que meia dúzia de palavras ocas por verso;
é entender que a perfeição existe em cada detalhe imperfeito da nossas vidas
e que o conjunto das vicissitudes por que passamos faz parte de um único plano de uma palavra só!

Gilberto de Almeida
08/12/2012

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Eu, Alberto, a primavera e o amor























Diariamente, saio para caminhar pouco antes das seis da manhã.
Hoje, como não o fazia há algum tempo, levei o Alberto.

Não havia nenhum motivo consciente para não o haver levado comigo antes. Apenas não o levara. Sem motivo. Esquecimento. Mas hoje lembrei.

E fomos caminhando e conversando.
Aproveitei para procurar compreender um pouco mais a respeito daquele personagem complexo.

Todos sabem que o Alberto afirma aos quatro ventos
que ele não pensa. Que seus pensamentos são o seu tato, sua visão, sua audição, seu paladar ou alguma coisa assim.

Pois foi por isso que durante a caminhada perguntei:

- Amigo, como é essa coisa de não pensar?
Outro dia mesmo, você não chegou a cavalo a Santorini?  - lembrei - E não teve que planejar a viagem? Não teve que pensar, para que pudesse conseguir concretizar seu intento de ir até lá?

Alberto, que hoje estava especialmente falador, iniciou pacientemente:

"De verdade mesmo,
(E falo dessa verdade cristalina como os dias ensolarados),
nessa mesma verdade que o sol ilumina todos os dias 
está a razão de eu não pensar.
Porque as cousas são o que são,
As cousas são como as vemos quando o sol as ilumina
E não como queremos.

A verdade é saber ver e ouvir e sentir,
Saber ver e ouvir e sentir, quando se vê, se ouve e se sente.
Saber ver e ouvir e sentir sem estar a pensar
e saber pensar sem estar a ver e ouvir e sentir.

A verdade é saber pensar apenas quando é preciso pensar.
É saber pensar quando se precisa arrear um cavalo
Para o fazer direito.

Mas não pensar sobre o vento quando galopamos,
Porque a brisa é apenas a brisa
E as cousas são o que são
E não há por quê e nem para quê.

Essa primavera pela qual passamos,
[passávamos por uma primavera naquele momento]
Por que a vês e ela é bela?

Não é importante pensar nisso.
A vês e ela é bela.
Porque é assim que as cousas da natureza são, quando se vê.
A sua beleza está em ali estarem
E em todas as cores que têm
E em todos os perfumes.

Para que ver e sentir e criar uma filosofia?
Para que pensar se as primaveras têm flores rosas ou azuis?
Para que inventar causas
E consequências?

Ora! Queres imaginar que as primaveras estão ali por algum motivo?
Queres ainda pensar
Que o universo te está a dar sinais?

A imaginação e a filosofia sobre o que não é mais do que é,
é sobre isso que não penso."

E assim, pensando eu sobre tudo aquilo em que o Alberto não pensava mas me dissera, acreditei, desacreditando.

Achei que estava compreendendo um pouco mais a respeito daquele personagem complexo mas que cabia no meu bolso.

E assim, fazendo uma espécie de heteropsicografia, acreditei, acreditando,
que mesmo sendo fruto do desvario de outro poeta,
todo poeta é um fingidor.

Gilberto de Almeida
07/12/2012

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Quatro quartetos para quebrar o gelo















Debaixo do gelo existe 
a verdade cristalina.
Se aqui fora a vida é triste,
logo abaixo se ilumina.

Debaixo dessa camada
de destino congelado,
a água ainda é molhada:
sequer conhece outro estado!

E, então, como um quebra-gelo
destemido e persistente,
prossigo com meu apelo
de ir ao fundo e ir em frente!

E, então, como um quebra-gelo
é que avanço sem mágoa
por causa do amor e pelo
desejo de entrar na água!

Gilberto de Almeida
06/12/2012



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Bora?


 
Gilberto de Almeida
05/12/2012