Pesquisar neste blog

Mostrando postagens com marcador Bom dia amigos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bom dia amigos. Mostrar todas as postagens

sábado, 6 de outubro de 2012

Com Alberto, na Serra Nevada de Santa Marta

 
 
 
Gilberto de Almeida
(06/10/2012)
 
 


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Três árvores


(para minha família)

Meus filhos e a família pelo oceano
salobro cultivei - quanta incerteza!
Três árvores reguei, e em meu engano
as via germinar no azul-turquesa;

fui tolo, ingênuo, cego, estulto, insano,
zombei da minha própria natureza.
Eu próprio fui entrave ao Grande Plano;
só fiz desamparar tanta pureza!

E agora, transformado em tal substância
mais branda, menos cega, mais sofrida
enxergo o mar salgado, da distância...

E às árvores queridas que contemplo
só resta socorrer com nova vida
em águas benfazejas, pelo exemplo!

Gilberto de Almeida
05/10/2012


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Pra não machucar as flores

 
Enfeitaste com carinho
e flores da primavera
o recatado caminho
até a casa onde me esperas.
 
Enfeitaste esse caminho
e deixaste a porta aberta,
oferesceste o teu ninho
confiante e descoberta!
 
Só te peço, linda alma,
ameniza teus temores,
pois vou caminhar com calma
pra não machucar as flores!
 
Gilberto de Almeida
04/10/2012
 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Com Alberto, nos jardins de Keukenhof




Como estivesse passando aqueles dias de abril em Haia, na Holanda, em visita a um amigo, e a cidade de Lisse se situasse a pouco mais de meia hora de distância, decidi cumprir uma antiga promessa e levar Alberto para conhecer os jardins de Keukenhof.

Nada lhe disse eu, no entanto. Seria uma surpresa! Apenas o coloquei no bolso e partimos.

Somente quando já estava nas dependências dos jardins é que "libertei" o Alberto.

Era impressionante a diversidade de flores, aromas, cores, a beleza, a paz, a alegria e a serenidade do local. Um deslumbre criado pelas mãos humanas, mas que algo de divino havia de ter.

E eu, como sempre, claro, divaguei. Fiquei imaginando a humanidade como um imenso jardim de flores, com suas abençoadas e maravilhosas diferenças. Diferenças que deveriam formar um conjunto harmonioso, como o que eu tinha diante de mim...

E nesse momento é que me deparei com uma cena inusitada. Nem eu, nem ninguém, nem mesmo aqueles que já leram toda a obra poética de Fernando Pessoa, já se depararam com o Alberto assim:

- Ele não dizia nada. Chorava.

Gilberto de Almeida
03/10/2012

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Eu, Alberto e o dragão

 
 
 
Gilberto de Almeida
02/10/2012

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Rosas que choram

 
Luz mansa do dia
serena batia
no amor que floria,
 
mas foi-se a alegria:
cadeira vazia...
tristeza escorria.
 
Gilberto de Almeida
01/10/2012
 
 

domingo, 30 de setembro de 2012

Tábua estreita

 
O futuro espreita
enquanto eu caio e levanto
pela tábua estreita.
 
Gilberto de Almeida
30/09/2012


sábado, 29 de setembro de 2012

A estrada



















A estrada branca.
A estrada branca, pinheiros brancos.
A estrada branca, pinheiros brancos, a neve branca.

A estrada branca, pinheiros brancos, a neve branca,
a neve branca, estrada branca, pinheiros brancos,
pinheiros brancos, a neve branca, estrada branca,
estrada branca, Pinheiros brancos, mas não me arranca

nenhum sorriso.

A pele branca.
A pele branca, os olhos brancos.
A pele branca, os olhos brancos, tulipa branca.

A pele branca, os olhos brancos, tulipa branca.  
a estrada branca, pinheiros brancos, a neve branca,
tulipa branca, os olhos brancos, a pele branca
a neve branca, pinheiros brancos, e a bela sanca

de amor conciso.

A alma branca.
A alma branca, cabelos brancos.
A alma branca, cabelos brancos, página branca.

A alma branca, cabelos brancos, página branca,
a pele branca, os olhos brancos, tulipa branca,
a estrada branca, pinheiros brancos, a neve branca,
a alma branca, cabelos brancos, já não me espanta

nenhum juízo.

Mas, e se o raio de sol se insinua por entre a sombra que escurece a neve?
Aí é show!
E é pra lá que eu vou!

A alma branda, cabelos brandos, página branda,
a pele branda, os olhos brandos, tulipa branda,
a estrada branda, pinheiros brandos, a neve branda,
a alma branda, cabelos brandos, numa ciranda

da qual preciso!

Gilberto de Almeida
29/09/2012

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Eu, Alberto, a colina, a árvore e a capela




Era uma manhã fria de outono nos arredores de Londres.
 
Mesmo assim, decidi sair para caminhar. Vesti o sobretudo negro que não tenho, coloquei o Alberto no bolso e saímos.
 
Caminhar logo cedo pelo campo refresca o corpo - principalmente se o sobretudo é imaginário - e a alma. O ar frio da manhã lembra-me, compulsoriamente, a minha fragilidade e, assim, a beleza da paisagem, naturalmente, se amplia.
 
E - assumo - passeando com a alma embevecida pela beleza da vida, foi que avistei a colina, a árvore e a capela. Não pude deixar de me comover com a cena. Toda de vermelho, a árvore chorava suas lágrimas apaixonadas, que, de sangue, forravam o chão. Tanta tristeza por não poder entrar na capela para fazer sua oração. Por que a haviam deixado de fora?
 
- Ora - respondeu Alberto, pensando que meu desvario era uma pergunta direta - ora, meu entorpecido amigo, é que não conheces a natureza. Não sabes que as árvores estão onde estão e não querem estar em outro lugar. Elas não choram. Tampouco oram. E se orassem, sua oração não haveria de ser mais do que  o que agora vês. Não haveria de ser mais que a paciente aceitação de sua condição de perder as folhas no outono e de recuperá-las na primavera, de se cobrirem de neve no inverno e de se aquecerem no verão.
 
...

Como visse que eu não me manifestava, ousou concluir:

- E assim, não fazendo nada mais do que fazem, continuam sendo belas!  
 
 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O amor é um recanto sereno

O amor é um recanto sereno,
de luz decorado e florido
que acolhe, que encanta e faz pleno
aquele a quem é concedido.
Gilberto de Almeida
27/09/2012

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Preparando a primavera

 
 
Durante o outono elas choraram
as dores, em folhas caídas
e um lindo berço prepararam
para as tristes sombras da vida.
 
E já no outono, o sol que nasce
escuta esse arrependimento
e é como se o calor deitasse
a paz na vida, a um só momento.
 
Virá o inverno - isso é certeza!
- e o frio implacável da neve -
mas diz a lei da natureza
que o inverno terá que ser breve.
 
Gilberto de Almeida

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Jardim das Cerejeiras

 
 
- Quantas cerejeiras juntas
para florir minha vida
toda em pétalas de rosa?
 
- Tu sabes! Por que perguntas?
Parece até que gracejas!
Acaso quantas roseiras
achas tu que tu precisas
a fim de florir cerejas?
 
Gilberto de Almeida
25/09/2012
 


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Em minha porta

 
Apareceste com flores
em minha porta;
despertaste os meus temores
de vida torta
e a imagem dessas dores
meu peito corta.
 
Surgiste na minha vida
vindo do nada;
reabriste uma ferida
então fechada,
mas quedei-me, sem medida,
apaixonada.
 
Apareceste com flores
em minha porta;
minha vida sem tais cores
estava morta!
- Dar-me-ei aos teus amores:
mais nada importa!
 
Gilberto de Almeida

domingo, 23 de setembro de 2012

Buquê de flores

 
 


Gilberto de Almeida
23/09/2012

sábado, 22 de setembro de 2012

A voar!



















Havia aquelas ondas a produzir espuma branca
ao se quebrarem na imensidão do céu azul.

Daqui de baixo,
estatelado na espreguiçadeira,
na beira da piscina,
na beira do mar,

eu e os peixes estávamos
a voar!

Gilberto de Almeida
22/09/2012

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Que horas são?



 


















- Que horas são? - me perguntaste:

- Cinco troncos para uma Capela!

Te quedaste triste e vago...
- Mas será que não há um atalho? Não dá pra quebrar um galho?
- Só se fores pelo lago!

Tu, que não sabias nadar, me tornaste a perguntar:
- Que horas são? - assim falaste:

- Quatro troncos para uma capela! Segue em frente que a vida é bela!

Gilberto de Almeia
21/09/2012

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Terra, ar, água e fogo


 
Terra, ar, água e fogo,
os quatro elementos da vida!
Não tenho esse lado de druida
que pensa que a vida é um jogo!
 
Terra, ar, água e jogo,
mas não haverá despedida!
Não tenho esse lado suicida
que pensa que a vida é fogo!
 
Gilberto de Almeida
20/09/2012

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Vaso de Flores

 
 
Um vaso de flores
religa as coisas da vida;
devolve-lhes as cores!
 
Gilberto de Almeida
19/09/2012
 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Volta à Sicília...


O martelar no casco, da marola,
o espleche-espleche - o baque do oceano -
é como sonda, o mar, o ser humano,
na imensidão que agasta e que desola.

Mas canta, ao som do vento, um rapazola
o canto de pungente desengano.
E em seu cantar sombrio, triste e profano,
transborda amor na dor que cantarola!

E, enquanto, ao navegar, se distancia,
e a proa destemida o mar rendilha,
entrega-se, alma aflita, à nostalgia

pois ama o mar, mas - mais ! - ama a família!
Por isso voz interna o desafia:
- Retorna ao teu amor! Volta a Sicília!

Gilberto de Almeida
18/09/2012


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Pêndulo


Gilberto de Almeida
16/09/2012