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domingo, 31 de janeiro de 2016

Cenas em um Shopping - XXXVIII


Na mesa à frente comentou-se,
com acentuado interesse,
a respeito da nova tecnologia
que andava "vendendo muito".

Na escada rolante falava-se,
com grotesca ironia,
sobre alguém que teorizava
a respeito do pensamento
e de suas formas.

No entusiasmo oportunista
ou no impensado desdém
cada um habitava
(como sempre foi e será!)
a esfera de ignorância
que lhe era própria.

Gilberto de Almeida
31/01/2016


terça-feira, 26 de agosto de 2014

Cenas em um Shopping - XXXVII


É tudo laranja
na vitrine;
- a saia de franja
que define
um sonho que abranja
seu biquíni!

É tudo laranja!
Velho apelo:
- tubinho se arranja
na modelo
saída da granja
nua em pelo!

É tudo laranja
- não me importa! - 
Não há o que me tanja
para a porta
da vida que esbanja,
semi-morta!

Gilberto de Almeida
26/08/2014


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Cenas em um Shopping - XXXVI












Pessoas marcadas.
Não são gado,
mas eu vejo as marcas e sei
a quem pertencem.

Segunda a sexta:
- usam crachá!
E eu vejo
a quem pertencem!

Sábado e domingo:
- as etiquetas,
as "grifes".
E eu vejo a quem pertencem!

Gilberto de Almeida
28/08/2013

domingo, 4 de agosto de 2013

Cenas em um Shopping - XXXV

Pequena menina,
no elevador
é levada.

E a pequenina
novela, a dor
elevada.

Gilberto de Almeida
04/08/2013


domingo, 30 de junho de 2013

Cenas em um Shopping - XXXIV



No restaurante, a senhora de tailleur preto!
("tailluer", é assim que se escreve?)

- Por favor,
(começou bem)

- e acenou com o dedinho para a garçonete -
(iiiiih....) -

você tem que
(agora estava sendo imperativa e decisiva! Será que a garçonete tinha mesmo que?)

limpar isso aqui!
(não me parecia a função da garçonete)

O dedinho de novo, dessa vez apontado para o chão!
(porque será que detesto tanto os dedinhos apontando? De fato havia um pequeno acúmulo de substância oleosa no chão)

Eu
(o ego!)

quase que caio!
(por quê não caiu? Meu lado mau!)

Minutos depois veio outra moça, vestindo um uniforme branco,
("uniforme" eu sei como se escreve. E gosto mais de branco que de preto!)

olhos entristecidos, como se guardasse no peito a amargura do mundo, agachou-se e ali, ao nível do chão, começou a limpar, humildemente.
(seus olhos se encontraram com os meus e a amargura do mundo, então, mudou de peito!)

A senhora do tailleur preto, comia, indiferente. Junto a ela, seu acompanhante, um senhor de ar respeitável, sorria!
(zebras e leões!)

Gilberto de Almeida
30/06/2013



domingo, 16 de junho de 2013

Cenas em um shopping - XXXIII


Voz de criança
ao longe, brincando...
caixinha de música!

Gilberto de Almeida
16/06/2013


terça-feira, 23 de abril de 2013

Cenas em um shopping - XXXII

Na mesa ao lado tinha uma moça bonita.

O palco da vida alheia,
para um solitário como eu,
tem sido a mesa ao lado!

Meu espetáculo do dia a dia.

Dessa vez, 
foi um casal que deu sua contribuição
para o meu entretenimento!

PRIMEIRO ATO

A mulher era bonita,
mas isso, minto, eu não tinha notado.
O rapaz - pobre rapaz - tinha um olhar de desespero contido... 

Passado o período de aquecimento,
que deve ter acontecido atrás das cortinas,
o peça só começou
quando a conversa tomou ares de drama
e altura de declamação!

Os diálogos eram confusos e se sobrepunham;
os protagonistas falavam ao mesmo tempo
(suponho que esse efeito dramático fosse intencional!)
Ela vociferava em tom de epopéia;
ele se defendia, numa interpretação intimista.

Ela cruzou os braços,
expressão facial contrariada
e acusou-o de ter feito aquilo (sei lá o quê!)
"de propósito"...

- Você não vai mesmo, não é?

Então ele se levantou,
atravessou a praça de alimentação,
desapareceu
e ela se manifestou:

- Que saco!

A moça bonita
se transfigurou!
Deu-me calafrios!
(Belíssima interpretação!
Com que perfeição ela encarnava a megera!)

SEGUNDO ATO

Em instantes retornou o seu companheiro!
Trouxe guardanapos de papel
e os entregou, consternado, à dama!
Ela deixou escapar algum palavrão inaudível
e, rapidamente,
envolveu seu hambúrguer nesses imprescindíveis guardanapos!

O mistério foi desfeito!
Que maravilha!
Logo no início do segundo ato o Diretor encerra a trama
e revela o seu argumento!

Retira o véu que esconde a sordidez humana!

Os atores parecem, nesses instantes finais do drama,
esquecerem-se um da presença do outro:
- Ela, devorando seu sanduíche,
seu desatinadamente importante sanduíche!
- Ele, olhar perdido no vácuo...

Fiquei extasiado com aquela representação do cotidiano,
com aquela comédia tragipatética 
que revelou a insignificância e a fragilidade de um relacionamento
ante a inadiável,
inalienável
e irremediável
necessidade
de guardanapos!

Soberbo!
Tive vontade de aplaudir!
Que argumento!
De que vale a gentileza, afinal?
De que vale a moderação? O respeito? O entendimento? A ternura?
Se faltam guardanapos!?

Bravo!

Mas as cortinas baixaram
e eu notei que o rapaz continuava
com o olhar
no vácuo...

E eu tive pena,
porque senti que ele escolhera
se relacionar
com a beleza errada!

Na mesa ao lado tinha uma moça feia.


Gilberto de Almeida
23/04/2013


sábado, 20 de abril de 2013

Cenas em um shopping - XXXI

Era uma senhora falante
que encontrou na mesa ao lado
gente conhecida
e tal!

Era uma senhora falante:
simpática e desagradável
como se fosse
uma vendedora!

Era uma senhora falante!
Como se fosse uma vendedora,
despediu-se protocolarmente
de todos!

Despediu-se do João
da Teresa,
do Raimundo,
da Maria,
do Joaquim,
de J. Pinto Fernandes...

e por fim,
sem entender se eu fazia parte do grupo,
despediu-se de mim,
que não tinha entrado na história!

Gilberto de Almeida
20/04/2013


domingo, 24 de março de 2013

Cenas em um Shopping - XXX



Um sujeito de corpo bombado:

com um pouco da maldade que reside em mim,
imaginei
que aquele jovem deveria
 treinar horas a fio

e não consegui deixar de pensar na antítese
da imagem hercúlea
treinando os bíceps
ao mesmo tempo que treinava
sua oligofrenia!

Gilberto de Almeida
24/03/2013


Cenas em um Shopping - XXIX






Carotena pequena morena,
Iemanjá cor laranja se acanha;
se eu espero ou se quero um bolero,
desarranja e acompanha uma arcanja!

Gilberto de Almeida
24/03/2013

sexta-feira, 8 de março de 2013

Cenas em um Shopping - XXVIII



O Shopping Center se enganou:

neste oito de março
confundiram a mulher
com um troço fútil qualquer,
plenamente materialista,
disposto a comprar o que não precisa
apenas porque, de repente,
apareceu um desconto
e balões de festa
e serpentinas!

Gilberto de Almeida
08/03/2013

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Cenas em um Shopping - XXVII

(O Espelho Envenenado)



Por sob o cabelo vermelho
passou de nariz empinado
a própria soberba, em pessoa!

Mas eu que, por lá, andava à toa
pensei se ela não tinha espelho
ou se ele estava envenenado!

Gilberto de Almeida
28/02/2013


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Cenas em um Shopping - XXVI

Tal como ela vinha,
sem atenção
e afoita,

deixou a mocinha,
a educação
na moita.

Gilberto de Almeida
27/02/2013


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Cenas em um Shopping - XXV

Duas moças de mãos dadas
trocando sorrisos;
talvez fossem namoradas...
Não faço juízo!
- Tinham auras azuladas...
De que mais preciso?

Gilberto de Almeida
(22/02/2013)


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Cenas em um Shopping - XXIV


No restaurante,
a mesa ao lado me mostrou
o que eu já sabia:

telefones celulares
também são controles-remotos
que acionam o sorriso
das pessoas!

Gilberto de Almeida
03/02/2013


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Cenas em um Shopping - XXIII



A mídia e as multidões mandaram
na maioria da moçada:
no almoço o hambúrguer americano
em meio a muita mostarda.

Gilberto de Almeida
30/01/2013

domingo, 27 de janeiro de 2013

Cenas em um Shopping - XXII



Gilberto de Almeida
27/01/2013


Cenas em um Shopping - XXI

Enquanto eu aguardo,
por breve minuto,
o olhar distraído,
num canto qualquer,
reparo a mulher
com seu diminuto
vestido tingido
- talvez leopardo!

E o que eu noto, então,
é o cinto de couro
e a bolsa de classe;
e o brinco de ouro
talvez compensasse
a própria ilusão!

Gilberto de Almeida
27/01/2013


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Cenas em um Shopping - XX

Uma mini na
correria cuida de outra
mini na
medida do possível!

Gilberto de Almeida
24/01/2013

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Cenas em um Shopping - XIX

Absorto nas respostas que eu não tinha
as multidões passavam
e eu não as vi.

Então tentei beber filosofia,
um livro estranho e um suco
de abacaxi.

Gilberto de Almeida
13/01/2012