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sábado, 29 de dezembro de 2012

Cenas em um Shopping - XVII

Na livraria do Shopping,  
a funcionária virou
 para atender ao freguês
que perguntava onde estava
 a poesia, os poemas.
 
Seu sorriso inesperado,
tão pungente, confessou:
- a poesia sou eu
e o poema, já se sabe:
você irá escrever depois!
 
E disse isso de tal forma
que foi como se tivesse
dito mesmo o que não disse;
 
E disse isso de tal forma
que mesmo não tendo dito,
profetizou-se um poema!
 
Gilberto de Almeida
29/12/2012
 
 


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Cenas em um Shopping - XV

No interior do shopping,
pessoas em fila,
bem paradinhas,
bem organizadinhas
aguardavam diante de um balcão
onde uma plaqueta dizia:
 
SEM
PARAR
 
Gilberto de Almeida
28/12/2012
 
 
 

Cenas em um Shopping - XIV

Pelo shopping passeavam
um jovem tagarela
e seu cachorro.
 
Os dois sem focinheira!
 
Gilberto de Almeida
28/12/2012
 
 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Três haicais brincando com os filhos

(Para Carolina e Felipe)
 
Brincando de paz,
se esvai, em transe, esse pai
e a moça e o rapaz.
 
Por entre os folguedos,
valentes, soltam-se as mentes,
pois já não há medos!
 
Parece uma ilha
sem mar, pr'a gente brincar:
o pai, filho e filha!
 
Gilberto de Almeida
27/12/2012
 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Poesias da Vida - XXX

(Juliana Paula Landim)

Não tenho carro!
Às vezes volto do trabalho de carona
com a Renata, minha amiga,
mas agora ela viajou!

Outro dia estava com ela
e um balde de testosterona
passou voando baixo pela esquerda
e grudou na traseira do carro que ia à frente!

E ficou grudado!
Até que resolveu sair pela direita!

Ego dilatado, era perceptível!
Muita testosterona, claro!
Pouca inteligência, com certeza!
Nenhuma maturidade, é lógico!

Não gastava nem cinco minutos com um tipo desses!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Poesias da Vida - XXIX

(Juliana Paula Landim)

Não sou feminista - vivo noutra época!
Agradeço às feministas do passado,
que me abriram as portas
(coisa que os homens já não fazem mais!)!

Sem rancor,
tenho meu emprego,
tenho minha dignidade,
tenho meu respeito.

Por isso tudo, agradeço às feministas do passado.

Mas não sou feminista - vivo noutra época!
Não luto por direitos das mulheres;
luto por direitos das pessoas!
Sempre!

Acontece que ontem eu estava num bar
e havia três pessoas e duas cadeiras;
os dois homens se sentaram,
e deixaram a mulher em pé...

Um senhor que estava em outra mesa
(senhor de outra época, por certo!)
levantou-se e levou a própria cadeira para a moça se sentar.
Achei lindo!
Ela recusou; ele insistiu!
Ela recusou de novo; ele insistiu de novo!
Ela recusou!

Quando o senhor voltou ao seu lugar
nenhum dos dois homens teve a inspiração
de o imitar
e a mulher continou em pé...

Então, irritada, me perguntei o que eu seria, de verdade:

seria eu feminista (apesar de não admitir o rótulo!),
            por reivindicar o direito a uma cadeira para aquela mulher;
ou seria machista,
            por considerar a hipótese da fragilidade feminina?

Definitifamente, tenho impressão (não definitiva!)
de que não sou feminista
- e gostaria de viver noutra época!





domingo, 25 de novembro de 2012

Cenas em um Shopping - XIII

Amarelinha
 

Gilberto de Almeida
25/11/2012
 


Cenas em um Shopping - XII

 
 
Um yorkshire muito arrumadinho
conduzia a madame
pela coleira
 
Gilberto de Almeida
25/11/2012

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Poesias da Vida - XXVI

(Juliana Paula Landim)

Descobri que tenho alergia ao leite
E também tenho uma TPM do caralho
(eu sei que isso não existe
e você sabe que é força de expressão,
então não enche o saco - que eu também não tenho!).

O Problema agora é o chocolate!
Só existem três maneiras de enfrentar uma TPM lascada;
- Comendo chocolate (não posso mais!);
- Comendo chocolate sem lactose (horrível!);
- Não comendo chocolate (lasquei-me!).

Então vambora na última que Deus dá o frio conforme o cobertor!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Eu e Alberto, sem vampiros, nem lobisomens



Para quê levar o Alberto ao cinema?
Fiz essa pergunta em meu íntimo, muito antes das imagens de vampiros e lobisomens começarem a aparecer na tela.

Foi por isso que mantive o Alberto no bolso e de lá ele não saiu até que a seção terminasse.
Por que mostrar a ele, que tanto acreditava no que via, aquilo que, no seu vilarejo, jamais haveria de ver?
Por que mostrar justo a ele, que já era feliz sem isso?

E o filme acabou. E o Alberto saiu do bolso.

E não houve maneira de fazê-lo entender que raios era o tal do cinema!

Gilberto de Almeida
21/11/2012

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Eu e Alberto, na cafeteria

Faz tempo que não explico: eu sempre trago o Alberto no bolso, ou na maleta, ou no pensamento. Exceto, talvez, quando estou em Santorini, ou quando estou em companhia da Elettra Rossellini (ou de alguém tipo ela)!

Nesse dia eu estava na cafeteria, no Shopping Center, em São Paulo, pouco antes do horário do cinema. Deixei o Alberto sobre a mesa e pedi dois cafés expressos, com acúcar.

Ele já tinha tomado café antes, claro, mas não esse. Não o expresso. E não com açúcar. Somente com açúcar mascavo.

Vieram os dois cafés, água com gás, biscoitinho.

E o Alberto adorou.
Ele quis mais um. E mais outro. E mais água com gás. E mais biscoitinho!

E saiu da cafeteria querendo voltar.

E eu me senti muito mal.

Como se tivesse oferecido maconha a uma criança de cinco anos.

Gilberto de Almeida
20/11/2012



segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Poesias da vida - XXV

(Juliana Paula Landim)

Se existe poesia num banheiro,
devia ser naquele.

Tinha uns vasos de violeta
sempre que eu ia.
E perfume!

Mas, se existia poesia num banheiro,
ela acabou.

Porque a última energúmena que usou
- e que deve andar por aí que nem uma dondoca! -
não deu a descarga!

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Poesias da Vida - XXIV

(Juliana Paula Landim)

Me dá um biju?

Sempre tive vontade de pedir, mas não pedi!

O homem que vende, está no mesmo semáforo há uns vinte anos.
A mesma camisa xadrez azul e branca,
A mesma boina acinzentada,
A mesma cara de bravo.

Mas vejo simpatia nele.
Trabalha de sol a sol, como eu! Me identifico!
Deve ter mulher, filhos pra cuidar.
Só que eu já mudei de emprego três vezes.
Ele continua lá. Firme! Admiro!

Deve ser um bom emprego.
Não tem chefe,
Não tem rádio pião,
Não tem cobrança,
E ele conseguiu ficar vinte anos.

Passou por mim com a mesma cara de bravo.
De repente bateu um sentimento de tristeza...

O semáforo abriu.

Me dá um beiju?
Fiquei com vontade de pedir, mas não pedi.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Via Wi-Fi

(Juliana Paula Landim)

"Ora (direis) ouvir besteiras! Chega!
Não perde tempo!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez sou pega
vendo bobagens, mórbida, num canto...


E às vezes - juro - varo a noite, enquanto
O meu cachorro, deita, se aconchega
E fica. E, ao vir do sol, eu me levanto,
com cheiro de pipoca com manteiga.


Direis agora: "Alucinada amiga!
Será que vês novelas? Que sentido
Tem o martírio a que a tevê te obriga?"


E eu vos direi: "Novelas não são nada!
Pois na Intenet, é lá que eu tenho ouvido
Besteiras no frescor da madrugada."



Parodiando Via Láctea (Olavo Bilac)


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Poesias da Vida - XXIII

(Juliana Paula Landim)

Na marginal pinheiros
minha amiga tomou um enorme susto!
Virou o volante numa guinada urgente e instintiva!

Mas, sorte!, conseguiu evitar o acidente e dar passagem
para as sirenes da emergência
que vinham a toda velocidade!

Qual emergência, não sei:
talvez uma mulher em trabalho de parto;
talvez um filho acidentado;
talvez um pai na forca!

Pois era um carro de passeio.
Não era ambulância,
não era bombeiro,
não era polícia!

E eu me recuso a acreditar que alguém
colocasse outras pessoas em risco
por um motivo idiota e egoísta
como, simplesmente,
a presunção de um motorista
de que tenha privilégios sobre os demais
para chegar mais cedo em casa!

Precisaria ser muito monstruoso para isso!

Espero que a esposa de alguém tenha dado a luz com tranquilidade!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Poesias da Vida - XXII

(Juliana Paula Landim)

Quem já viu, sabe;
para quem não viu, vou tentar descrever:

Num caldeirão grande ,os carangueijos são colocados na água fria. Vivos.
Devagarinho a água vai se aquecendo, e os pobrezinhos vão ficando agitados. Claro, querendo fugir.
Uns sobem por sobre os outros.
Há aqueles que tem a verdadeira chance de fugir da morte. 
Chegam bem perto da borda do caldeirão, a ponto de, quase, escapar.

Mas os da sua espécie, o que fazem?
Puxam-nos de volta com suas pinças!
Ninguém foge, ninguém sobrevive!
Todos acabam fervidos vivos!

Pois bem, eu assistia a essa cena horripilante em Itanhaém, quando o telefone - fixo - tocou. (pois é, lá, ainda temos!)

Falecimento de um primo!

E aquela choradeira,
Aquela conversa de por quê tinha que acontecer isso?
Aquele clima de querer agarrar o coitado pela goela e de querer trazê-lo de volta a todo custo para esse nosso mundinho egoísta!

Mas, como poetisa que se presta imagina o que ninguém imagina, o que fiz eu?

Logo imaginei o pobre, tentando, após anos cozinhando, finalmente fugir do caldeirão.
E a parentada e a amigada - provando que esse mundinho de fato é egoísta -
erguendo as pinças pra trazer o tadinho de volta!

Deixa o coitado fugir, porra!
Deixa o coitado viver sossegado fora da panela!
Ou vão querer que todos sejamos fervidos vivos?

Vai com Deus, primo!

Poesias da Vida - XXI

(Juliana Paula Landim)

Eu não usava biquini fio-dental.

Mas, por uma questão de anatomia,
Meus biquinis ficavam fio-dental!
Sabem quando a borda do biquini vira do avesso?
Aí ele entra e fica aparecendo o forro?

Horrorível!

Decidi assumir!

Hoje só uso biquini fio-dental!
Desfilo - assumidíssima - pela praia de Itanhaém.
Com os dois dentões à mostra,
mas agora com charme!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Poesias da Vida - XVIII

(Juliana Paula Landim)

Ao meu lado agora senta
um demente que fuma!

Fui branda?
OK! Um asno que fuma!

Está melhor?
Que nada, está pior!

É o tipo de pessoa que deixa rastro
de perfume
de enxofre!

Sou uma batalhadora, determinada!
Aguento, mas não fico parada!
Nem deixo barato, não!

O pior ainda é que agora o chaminé
deu pra se insinuar
pra euzinha!

Ah, mas se meteu com a Juliana errada:
corto o avanço e falo na lata:

- Ô, desgraça!
- Vá procurar tua Maria Fumaça!

sábado, 29 de setembro de 2012

Cenas em um Shopping - XI

Separado, passeando sem os filhos, sem ninguém!
Pelo menos, sem ninguém que eu pudesse ver.

Mas eu estava naquela amosfera mista
de entrega à divina essência,
à devanescência
à tristeza
e à solidão.


De certo modo, penso que esse confusão mental de hoje
abriu em mim as portas
de algum lugarzinho que nós temos,
por onde se deixa entrar a beleza das coisas.

E foi por isso, acredito,
que eu pude perceber o que sempre devia estar lá,
mas eu não via:

- tinha um casal de meia idade que caminhava abraçado. Marido com expressão de serenidade, de paz, de quem não queria estar em nenhum outro lugar do mundo;

- passei por uma menina de vestido muito verde, cor de seus olhos, que sorriam com a alma, para a mãe;

- no restaurante, uma menina de uns quatro anos, dava com seu garfo, da sua própria cominda, para a irmãzinha menor;

- um casal feliz, se abraçava e se beijava na escada rolante. Depois ele deu um tapinha discreto no traseiro dela. Ops. Eu vi;

- no cinema, um sujeito se desculpava à moça da bilheteria porque havia perdido seu óculos para a projeção 3D. Ela deu uma piscadinha, e lhe deu outro;

- no supermercado, a moça empurrava o carrinho. Não. O moço, com a mão sobre a dela, empurrava junto;

- as três moças do caixa da drogaria, se divertiam tentando traduzir uma frase de amor para o inglês;

- a menina, que tomava um sorvete, de vestido cor de rosa, e um gatinho desenhado no dorso da mão, se divertia no balcão do caixa do estacionamento, enquanto o pai, sem mãe, a equilibrava, ao mesmo tempo que digitava a senha do cartão de crédito e procurava não deixar cair os pacotes de compras.

- e o local, onde, há pouco tempo, eu sentara para tomar um café, cercado de pessoas queridas, estava vazio.

Fiquei pensando como é importante e como faz bem a gente poder dar amor e carinho a quem queremos bem... Mas eu não podia!

Gilberto de Almeida
29/09/2012

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Poesias da Vida - XVI

(Juliana Paula Landim)

Hoje encontrei a pessoa mais infeliz do mundo!

Acordou cedo, com um frio terrível, não tinha água quente, metrô com problemas, pagou, desistiu, pegou duzentos e vinte e cinco ônibus, chegou atrasada, não trouxe marmita, nem dinheiro, não sabia como ia almoçar! Estava com vontade de fazer xixi, o banheiro entupido! Para completar sua infelicidade não parava de mastigá-la e regurgitar na gente!

Até esqueci do povo da Etiópia!
Até esqueci do povo da Síria!
Até esqueci dos desempregados, dos moradores de rua!
Nem lembrei dos doentes com câncer e dores incoercíveis!
Esqueci também daqueles que se afundaram no mundo das drogas e das bebidas!

Tal era o seu sofrimento!

E eu ainda mandei ela calar a boca!
Tadinha!