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domingo, 4 de agosto de 2013

Cenas em um Shopping - XXXV

Pequena menina,
no elevador
é levada.

E a pequenina
novela, a dor
elevada.

Gilberto de Almeida
04/08/2013


domingo, 30 de junho de 2013

Cenas em um Shopping - XXXIV



No restaurante, a senhora de tailleur preto!
("tailluer", é assim que se escreve?)

- Por favor,
(começou bem)

- e acenou com o dedinho para a garçonete -
(iiiiih....) -

você tem que
(agora estava sendo imperativa e decisiva! Será que a garçonete tinha mesmo que?)

limpar isso aqui!
(não me parecia a função da garçonete)

O dedinho de novo, dessa vez apontado para o chão!
(porque será que detesto tanto os dedinhos apontando? De fato havia um pequeno acúmulo de substância oleosa no chão)

Eu
(o ego!)

quase que caio!
(por quê não caiu? Meu lado mau!)

Minutos depois veio outra moça, vestindo um uniforme branco,
("uniforme" eu sei como se escreve. E gosto mais de branco que de preto!)

olhos entristecidos, como se guardasse no peito a amargura do mundo, agachou-se e ali, ao nível do chão, começou a limpar, humildemente.
(seus olhos se encontraram com os meus e a amargura do mundo, então, mudou de peito!)

A senhora do tailleur preto, comia, indiferente. Junto a ela, seu acompanhante, um senhor de ar respeitável, sorria!
(zebras e leões!)

Gilberto de Almeida
30/06/2013



domingo, 16 de junho de 2013

Cenas em um shopping - XXXIII


Voz de criança
ao longe, brincando...
caixinha de música!

Gilberto de Almeida
16/06/2013


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Mais três poemetos crônicos

I

Enquanto eu desentrenhava

na estação
lotada,
o sujeito de trás
e sua mochila
pareciam ignorar a lei
da impenetrabilidade da matéria
e se esforçavam por me atravessar.

Eu, por minha vez,
me esforcei por não esquecer as outras leis,
como a lei do amor
e da benevolência.

Quase não consegui.

Mas quando o rapaz já seguia a alguns metros de distância
(não me lembro bem se me atravessou ou não!)
consegui libertar-me
dessa influência desastrosa do toma-lá-dá-cá
e desejar-lhe um dia feliz!

Depois me peguei pensando
sobre as influências a que estamos sujeitos
sem perceber
e que contrariam o nosso íntimo.

E pensei também em quantas vezes seria proveitoso
ignorá-las.

II

E  no outro sentido vinha um jovem a ajeitar as costeletas

refletidas no telefone celular!

III

Noutro dia, a moça da bilheteria era um rapaz.
Sem perceber eu tinha criado o hábito de dar bom dia.
Ele sorriu.
E eu fui me acostumando.

Gilberto de Almeida
05/06/2013

domingo, 19 de maio de 2013

Poesias da Vida - XXXVIII


(Juliana Paula Landim)

Nasci na década errada,
mano!

Não sou a tal romântica
que chega a nascer séculos depois,
mas pelo menos umas décadas depois do que eu merecia,
ah!, isso eu nasci!

Cara,
minha turma juntou num fretado
e desandou a cantar!

Tchan-tchan-tchan-tchan...

Rolou cachora popozuda
porque o movimento era sexy
e o robocop era gay!

Minha amiga, dona Florentina,
foi daí pra baixo
(em todos os sentidos que a senhora queira pensar)!

Definitivamente, nasci na década errada!

Ou no planeta errado!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Três poemetos crônicos

I

O trem estaciona.
Desentrenha a multidão esbaforida.
De longe, venho pela passarela
como sempre, solitário;
como sempre, na contra-mão!

Vejo o estouro da humanada que se aproxima.
Sobreviverei?
Estanco!

Quando abro os olhos, estou vivo!

Sobreviver não é uma decisão que nos compete!

II

Descendo as escadarias da estação,
passando por uma coluna
e depois do poço do elevador
existe um recanto.

Por detrás do recanto,
três cadeiras.

Cheguei no exato momento em que a moça guardava numa sacola
um par de sapatilhas sem salto.

Calçava agora uns sapatos vermelhos
com múltiplos apliques dourados
cintilantes...
de meio metro de altura!

E foi aguardar o trem.

III

Quando o trem parou na estação
o carro de passageiros estava lotado.
Ninguém desceu!

Fiz cara de sabonete
e escorreguei para dentro.
Ninguém deu um passo atrás,
não houve o mínimo favorecimento,
nenhum gesto!

Fiquei de frente para um senhor gordo
que me lançou dois olhos dardejantes!

Percebi que o que comprimia minha bunda
era a bunda de uma mulata
(mulatas têm esse hábito genético de possuírem bundas volumosas!
Eu não podia culpá-la!);
menos mal!

Consegui segurar no cano
(por favor, não me entendam errado! Trata-se daquela estrutura de metal que existe nos trens urbanos exatamente para isso, para as pessoas se segurarem.)
Depois fiquei procurando entre todas aquelas mãos, qual era a minha!

Só tive certeza mesmo quando o trem parou na próxima estação.
Várias mãos se soltaram.
A que sobrou era a minha.
Procurei sair rápido da frente das pessoas.
Tive certeza de ouvir o senhor gordo na minha frente rosnar...

O trem esvaziou,
eu me sentei.

Depois pensei que tudo aquilo deveria valer a pena
pois, chegando ao meu local de trabalho,
haveria alguém que eu convenceria a parar de fumar,
alguém que eu tranquilizaria
ou, se nada de útil eu pudesse fazer por ninguém,
,no mínimo,
cumprimentaria os pacientes 
com um sorriso!

Gilberto de Almeida
15/05/2013

terça-feira, 14 de maio de 2013

Na Bilheteria


Na bilheteria, a funcionária,
toda sorridente, cumprimenta...
Não é fria, rude ou rabugenta,
nem grosseira, nem autoritária!

Mesmo a inteligência mais primária
ou terrivelmente desatenta,
não - de forma alguma! - se contenta!
- Ela é santa, agora, e eu, o pária?

Que comportamento inusitado!
Demonstrar, sem mais, essa alegria...
Tento compreender o que há de errado...

Mas é claro! É isso! Só podia!
Sem querer, eu mesmo fui culpado
pois, primeiramente, dei "Bom dia"!

Gilberto de Almeida
14/05/2013

terça-feira, 23 de abril de 2013

Poesias da Vida - XXXVII

(Juliana Paula Landim)

Trabalhar numa repartição pública
cercada de homens
não é fácil!

Sinto muito, marcianos,
mas educação e higiene são fundamentais
e parece não existir disso
lá no planeta de onde vocês vêm!

Por isso me questiono,
a cada dia
se vale mesmo a pena
por causa de alguns centímetros de linguiça
levar pra casa um porco inteiro...

Cenas em um shopping - XXXII

Na mesa ao lado tinha uma moça bonita.

O palco da vida alheia,
para um solitário como eu,
tem sido a mesa ao lado!

Meu espetáculo do dia a dia.

Dessa vez, 
foi um casal que deu sua contribuição
para o meu entretenimento!

PRIMEIRO ATO

A mulher era bonita,
mas isso, minto, eu não tinha notado.
O rapaz - pobre rapaz - tinha um olhar de desespero contido... 

Passado o período de aquecimento,
que deve ter acontecido atrás das cortinas,
o peça só começou
quando a conversa tomou ares de drama
e altura de declamação!

Os diálogos eram confusos e se sobrepunham;
os protagonistas falavam ao mesmo tempo
(suponho que esse efeito dramático fosse intencional!)
Ela vociferava em tom de epopéia;
ele se defendia, numa interpretação intimista.

Ela cruzou os braços,
expressão facial contrariada
e acusou-o de ter feito aquilo (sei lá o quê!)
"de propósito"...

- Você não vai mesmo, não é?

Então ele se levantou,
atravessou a praça de alimentação,
desapareceu
e ela se manifestou:

- Que saco!

A moça bonita
se transfigurou!
Deu-me calafrios!
(Belíssima interpretação!
Com que perfeição ela encarnava a megera!)

SEGUNDO ATO

Em instantes retornou o seu companheiro!
Trouxe guardanapos de papel
e os entregou, consternado, à dama!
Ela deixou escapar algum palavrão inaudível
e, rapidamente,
envolveu seu hambúrguer nesses imprescindíveis guardanapos!

O mistério foi desfeito!
Que maravilha!
Logo no início do segundo ato o Diretor encerra a trama
e revela o seu argumento!

Retira o véu que esconde a sordidez humana!

Os atores parecem, nesses instantes finais do drama,
esquecerem-se um da presença do outro:
- Ela, devorando seu sanduíche,
seu desatinadamente importante sanduíche!
- Ele, olhar perdido no vácuo...

Fiquei extasiado com aquela representação do cotidiano,
com aquela comédia tragipatética 
que revelou a insignificância e a fragilidade de um relacionamento
ante a inadiável,
inalienável
e irremediável
necessidade
de guardanapos!

Soberbo!
Tive vontade de aplaudir!
Que argumento!
De que vale a gentileza, afinal?
De que vale a moderação? O respeito? O entendimento? A ternura?
Se faltam guardanapos!?

Bravo!

Mas as cortinas baixaram
e eu notei que o rapaz continuava
com o olhar
no vácuo...

E eu tive pena,
porque senti que ele escolhera
se relacionar
com a beleza errada!

Na mesa ao lado tinha uma moça feia.


Gilberto de Almeida
23/04/2013


sábado, 20 de abril de 2013

Cenas em um shopping - XXXI

Era uma senhora falante
que encontrou na mesa ao lado
gente conhecida
e tal!

Era uma senhora falante:
simpática e desagradável
como se fosse
uma vendedora!

Era uma senhora falante!
Como se fosse uma vendedora,
despediu-se protocolarmente
de todos!

Despediu-se do João
da Teresa,
do Raimundo,
da Maria,
do Joaquim,
de J. Pinto Fernandes...

e por fim,
sem entender se eu fazia parte do grupo,
despediu-se de mim,
que não tinha entrado na história!

Gilberto de Almeida
20/04/2013


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Poesias da Vida - XXXVI

(Juliana Paula Landim)

Um Menestrel da vida dura,
violão colado ao peito
e a inspiração de quem procura
beleza no dia a dia
ofereceu aos passageiros
do jeito que dava jeito
um amor de poesia.

Não pediu por dinheiro,
mas é claro que quem quisesse
poderia lhe dar um vintém
ou lhe fazer uma prece...

Até aí tudo bem,
Mas tem algo que me toca a ferida:
- É gente de cara amarrada!

Minha amiga; meu camarada,
se tu tá avesso da vida
não desconta no pobre coitado:
- que vá procurar namorado!
- que vá procurar namorada!


Poesias da Vida - XXXV

(Juliana Paula Landim)

Tem gente que não pode dirigir
nem a própria razão;
razão
pela qual
não pode dirigir
a razão dos outros!

Pobre da pessoa que o motorista do ônibus
deixou para traz
na parada.

E trancou as portas por dentro
para que ninguém saísse
para avisar o pobre
retardatário!

E berrava!

Numa ira que não era deste mundo!

E todos os passageiros
ficamos imaginando
que o infeliz abandonado
perdera seus compromissos,
suas bagagens
e sua fé na bondade humana!

E eu fui tomada de um sentimento alienígena
de maldade...

Tem gente que não pode dirigir
nem a própria razão;
razão
pela qual
não pode dirigir
um ônibus!

domingo, 7 de abril de 2013

Eu, Alberto e o computador

Não sei por que motivo decidi que o Alberto deveria ter um computador.

Alguns bits a menos no meu cérebro, claro, para pensar uma coisa dessas; mas o fato é que o levei à loja de eletrônicos para comprar um!

Porém o inusitado começou, bem... digamos, começou o tempo todo!

Imaginem a expressão de espanto que se apossou da fisionomia do Alberto, em pleno "Shopping Center", enquanto ele pousava aqueles olhos azuis num mundo de mármores e granitos, de vidros espelhados, elevadores panorâmicos, vitrines glamourosas e gente vestida muito além da simplicidade bucólica com que ele estava acostumado...

Quando percebeu uma senhora conversando com outra e ambas dirigindo-se a passo acelerado rumo a uma porta automática, tive que conter o Alberto, pois ele se destrambelhou em direção às duas para tentar impedir que se chocassem contra a parede de vidro!

Mais adiante foi a escada rolante que o apavorou: o pobre - que o máximo que já havia experimentado para facilitar sua costumeira locomoção pedestre - fora o uso de um carro de bois ou, raramente, uma charrete, relutou bravamente contra as minhas tentativas de convencê-lo a embarcar naquela esteira enfeitiçada e, no final, foi ele quem me convenceu a subir pelas escadas convencionais.

Creio que ele esteve em pânico durante toda sua permanência no "Shopping"! As pessoas, apressadas, pareciam não o notar, chocando-se conosco aos trambolhões. Era um acúmulo fenomenal de informação e estresse para um homem do campo, que nunca viera a São Paulo!

Quando, finalmente, chegamos à loja de eletroeletrônicos, meu amigo estava à beira do colapso! E isso só piorou! Tudo naquela loja era impressionante demais, miraculoso demais! Mas eu, sensível como um poste, e obstinado como uma mula, estava decidido a comprar o tal computador.

Aproximou-se o vendedor a falar, entre outras coisas, sobre "gigabytes", memória RAM, portas USB, "Blue Ray", "Ethernet" e "Windows". Alberto não entendeu nada, obviamente! Arriscou perguntar o que era "Windows" e eu, tentando traduzir para o Português, só piorei as coisas, pois, em parte alguma daquela máquina, o Alberto via "janelas" (peças raras naquele "Shopping", aliás, pelas quais o Alberto vinha me perguntando desde que adentráramos o pavilhão de consumo.)!

Mal compreendendo o que era o tal computador, começava o Alberto a me questionar sobre o motivo pelo qual eu desejava que ele possuísse um:

- Para você escrever sua poesia... - Retruquei, a essa altura já sem muita convicção!

Alberto fitou-me demoradamente; olhou para aquela geringonça luminosa, cheia de botões e sem nenhuma janela; encarou os olhos do vendedor, que insistia em ignorar o meu amigo...

Depois tirou um bloco de papel do bolso traseiro de sua calça, um lápis que estava no bolso da camisa, não disse uma palavra sequer e pôs-se a rabiscar. Após alguns instantes, arrancou a folha de papel em que escrevera e me entregou.

O que eu vi naquela folha de papel foi um desenho rudimentar, mas muito significativo, de uma casinha em cima dum outeiro, com duas janelas desproporcionalmente grandes. Pouco abaixo, ele escrevera:

- "poesia não precisa ser escrita."

E, se essa única frase escrita a lápis, abaixo de uma casinha de janelas grandes em cima dum outeiro, não era a mais evidente comprovação de si mesma, eu já não sei em que acredito!

Foi assim que desisti da ideia absurda de comprar um computador para o Alberto.

Foi assim, também, que entendi - por certo, erradamente - que algumas poucas coisas na vida não se deve tentar melhorar, sob o risco de ficarem piores!

Gilberto de Almeida
07/04/2013

domingo, 24 de março de 2013

Cenas em um Shopping - XXX



Um sujeito de corpo bombado:

com um pouco da maldade que reside em mim,
imaginei
que aquele jovem deveria
 treinar horas a fio

e não consegui deixar de pensar na antítese
da imagem hercúlea
treinando os bíceps
ao mesmo tempo que treinava
sua oligofrenia!

Gilberto de Almeida
24/03/2013


Cenas em um Shopping - XXIX






Carotena pequena morena,
Iemanjá cor laranja se acanha;
se eu espero ou se quero um bolero,
desarranja e acompanha uma arcanja!

Gilberto de Almeida
24/03/2013

quarta-feira, 20 de março de 2013

Duas meninas gêmeas


Gilberto de Almeida
20/03/2013



segunda-feira, 18 de março de 2013

Noite na rodoviária


(Mariana Nagano)

A noite cala
a rodoviária.

Cantando a ária,
a cotovia

a faxineira
a rodo
via

do lodo
limpá-la
inteira.


sexta-feira, 8 de março de 2013

Cenas em um Shopping - XXVIII



O Shopping Center se enganou:

neste oito de março
confundiram a mulher
com um troço fútil qualquer,
plenamente materialista,
disposto a comprar o que não precisa
apenas porque, de repente,
apareceu um desconto
e balões de festa
e serpentinas!

Gilberto de Almeida
08/03/2013

terça-feira, 5 de março de 2013

Reviver - IX; Trem Urbano VII

Reviver é sair do trem!

Gilberto de Almeida
05/04/2013


segunda-feira, 4 de março de 2013

Trem Urbano - VI



Na estação Vila Olímpia
fiz uma garatuja:
Ô! Vila Ímpia!
Ô!, Suja!

Na estação Vila Olímpia
quero passar ligeiro
Ô! Vila Ímpia!
Ô! Cheiro!

Gilberto de Almeida
04/03/2013