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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Poesia em círculo

(À professora Gerlane Fernandes e seus alunos) 

Descobri que lá na Bahia tem,
que lá na Bahia tem alguém
que pega um poema
e põe cor,
e põe voz,
e põe sentimento,
e põe na sala de aula.
Existe alguém na Bahia
que pega um poema
e põe poesia.

Gilberto de Almeida
21/11/2012


Vejam  que  bacana a versão deste poema criada pela professora Gerlane Fernandes: 



terça-feira, 6 de novembro de 2012

Resgate na Mina de San Esteban

 
(À equipe de resgate, em San Estaban, no Chile)
 
No meio da pedra tinha um caminho
tinha um caminho no meio da pedra
tinha um caminho
no meio da pedra tinha um caminho.

Nunca me cansarei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão descansadas.
Nunca me esquecerei que no meio da pedra
tinha um caminho
tinha um caminho no meio da pedra
no meio da pedra tinha um caminho.
 
Gilberto de Almeida
06/11/2012
 
 
 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Dois haicais para os professores

O bom professor
semeia a luz que incendeia,
tomado de amor.
 
Aquele que ensina
entoa a voz que abençoa
e o mundo ilumina.
 
Gilberto de Almeida
15/10/2012
 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Todo Amor Todo

(A Carina Paludeto)
 
Cada sílaba cada
rima cada rima,
nada mais nada.
 
Parece que parece
lucidez, mas lucidez
destina a quem destina
todo amor todo,

Gilberto de Almeida
09/07/2012
 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Júbilo

(para Eneida de Almeida)

J ustíssima alegria,
Ú nico entendimento,
B endita essa harmonia
I nvade o firmamento.
L uz serena do dia,
O amor em movimento!

Eu e Amigo
02/10/2012


terça-feira, 11 de setembro de 2012

Balada para o casal Revoredo

(aos amigos Luiz e Isa Revoredo e seu filhos Felipe e Alex)

Aconteceu um dia essa surpresa
que – certo - não viria em melhor hora
e ainda me comove a natureza
de tal convite, como fosse agora!
Relembro assim, com límpida franqueza,
sem exageros, nada de irreal
a noite em que se nos serviu à mesa
o encanto de um carinho especial!
 
O encontro transbordou delicadeza:
daquela que emociona e a gente cora,
desde o detalhe de uma vela acesa,
do som que dança pelo ouvido e chora,
de um bom cardápio, até da sobremesa
repletos de tempero cordial...
e a cor da noite foi dessa beleza,
o encanto de um carinho especial!
 
Trataram minha amada qual princesa,
e fomos passear em Bora-Bora;
ternura e vinho... algozes da clareza...
e quem pensava, então, em ir-se embora?
Não sei dizer, só sei dessa fraqueza
que eu tenho por bondade natural,
e nessa noite havia essa pureza:
o encanto de um carinho especial!
 
OFERTÓRIO
 
E para agradecer tanta grandeza
que aceitem, nós pedimos  ao casal,
esta balada - humilde gentileza -
o encanto de um carinho especial!
 
Gilberto de Almeida
11/09/2012
 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Homenagem a Petersburgo


 
Petersburgo, Leningrado, Gorbachev, Kasparov; teve outubro, mal passado e, em novembro, os Romanov; o absurdo, o monstro humano, cerco insano, fome e saque; os franceses, os germanos, a soberba, a queda e o baque; o gigante vive ao norte, vive a fome, come a morte; catedral de luzes fortes sobrevive a todo ataque; Perestroika, vida heroica, e uma igreja para Isaque; obra humana que se preste se confunde co'a celeste; Petersburgo, Leningrado, Gorbachev, Kasparov; Perestroika, vida heroica, convencido ou quer que prove?
 
Gilberto de Almeida
10/09/2012
 
 

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Balada ao Canto Angelical

(Dedicada à amiga Shu Yi Yi)

Passava a noite em cantoria, eu sei,
em meio a tanta gente bem amada,
de espírito elevado, e assim pensei
que àquela noite não faltava nada...
Foi quando, então, eu, pasmo, despertei
de um sonho doce para um doce encanto;
foi quando a melodia que escutei
surgiu na voz divina do teu canto.

Passava aquela noite como um rei,
boa comida e música animada,
a bela companhia que levei
e assim pra mim, já não faltava nada...
Foi quando, então, eu, pasmo, despertei
de um sonho doce para um doce encanto;
foi quando a melodia que escutei
surgiu na voz divina do teu canto.

Havia, aquela noite, uma só lei:
- que a festa fosse linda, açucarada!
Porém, a tua voz, como contei,
serena, fez a festa, abençoada!
Por isso, agradecido, dediquei
uns versos poucos a dizer o quanto
me sinto grato pelo que escutei
na voz, na luz divina do teu canto.

OFERTÓRIO:

Humilde, peço: aceita o que te dei,
embora eu saiba disto: que, no entanto,
por mais que eu tente não conseguirei
retribuir o encanto do teu canto!

Gilberto de Almeida
09/07/2012


domingo, 17 de junho de 2012

Carlitos

       
             Gilberto de Almeida
                  17/06/2012



sábado, 9 de junho de 2012

Trinta e Sete

Um número - foi trinta e seis -
sorriso esboçando nos dentes,
mas tinha coisas pendentes,
e ainda não foi dessa vez!

Se fosse trinta e oito
talvez, já tudo acertado,
mas tanto tempo passado,
o ânimo estivesse afoito!

Mas diga, que número então
é aquele ao qual compete
a paz, amor, mansidão?

- Calma, hoje eu fiz uma enquete
e o número trinta sete
apareceu na apuração!

Gilberto de Almeida
09/06/2012


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Outro Turno

Para mim está claro
que noturno de Chopin
(eu me refiro ao “opus” nove, número dois)
estava escuro.

Assim mesmo
tenho a convicção de que ele se iluminou
e trouxe alegria à tristeza
que deixou para o diurno.

Gilberto de Almeida
23/05/2012

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Enxergando a Nóvoa

Todo mundo tem direito a uma certa dose de ignorância
E uma parcela da minha confesso agora:

Eu não sabia que em meio ao tumulto do Rio de Janeiro
Havia essa Nóvoa serena e densa
Repleta de uma poesia tão indescritível
Que só lendo para crer.

Gilberto de Almeida
21/05/2012



sexta-feira, 18 de maio de 2012

Mãe

(Mário Quintana)

Mãe! São três letras apenas
As desse nome bendito:
Três letrinhas, nada mais...
E nelas cabe o Infinito.
É palavra tão pequena
- confessam mesmo os ateus -
É do tamanho do Céu!
E apenas menor que Deus...


sábado, 12 de maio de 2012

Os Teus Catorze Anos

(Dedicado a minha filha, Carolina)

Perguntei, tempos atrás
- E desses tempos, que saudade! - 
Chegando da maternidade
Com um pacotinho de você:
- E agora, o que a gente faz?
- Como cuidar do bebê?


domingo, 6 de maio de 2012

Um soneto chamado “Odeon”


(Dedicado a minha mãe)

Você bem sabe, mãe, que eu não queria
arrebatá-la aos braços da Unidade
que, a quem merece, aos poucos, toca e invade
as fibras d'alma, em terna sintonia.

Naquele instante, eu pouco percebia
a rádio, absorto em calma intimidade.
Porém, alheio ao transe da cidade,
reconheci, saudoso, a melodia.

Quando ela, então, soou, era o destino
(acordes que escutara, de menino,
no dedilhar do piano, o amado som):

meu coração mal pôde, em seu anseio,
confiar, querida mãe, que você veio
na acústica nostálgica do “Odeon”...

Gilberto de Almeida
06/05/2012

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Essa Covinha... V

José Gilberto Tristão de Almeida
(Publicado no jornal “O Comércio da Franca” – Ano desconhecido)



Se devo nos meus versos ter a graça
que em teu sorriso em teu semblante mora,
prefiro, por modelo, leve taça
embebida de luz e alvor da aurora

Concha que o sol primaveril abraça
e o sol de inverno levemente cora,
gota serena, límpida, sem jaça
que em teu olhar, às vezes, se demora.

Se, no cantar, primeiro que a beleza
dos versos, é a da imagem que dá gôsto,
eu quero celebrar da natureza

aquilo que melhor nela está posto
tomando, ao teu perfil, bela princesa,
essa covinha que tu tens no rosto.


sexta-feira, 27 de abril de 2012

Bravo, bailarina!


(Dedicado a minha filha, Carolina)

De longe, enxergo a sutileza,
bailado alegre e cativante.
Que o corpo estaque! A alma reza...
Que o coração palpite e cante!

A flor de graça e de destreza
que toma o palco, logo adiante,
sorriso intenso de princesa,
me dobra o ego, inebriante!

Artista além da sapatilha,
em seu semblante, a Luz Divina
é puro amor, que emana e brilha!

De longe, agora, Carolina,
o amor de pai se curva à filha
e exclama: - Bravo, bailarina!

Gilberto de Almeida
27/04/2012 (reescrito em 11/03/2019)



domingo, 15 de abril de 2012

Depressão a Augusto dos Anjos

Vivendo atormentado, absurda sina,
amargo, depressivo e melancólico,
despido da vontade, o espasmo cólico,
o fôlego exaurido de endorfina,

o olhar esfumaçado na neblina
odienta, em turva mente, estado alcoólico,
vislumbro o mundo, pútrido e estrambólico,
que as forças derradeiras extermina.

Contudo, naufragando em sofrimento
combato, ainda enfermo e pestilento,
os haustos da tristeza que prosterna.

Talvez possa frustrar o plano injusto -
que entrava-me o caminho nada Augusto -
Dos Anjos da penúria e angústia eterna!

Gilberto de Almeida
14/04/2012


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Poema para Candinho Portinari em sua morte cheia de azuis e rosas

(Vinicius de Moraes)

Lá vai Candinho!
Pra onde ele vai?
Vai pra Brodóvski
Buscar seu pai.

Lá vai Candinho!
Pra onde ele foi?
Foi pra Brodóvski
Juntar seu boi.

Lá vai Candinho!
Com seu topete!
Vai pra Brodóvski

Pintar o sete.

Lá vai Candinho
Tirando rima
Vai manquitando
Ladeira acima.

Eh! Eh, Candinho!
Muita saudade
Para Zé Cláudio
Mário de Andrade.

Se vir Ovalle
Se vir Zé Lins
Fale, Candinho
Que eu sou feliz.

Ouviu, Candinho?
- Diabo de homem mais surdo...
 

Sonetinho a Portinari

(Vinicius de Moraes)

O pintor pequeno
O grande pintor
Ruim como um veneno
Bom como uma flor

Vi-o da Inglaterra
Uma tarde, vi-o
No ermo, vadio
Brodóvski onde a terra

É cor de pintura
Muito louro, vi-o
Dentro da moldura

De um quadro de aurora
O olhar azul frio:
- Lá ia ele embora...