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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Poesias da vida - XXV

(Juliana Paula Landim)

Se existe poesia num banheiro,
devia ser naquele.

Tinha uns vasos de violeta
sempre que eu ia.
E perfume!

Mas, se existia poesia num banheiro,
ela acabou.

Porque a última energúmena que usou
- e que deve andar por aí que nem uma dondoca! -
não deu a descarga!

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Poesias da Vida - XXIV

(Juliana Paula Landim)

Me dá um biju?

Sempre tive vontade de pedir, mas não pedi!

O homem que vende, está no mesmo semáforo há uns vinte anos.
A mesma camisa xadrez azul e branca,
A mesma boina acinzentada,
A mesma cara de bravo.

Mas vejo simpatia nele.
Trabalha de sol a sol, como eu! Me identifico!
Deve ter mulher, filhos pra cuidar.
Só que eu já mudei de emprego três vezes.
Ele continua lá. Firme! Admiro!

Deve ser um bom emprego.
Não tem chefe,
Não tem rádio pião,
Não tem cobrança,
E ele conseguiu ficar vinte anos.

Passou por mim com a mesma cara de bravo.
De repente bateu um sentimento de tristeza...

O semáforo abriu.

Me dá um beiju?
Fiquei com vontade de pedir, mas não pedi.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Via Wi-Fi

(Juliana Paula Landim)

"Ora (direis) ouvir besteiras! Chega!
Não perde tempo!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez sou pega
vendo bobagens, mórbida, num canto...


E às vezes - juro - varo a noite, enquanto
O meu cachorro, deita, se aconchega
E fica. E, ao vir do sol, eu me levanto,
com cheiro de pipoca com manteiga.


Direis agora: "Alucinada amiga!
Será que vês novelas? Que sentido
Tem o martírio a que a tevê te obriga?"


E eu vos direi: "Novelas não são nada!
Pois na Intenet, é lá que eu tenho ouvido
Besteiras no frescor da madrugada."



Parodiando Via Láctea (Olavo Bilac)


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Poesias da Vida - XXIII

(Juliana Paula Landim)

Na marginal pinheiros
minha amiga tomou um enorme susto!
Virou o volante numa guinada urgente e instintiva!

Mas, sorte!, conseguiu evitar o acidente e dar passagem
para as sirenes da emergência
que vinham a toda velocidade!

Qual emergência, não sei:
talvez uma mulher em trabalho de parto;
talvez um filho acidentado;
talvez um pai na forca!

Pois era um carro de passeio.
Não era ambulância,
não era bombeiro,
não era polícia!

E eu me recuso a acreditar que alguém
colocasse outras pessoas em risco
por um motivo idiota e egoísta
como, simplesmente,
a presunção de um motorista
de que tenha privilégios sobre os demais
para chegar mais cedo em casa!

Precisaria ser muito monstruoso para isso!

Espero que a esposa de alguém tenha dado a luz com tranquilidade!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Poesias da Vida - XXII

(Juliana Paula Landim)

Quem já viu, sabe;
para quem não viu, vou tentar descrever:

Num caldeirão grande ,os carangueijos são colocados na água fria. Vivos.
Devagarinho a água vai se aquecendo, e os pobrezinhos vão ficando agitados. Claro, querendo fugir.
Uns sobem por sobre os outros.
Há aqueles que tem a verdadeira chance de fugir da morte. 
Chegam bem perto da borda do caldeirão, a ponto de, quase, escapar.

Mas os da sua espécie, o que fazem?
Puxam-nos de volta com suas pinças!
Ninguém foge, ninguém sobrevive!
Todos acabam fervidos vivos!

Pois bem, eu assistia a essa cena horripilante em Itanhaém, quando o telefone - fixo - tocou. (pois é, lá, ainda temos!)

Falecimento de um primo!

E aquela choradeira,
Aquela conversa de por quê tinha que acontecer isso?
Aquele clima de querer agarrar o coitado pela goela e de querer trazê-lo de volta a todo custo para esse nosso mundinho egoísta!

Mas, como poetisa que se presta imagina o que ninguém imagina, o que fiz eu?

Logo imaginei o pobre, tentando, após anos cozinhando, finalmente fugir do caldeirão.
E a parentada e a amigada - provando que esse mundinho de fato é egoísta -
erguendo as pinças pra trazer o tadinho de volta!

Deixa o coitado fugir, porra!
Deixa o coitado viver sossegado fora da panela!
Ou vão querer que todos sejamos fervidos vivos?

Vai com Deus, primo!

Poesias da Vida - XXI

(Juliana Paula Landim)

Eu não usava biquini fio-dental.

Mas, por uma questão de anatomia,
Meus biquinis ficavam fio-dental!
Sabem quando a borda do biquini vira do avesso?
Aí ele entra e fica aparecendo o forro?

Horrorível!

Decidi assumir!

Hoje só uso biquini fio-dental!
Desfilo - assumidíssima - pela praia de Itanhaém.
Com os dois dentões à mostra,
mas agora com charme!

Poesias da Vida - XX

(Juliana Paula Landim)
 
Tô cheia
dessa vida
vazia
de leva
e trai.
 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Poesias da Vida - XIX

(Juliana Paula Landim)

Pelo amor de Deus!

Será que fazer caridade é tão difícil assim?

Meu, se você não tem nada para dar,
faça como uma mãe pobre:
- encha-se de amor e dê a luz!

Pôrra!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Poesias da Vida - XVIII

(Juliana Paula Landim)

Ao meu lado agora senta
um demente que fuma!

Fui branda?
OK! Um asno que fuma!

Está melhor?
Que nada, está pior!

É o tipo de pessoa que deixa rastro
de perfume
de enxofre!

Sou uma batalhadora, determinada!
Aguento, mas não fico parada!
Nem deixo barato, não!

O pior ainda é que agora o chaminé
deu pra se insinuar
pra euzinha!

Ah, mas se meteu com a Juliana errada:
corto o avanço e falo na lata:

- Ô, desgraça!
- Vá procurar tua Maria Fumaça!

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Poesias da Vida - XVII

(Juliana Paula Landim)

Trodia um amigo disse
- e admiro sua franqueza -
que escrevo sem cuidado, que meu palavreado isso, que a gramática aquilo, sei lá!
Enfim, que eu precisava melhorar!

E a mesma franqueza que admiro, eu agradeço, mas
Tônemaí !
Tendeu?

Escrevi, você leu!
Pensou, entristeceu, alegreceu, ficou puto, gozou?

Então serviu!

No mais,

Tônemaí !
Tendeu?

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Poesias da Vida - XVI

(Juliana Paula Landim)

Hoje encontrei a pessoa mais infeliz do mundo!

Acordou cedo, com um frio terrível, não tinha água quente, metrô com problemas, pagou, desistiu, pegou duzentos e vinte e cinco ônibus, chegou atrasada, não trouxe marmita, nem dinheiro, não sabia como ia almoçar! Estava com vontade de fazer xixi, o banheiro entupido! Para completar sua infelicidade não parava de mastigá-la e regurgitar na gente!

Até esqueci do povo da Etiópia!
Até esqueci do povo da Síria!
Até esqueci dos desempregados, dos moradores de rua!
Nem lembrei dos doentes com câncer e dores incoercíveis!
Esqueci também daqueles que se afundaram no mundo das drogas e das bebidas!

Tal era o seu sofrimento!

E eu ainda mandei ela calar a boca!
Tadinha!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Poesias da Vida - XV

(Juliana Paula Landim)

Foi poético.
Ah, foi sim!

Aquela faxineira trabalhara por anos na casa do Doutor Alfonso,
doutor desses orgulhosos, que pisa em todos no caminho;
que tem que pronunciar bem o "ele", para não dizer Afonso!

Ufa, que porre!

Mas era o dia de pagar o carma. Lá estava ela, a Senhora faxineira,
com a humildade de substituta,
mas autoridade de quem trocara as fraldas do Doutor,
a dizer a brados no escritório:

Que sujeira que tu deixou isso aqui, Fonsinho!

E gargalhada correu solta e comeu o "ele" do Doutor!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Poesias da Vida - XIV

(Juliana Paula Landim)

Tem certos hábitos que devemos evitar a todo custo
- para o bem da civilização!

Aliás, tem certos hábitos que quem deve evitar a todo custo
são eles,
os exemplares testiculares da espécie!
Isso!
Exemplares testiculares,
porque é isso que parecem, a cada minuto, querer mostrar que são!

- Meu amigo, eu sei que você é um cavaleiro
das távolas redondas,
mas não precisa coçá-las na minha frente,
só para mostrar que as tem!

- Meu amigo, você pode ser um galinha,
Mas, meu caro granjeiro,
não ache que vai me impressionar
coçando os ovos!

- Meu amigo, sei que é europeu,
que veio da Bélgica, ou de Luxemburgo,
mas não precisa coçar os países de baixos,
para mostrar que veio de lá!

- Ou, meu amigo, você pode ser apenas
um reles sem educação
e, nesse caso, juro que eu gostaria de te pagar na mesma moeda,
mas nem tenho saco para isso!

Poesias da Vida - XXVII

(Juliana Paula Landim)

Sou meio surda!
Não adianta cochichar no meu ouvido!
Tem que ter volume!

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Poesias da Vida - XIII

(Juliana Paula Landim)

Eu já andava irritada
com aquela que andava a presidir.
Por presidir, presidenta!

E esse substantivo horroroso,
me acompanhou no rádio:
eu, por ouvir, ouvinta!

Acreditam que tive um sono terrível,
tentando absorver o som do tal substantivo
(por absorver, absorventa!)
e dormi em cima do braço?
Foi aí que acordei com a mão formigando,
assim, por dormir, dormenta!
À janela decidi tomar ar
e vi uma estrela cair,
por cair, cadenta!

E eu, por escrever, escreventa,
com a mão dormenta,
não pude redigir um poema.
Fiquei fula!
Por divergir, divergenta!

Mas para cada mal há uma cura e eu, no inconformismo daquela noite,
lembrei de uma amiga,
por crer, crenta.

Fiz uma oração
e pedi aos gramáticos todos
pela saúde de quem estivesse a presidir!

Mas meu lado mal (que eu tenho!)
desejou fervorosamente
que os mesmos gramáticos todos
criassem o verbo jumir!

E, enfim voltei a dormir,
contenta!


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Poesias da Vida - XI

(Juliana Paula Landim)

Em tempo de jogos olímpicos
minha vida tem sido
mais como uma prova
de quatrocentos metros com barreiras
do que de cem metros rasos!

Ainda bem!

Se minha vida não tivesse obstáculos,
eu teria que criá-los!



terça-feira, 4 de setembro de 2012

Poesias da Vida - X

(Juliana Paula Landim)

Cone de sinalização caído
na Radial Leste
não é poesia!

Mas motoboy, que eu vi,
reerguendo o cone de sinalização
é poesia
pra cacete!

Porque mostra que a cidadania
é capaz de sobreviver
mesmo dentro dum capacete!

Poesias da Vida - IX

(Juliana Paula Landim)

Existe poesia
nas maluquices do dia a dia.

Hoje eu andava pela faixa da direita com muito cuidado;
mas como não estivesse disposta
a ficar exposta
à lentidão gutural do trânsito,
dei seta!

Passou uma motoclisseta!
À doida, passou-me ao lado
Zunindo!

Entre as faixas dos carros!
Mas o que foi um sarro
é que o motoclissista
não era qualquer vigarista;

era um marronzinho!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Poesias da Vida - VIII

(Juliana Paula Landim)

Na copa vejo as pessoas mais.
Mais felizes, mais falantes, e também mais criticantes.
Faz parte!

E assim estavam todos
sorrisos.

Foi quando ela entrou
de salto,
bundão empinado (porque o salto deixa o bundão empinado)!

Mas ela entrou
de salto,
nariz empinado (o salto também deixa o nariz empinado?)!

Aquele olhar acinzentado fez da popuzuda o reflexo do descompasso!
E tudo na copa ficou menos,
e eu saí!

domingo, 26 de agosto de 2012

Poesias da Vida - VII

(Juliana Paula Landim)

Relacionamentos, tive vários,
e também várias separações,
e todas superei!

Às vezes fui rejeitada: doeu mais!
Às vezes rejeitei: doeu menos!

Mas a história não se repete.
Hoje tomei uma decisão
e decidido está!
E ainda dói no coração!
E, desta vez, não sei se ficarei bem!

A decisão foi minha,
nem quiz saber, nem ouvi o que diziam!

Mesmo porque se assim não fosse,
não me deixariam terminar.

Mesmo porque se eu não desse um basta,
esse relacionamento promíscuo deveria acabar mal!

Assim está melhor.
Me separei dos cartões de crédito.
De todos eles!
Ainda dói no coração,
Sei que vai demorar, mas ficarei bem!