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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Do Outro Lado

De baixo para cima,
num fulgor riscado
pela ponte estaiada,
a beleza mima
minha alma cardíaca,
extasiada!

A cintilar
dourados,
edifícios brilham
somente
para lembrar
que há, do outro lado,
o sol poente...

Gilberto de Almeida
20/06/2012


quinta-feira, 19 de julho de 2012

A carreta



Gilberto de Almeida
19/07/2012


quarta-feira, 18 de julho de 2012

Aprendizado


Na lida urbana, certamente, surgirão
os desafios, no fluir da corredeira.
Mas a inquietude turbulenta a vida inteira
sufoca o senso indispensável da razão.

E nesse curso desvairado segue, então,
a massa urbana, entorpecida, à ribanceira.
Mas a resposta aos desafios, que requeira,
jamais consegue no rumor do turbilhão!

Porém (quem sabe?) o torvelinho da existência
possibilite singular aprendizado.
Talvez nos valha a tresloucada experiência

como aguilhão a perturbar-nos, eficaz,
e um dia o homem, mais vivido e mais cansado,
enfim perceba que é melhor viver em paz.


Gilberto de Almeida

18/07/2012, reescrito em 19/03/2019.


quinta-feira, 12 de julho de 2012

o poste

(Christiana Nóvoa)

lâmpada fria
fia-te luz do dia
tarde da rua

a lua late
antes da light havia
a via láctea

Veja também no site da autora:
http://www.novoaemfolha.com/2012/07/o-poste.html#comment-9182

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Cenas em um Shopping - I

A primavera
com seu sorriso florido
e seu vestido;

mãos dadas,
estampadas
a menina espera.



Gilberto de Almeida
04/07/2012


Cenas em um Shopping - II

Na escada rolante
desce a madame
elegante.

Semblante sério,
um falso império
de arame
cortante.

Gilberto de Almeida
05/07/2012


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Nove haicais enquanto parado na greve!

Como é que se atreve
a vida a parar a vida
por causa da greve?


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Marruage

O carro morre,
é atingido,
um carro antigo.
No chão o amor
tão desprovido...
A viúva corre,
ninguém socorre.
Alternador.

Gilberto de Almeida
21/05/2012

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Insustentável

Suspenderam a consulta
Suspirou o paciente
SUS, infelizmente

Gilberto de Almeidda
17/05/2012


quarta-feira, 25 de abril de 2012

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Turfe


                GUINCHA, CAPRICHA, RELINCHA!

                Deu sinal o ônibus já ia passando freou com a alma toda do motorista parou uns tantos metros adiante quase atropelou a senhora idosa que tinha um pé avançado na rua – zum zum zum blá blá blá – que motorista cavalo e quem disse que queria esperar quinze subirem no ônibus?

                RONCA, DÁ BRONCA, DESTRONCA!

                Passa no Anhangabaú? No Elevador Lacerda? Não empurra olha essa mão no Veropeso!

                RONCA, DÁ BRONCA!

                Como é minha velha sobe ou não sobe?

                CATRACA  TRACA CATRACA!

                O cobrador não tinha troco ia ter que levar vale-transporte justo ele que nunca pegava ônibus não quis não e pior ainda já que já ia descer loguinho ali na esquina da Boa Viagem com a Pampulha acabou ficando sem troco.

                PARADO UM CARRO DO LADO!

                - É a tua era a do outro e a dos passageiros também só porque o motorista saiu da faixa exclusiva porque tava tudo parado?

                RONCA, ARROMBA, DESTRONCA!

                Guinou para a Ouvidor Freire aproveitou que era descida não era no trajeto e engatou banguela quase atropelou o pivete e o pessoal de dentro dizia que doido que isso não era carro de boi que que que.

                VALETA CATAPLETA NO TETO!

                Mas era carro de boi sim olha a curva se segura desencocha daí sai do meu colo o debaixo é meu vai tirá o pai da forca motorista? Mas agora que tava porre da vida mesmo com todo mundo enchendo o seu não quero nem saber e fé na tábua que agora é que vocês vão ver o que é que é bom o farol tava vermelho nem ligo e aquele louco cruzando o sinaleiro não vê que eu tô indo na banguela ô meu sai da frente!!!

                BUZINA EM CIMA AZUCRINA!

                Carro de passeio e todo mundo dentro arregalou duas corujas como se fosse morrer naquela horinha mesmo meu deus!

                ACHA ARREGAÇA A MARCHA!

                GUINCHA RELINCHA DESTRINCHA!

                POU CATAPOU ACABOU!


Gilberto de Almeida
Por volta de 1992

terça-feira, 3 de abril de 2012

Porca Miséria



Gilberto de Almeida
03/04/2012

sexta-feira, 23 de março de 2012

Chope

Saí do trabalho


Estou c'o pensamento embriagado
e o sentimento em louro efervescente
de branca espuma a refrescar-me a mente
pois hoje é sexta-feira, é feriado!

Já com preguiça


E enxergarei a noite extasiado
do ângulo focal da etérea lente,
do etílico pensar que, inconsequente,
transforma o amargo em doce amargurado.

Quero mesmo é sossego


Boêmia, a vida vai sentar-se à mesa
pensando que o universo estacionou, [pe-]
cando, desejo um pão com calabresa,

O "garçon" traz salsicha


sem pressa, sem horário de metrô - [pis-]
tache! - sem garçom. Mais nada tem clareza...
Que tudo exploda, que esta noite é chope!


Que então eu bebo com profundo desapego...


Gilberto de Almeida
(por volta de 1992)

terça-feira, 13 de março de 2012

Carrossel Urbano

Tantos acontecimentos vãos, tormentos nulos, lixo, escória na memória,
Na história, caravana invadindo o cérebro complexo,
Se esvaindo pelos plexos desconexos
Pela mente confusa, dormente, reticente, reclusa...

Tanta desgraça ronda a praça tonta,Vai tomar as residências, esquivas cadências a fugir do ar,
Penitências a afligir o andar no mar, domar o mar.
Martírios, delírios de ver a cidade em clausura
Domiciliar, dormir, conciliar, sem conseguir par...

A lasca do concreto urbano, a carrasca no decreto, o dano
Não está dando, inundando, quando tudo se contorce em completo casuísmo,
Autismo, o autismo louco e ébrio esgarça e arregaça o cérebro complexo
Se esvaindo pelos plexos...
Desconexos...

Gilberto de Almeida
(por volta de 1992)


sábado, 10 de março de 2012

Homenagem ao Monumento Desconhecido

(dedicado ao monumento desconhecido)

Bundinha Jeans
Apertadinha
Na bermuda,
Chegou
Tesuda
No Metrô.
Tatua perna,
Bustiê de taça,
Sutiã prá quê?
E tem baderna
No cabelo d'ouro
Que se escorrega...
Cinturão de couro,
Tudo Brega:
Mas uma graça!

Gilberto de Almeida
(por volta de 1992)