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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Luís Fernando Veríssimo - Sem Título - III

(Luís Fernando Veríssimo)

O BRASIL É UM PAÍS
VERDADEIRAMENTE INCOMUM.
ENQUANTO PARTE VAI PRA
CUCUIA
OUTRA PARTE VAI PRA
CANCUN


Cigarro


Todo dia a sorte
testar para relaxar,
provocando a morte!

Gilberto de Almeida
31/05/2012

A vida por um fio


Porque a vida
é ávida
por desafios,
o desafio da vida
a gente desfia
sem desafinar
a vida.

Gilberto de Almeida
31/05/2012


Ideal

Luis Fernando Verísssimo

Poema
ideal
é o
que
de cima para baixo e
de baixo para cima
quer dizer o mesmo
como este que
quer dizer o mesmo
de baixo para cima
de cima para baixo e
que
é o
ideal
poema.

Declaração de amor em vários sabores

(Luis Fernando Veríssimo)

VER-TE
- SÓ VER-TE! -
É SORVER-TE
COMO
UM
SORVETE

Luis Fernando Veríssimo - Sem Título II

Uma poesia
não é feita com palavras.
A poesia já existe.
A gente só põe as palavras em
volta para ela aparecer
- como as bandagens do
homem invisível, lembra?

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Penélope

(Christiana Nóvoa)

à noite teço
um véu de túneis no fim
do céu espesso

terça-feira, 29 de maio de 2012

Abraço e melodia


De que adianta um abraço
se a ternura não alça
as alturas do espaço
como em passos de valsa?

Se há afeição, o compasso,
na harmonia, realça 
a estreiteza do laço
e não há quem desfaça.

Eis o abraço que alcança
o andamento seleto
de exclusivo dueto;

musical aliança
em que o abraço podia
se tornar melodia.

Gilberto de Almeida
29/05/2012


segunda-feira, 28 de maio de 2012

soneto da boba da corte

(Christiana Nóvoa)

caí aqui de passagem
não tenho carro ou bagagem
vago com a cara e a coragem
de errar e seguir viagem

meu caminhar é ligeiro
num passo ando o mundo inteiro
não me troco por dinheiro
fabrico ouro verdadeiro

confesso que não venci
mas um dia fico rica
rica-de-marré-de-si

o universo está por vir
um verso meu é o que fica
e eu não estou nem aí

As sem razões do amor

(Carlos Drummond de Andrade)

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.