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sábado, 16 de junho de 2012

Natureza morta - I (ou As Quatro Extrações)


Vim ver no que dava
e hoje, ou tô no calorzinho 
ou tô na obra prima, vera,
que, no futuro... verão?





Gilberto de Almeida
16/06/2012

Vocábulo Perfeito

Procurei de todo jeito,
na cama e mesmo fora do leito;
senti o ar rarefeito
e certa dorzinha no peito,
mas, ainda não satisfeito,
até hoje, quando me deito,
o meu pensamento estreito
procura o vocábulo eleito
que rime com perfeito:
e o melhor que encontro é defeito.

Gilberto de Almeida
16/06/2012

Insuficiência dos Ditames da Razão contra o Poder de Amor

(Manuel Maria Barbosa Du Bocage)

Sobre estas duras, cavernosas fragas,
Que o marinho furor vai carcomendo,
Me estão negras paixões n’alma fervendo
Como fervem no pego as crespas vagas:

Razão feroz, o coração me indagas,
De meus erros a sombra esclarecendo,
E vás nele (ai de mim!) palpando, e vendo
De agudas ânsias venenosas chagas:

Cego a meus males, surdo a teu reclamo,
Mil objetos de horror co’a idéia eu corro,
Solto gemidos, lágrimas derramo:

Razão, de que me serve o teu socorro?
Mandas-me não amar, eu ardo, eu amo;
Dizes-me que sossegue, eu peno, eu morro.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Poesia onde não há via - II

(Mercedes Lorenzo)



Veja também no site da autora: http://mercedeslorenzo.com/galerias/poesia.html


Kundalini

(Christiana Nóvoa)

não sou santa
tenho buda
só descanso
em kama sutra


via dutra
quando alinha
minha espinha
aos chakras teus


é um deus
nos sacuda



Veja também no site da autora: http://www.novoaemfolha.com/2012/02/kundalini.html

Quadrilátero vicioso



Gilberto de Almeida
14/06/2012


desavenca

(Christiana Nóvoa)

a vida não espera
prima vera virou verão
a avenca já hera

do baralho

(Christiana Nóvoa)

há o gozo porém antes
pôr em ordem a ardência
do fogo


paciência não é um jogo
para principiantes

exorcismo

(Christiana Nóvoa)

lavro versos
curtos
como orações

palavras são legiões
de demônios
expulsos

corto advérbios
pronomes

poupo os pulsos

.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Onze haicais para as bailarinas



Amiga dançante:
na vida, gente querida;
no palco, brilhante!

Estica o joelho
reclina-se a bailarina
e enfrenta o espelho.

Num ato perplexo
menina que é bailarina
aplaude o reflexo...

Não há o que refresque!
Suor pra fazer de cor
do início, o arabesque!

Treinar a pirueta:
dureza criar leveza
duma borboleta!



Cadê a bailarina?
A nova? Estuda pra prova:
- fará medicina.

Foi lá na coxia
que o medo virou segredo
que mais ninguém via.

A segunda pele
do frio protege, com brio,
la danseuse trés belle.



Com pés quase em brasa,
menina, flor, bailarina,
no palco ela arrasa






Vou contar um causo:
- da peça o melhor começa
quando acaba o aplauso!


Vem do palco a flor
correndo e tanto querendo
um bouquet de amor


Gilberto de Almeida
13/06/2012