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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Mortal Loucura

(Gregório de Matos)

Na oração, que desaterra … a terra,
Quer Deus que a quem está o cuidado … dado,
Pregue que a vida é emprestado … estado,
Mistérios mil que desenterra … enterra.


Quem não cuida de si, que é terra, … erra,
Que o alto Rei, por afamado … amado,
É quem lhe assiste ao desvelado … lado,
Da morte ao ar não desaferra, … aferra.


Quem do mundo a mortal loucura … cura,
A vontade de Deus sagrada … agrada
Firmar-lhe a vida em atadura … dura.


Ó voz zelosa, que dobrada … brada,
Já sei que a flor da formosura, … usura,
Será no fim dessa jornada … nada.


Vaga vagalume (ou seja, se já sabe, não gagueja!)















Vaga vagalume; acende a noite imensa.
És tudo, estudo na eterna aprendizagem
de vida, devida (santa recompensa!),
por compor com porte humilde a tua imagem

que brada, quebrada, brilha, pisca e pensa
e apaga essa paz: e a paga é essa passagem!
Sobe soberano, altivo e sem licença;
desce desse ensaio à máxima voltagem!

Como comovente fada cintilante,
ouve ou vê quem cruza a noite, o vôo inquieto,
diz, traído, distraído, o triste inseto.

A vista avista na noite, a luz brilhante.
porém, por engano, ao vê-lo em mais aumento,
a cena! Acena a tristeza e o seu tormento!

Gilberto de Almeida
05/07/2012

Todo mundo feliz!

Está claro, então,
que o futebol é circo
pra quem não tem pão?

Gilberto de Almeida
04/07/2012


quarta-feira, 4 de julho de 2012

conjuntiva

(Christiana Nóvoa)

Foto: Christiana Nóvoa

  o exato
  momento
  do encontro
  :
  seu auto retrato
  em preto dentro
  do branco do olho
  do outro
  .


Veja também no site da autora: http://www.novoaemfolha.com/2012/01/conjuntiva.html








Poesia onde não há via - VII

(Mercedes Lorenzo)



Veja também no site da autora: http://mercedeslorenzo.com/galerias/poesia.html

Poesia onde não há via - VI

(Mercedes Lorenzo)



Veja também no site da autora: http://mercedeslorenzo.com/galerias/poesia.html




Poesia onde não há via - V

(Mercedes Lorenzo)



Veja também no site da autora: http://mercedeslorenzo.com/galerias/poesia.html

Cenas em um Shopping - I

A primavera
com seu sorriso florido
e seu vestido;

mãos dadas,
estampadas
a menina espera.



Gilberto de Almeida
04/07/2012


Cenas em um Shopping - II

Na escada rolante
desce a madame
elegante.

Semblante sério,
um falso império
de arame
cortante.

Gilberto de Almeida
05/07/2012


terça-feira, 3 de julho de 2012

Entre o sono e o sonho

(Fernando Pessoa - 11/09/1933)

Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.


Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.


Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.


E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre -
Esse rio sem fim.