O primeiro sinal da depressão
é a falta de inspiração...
Ou - se inspiração é mesmo o sopro divino -
Não seria o contrário?
Gilberto de Almeida
11/07/2012
Bem vindo! Você está convidado a relaxar e ler. Há aqui poemas meus e de autores consagrados, de que gosto. Você é livre para copiar os poemas deste Blog e utilizá-los sem fins comerciais. O uso comercial do conteúdo deste Blog não é permitido. Leia sem pressa e aproveite. Gilberto.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
terça-feira, 10 de julho de 2012
Cantigas Praianas - VIII
(Vicente de Carvalho)
Do que sofro sem queixar-me
Sois causa sem o supor:
Matais-me, e sois inocente,
Que eu espio unicamente
O crime do meu amor.
Matais-me; e é meu, e não vosso
Esse crime sem perdão,
O crime de um suicida
Que em sonhos esbanja a vida
Sabendo que sonha em vão.
Do que sofro sem queixar-me
Sois causa sem o supor:
Matais-me, e sois inocente,
Que eu espio unicamente
O crime do meu amor.
Matais-me; e é meu, e não vosso
Esse crime sem perdão,
O crime de um suicida
Que em sonhos esbanja a vida
Sabendo que sonha em vão.
Cantigas Praianas - IX
(Vicente de Carvalho)
Vida, que és o dia de hoje,
O bem que de ti se alcança
Ou passa porque nos foje,
Ou passa porque nos cança.
Ainda mesmo quando ocorrer
Na vida dos mais felizes,
O prazer florece e morre,
A magua deita raízes.
Tem alicerces de areia
O que constróes cada dia,
Vida que corres tão cheia
Para a morte tão vazia.
Haverá queixa mais justa
Que a do feliz que se queixa?
Ai, o bem que menos custa
Custa a saudade que deixa.
Vida, que és o dia de hoje,
O bem que de ti se alcança
Ou passa porque nos foje,
Ou passa porque nos cança.
Ainda mesmo quando ocorrer
Na vida dos mais felizes,
O prazer florece e morre,
A magua deita raízes.
Tem alicerces de areia
O que constróes cada dia,
Vida que corres tão cheia
Para a morte tão vazia.
Haverá queixa mais justa
Que a do feliz que se queixa?
Ai, o bem que menos custa
Custa a saudade que deixa.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Balada ao Canto Angelical
(Dedicada à amiga Shu Yi Yi)
Passava a noite em cantoria, eu sei,
Gilberto de Almeida
09/07/2012
Passava a noite em cantoria, eu sei,
em meio a tanta gente bem
amada,
de espírito elevado, e assim
pensei
que àquela noite não
faltava nada...
Foi quando, então, eu, pasmo,
despertei
de um sonho doce para um
doce encanto;
foi quando a melodia que
escutei
surgiu na voz divina do teu
canto.
Passava aquela noite como
um rei,
boa comida e música
animada,
a bela companhia que
levei
e assim pra mim, já não
faltava nada...
Foi quando, então, eu, pasmo, despertei
de um sonho doce para um
doce encanto;Foi quando, então, eu, pasmo, despertei
foi quando a melodia que
escutei
surgiu na voz divina do teu
canto.
Havia, aquela noite, uma
só lei:
- que a festa fosse linda,
açucarada!
Porém, a tua voz, como
contei,
serena, fez a festa,
abençoada!
Por isso, agradecido,
dediquei
uns versos poucos a
dizer o quanto
me sinto grato pelo que
escutei
na voz, na luz divina do
teu canto.
OFERTÓRIO:
Humilde, peço: aceita o que
te dei,
embora eu saiba disto:
que, no entanto,
por mais que eu tente
não conseguirei
retribuir o encanto do
teu canto!
Gilberto de Almeida
09/07/2012
domingo, 8 de julho de 2012
Velho Tema - V
(Vicente de Carvalho)
"Alma serena e casta, que eu persigo
Com o meu sonho de amor e de pecado,
Abençoado seja, abençoado
O rigor que te salva e é meu castigo.
Assim desvies sempre do meu lado
Os teus olhos; nem ouças o que eu digo;
E assim possa morrer, morrer comigo,
Este amor criminoso e condenado.
Sê sempre pura! Eu com denodo enjeito
Uma ventura obtida com teu dano,
Bem meu que de teus males fôsse feito".
Assim penso, assim quero, assim me engano...
Como si não sentisse que em meu peito
Pulsa o covarde coração humano.
"Alma serena e casta, que eu persigo
Com o meu sonho de amor e de pecado,
Abençoado seja, abençoado
O rigor que te salva e é meu castigo.
Assim desvies sempre do meu lado
Os teus olhos; nem ouças o que eu digo;
E assim possa morrer, morrer comigo,
Este amor criminoso e condenado.
Sê sempre pura! Eu com denodo enjeito
Uma ventura obtida com teu dano,
Bem meu que de teus males fôsse feito".
Assim penso, assim quero, assim me engano...
Como si não sentisse que em meu peito
Pulsa o covarde coração humano.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Eco a Narciso
(Christiana Nóvoa)
da teimosia de que eu peco … eco
do pensamento que me aturde … urde
como que por encanto surge … urge
a sua imagem que disseco … seco
se essa voz débil que re-clama … lama
fosse punhal que a vida amola … mola
veria no amor que descola … escola
portal da luz que a minha chama … ama
e se ouso erguer um edifício … difícil
sem ter pilar que me confirme … firme
que diga então meu frontispício … hospício
deixo ao espelho a contraparte … aparte
que agora preciso partir-me … ir-me
e espalharei por toda parte … arte
Veja também no site da autora:
http://www.novoaemfolha.com/2012/01/eco-a-narciso.html
da teimosia de que eu peco … eco
do pensamento que me aturde … urde
como que por encanto surge … urge
a sua imagem que disseco … seco
se essa voz débil que re-clama … lama
fosse punhal que a vida amola … mola
veria no amor que descola … escola
portal da luz que a minha chama … ama
e se ouso erguer um edifício … difícil
sem ter pilar que me confirme … firme
que diga então meu frontispício … hospício
deixo ao espelho a contraparte … aparte
que agora preciso partir-me … ir-me
e espalharei por toda parte … arte
![]() |
| John William Waterhouse - Eco e Narciso (1903) |
Veja também no site da autora:
http://www.novoaemfolha.com/2012/01/eco-a-narciso.html
Mortal Loucura
(Gregório de Matos)
Na oração, que desaterra … a terra,
Quer Deus que a quem está o cuidado … dado,
Pregue que a vida é emprestado … estado,
Mistérios mil que desenterra … enterra.
Quem não cuida de si, que é terra, … erra,
Que o alto Rei, por afamado … amado,
É quem lhe assiste ao desvelado … lado,
Da morte ao ar não desaferra, … aferra.
Quem do mundo a mortal loucura … cura,
A vontade de Deus sagrada … agrada
Firmar-lhe a vida em atadura … dura.
Ó voz zelosa, que dobrada … brada,
Já sei que a flor da formosura, … usura,
Será no fim dessa jornada … nada.
Na oração, que desaterra … a terra,
Quer Deus que a quem está o cuidado … dado,
Pregue que a vida é emprestado … estado,
Mistérios mil que desenterra … enterra.
Quem não cuida de si, que é terra, … erra,
Que o alto Rei, por afamado … amado,
É quem lhe assiste ao desvelado … lado,
Da morte ao ar não desaferra, … aferra.
Quem do mundo a mortal loucura … cura,
A vontade de Deus sagrada … agrada
Firmar-lhe a vida em atadura … dura.
Ó voz zelosa, que dobrada … brada,
Já sei que a flor da formosura, … usura,
Será no fim dessa jornada … nada.
Vaga vagalume (ou seja, se já sabe, não gagueja!)
Vaga vagalume; acende a noite imensa.
És tudo, estudo na eterna aprendizagem
de vida, devida (santa recompensa!),
por compor com porte humilde a tua imagem
que brada, quebrada, brilha, pisca e pensa
por compor com porte humilde a tua imagem
que brada, quebrada, brilha, pisca e pensa
e apaga essa paz: e a paga é essa passagem!
Sobe soberano, altivo e sem licença;
desce desse ensaio à máxima voltagem!
Como comovente fada cintilante,
diz, traído, distraído, o triste inseto.
Como comovente fada cintilante,
ouve ou vê quem cruza a noite, o vôo inquieto,
A vista avista na noite, a luz brilhante.
porém, por engano, ao vê-lo em mais aumento,
a cena! Acena a tristeza e o seu tormento!
Gilberto de Almeida
05/07/2012
Todo mundo feliz!
Está claro, então,
que o futebol é circo
pra quem não tem pão?
Gilberto de Almeida
04/07/2012
que o futebol é circo
pra quem não tem pão?
Gilberto de Almeida
04/07/2012
quarta-feira, 4 de julho de 2012
conjuntiva
(Christiana Nóvoa)
o exato
momento
do encontro
:
seu auto retrato
em preto dentro
do branco do olho
do outro
.
Veja também no site da autora: http://www.novoaemfolha.com/2012/01/conjuntiva.html
![]() |
| Foto: Christiana Nóvoa |
o exato
momento
do encontro
:
seu auto retrato
em preto dentro
do branco do olho
do outro
.
Veja também no site da autora: http://www.novoaemfolha.com/2012/01/conjuntiva.html
Assinar:
Postagens (Atom)

