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segunda-feira, 16 de julho de 2012

O Guardador de Rebanhos - IX

(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.


Poesia onde não há via - X

(Mercedes Lorenzo)



Veja também no site da autora:
http://mercedeslorenzo.com/galerias/poesia.html

Poesia onde não há via - IX

(Mercedes Lorenzo)



Veja também no site da autora:



Lápis



O poeta é um eterno apaixonado:
- se apaixona pela vida,
e por tudo que faz parte dela!
Mas o resultado dessa paixão
não é possível prever...




Hoje, por exemplo, me apaixonei por um lápis
e desandei a escrever!

Gilberto de Almeida
16/07/2012

Leveza

A leveza surge
no anseio de achar um meio,
se nada mais urge.

Gilberto de Almeida
16/07/2012


A Fé e a Esperança

(Vicente Galeano)

A angústia e o desespero hostil,
no peito, em descuidada dança,
na luta vã que não alcança
a paz, é insano desvario!
Porém, aquele que pediu
em prece (esplêndida esperança!)
encontra a fé e, ditoso, avança
a um mundo quedo e mais gentil...


Presbiopia

No mundo de hoje, eu sinto
uma certa aflição,
sinto uma agonia...

O mero ato de "cortar o ponto"
me parece uma castração...
Deve ser a presbiopia.

Gilberto de Almeida
15/07/2012

domingo, 15 de julho de 2012

Amor de Filha

(Vicente Galeano)

Abençoada seja a filha
que a gentileza à mãe dedica,
provando ao mundo que partilha
sincero afeto de alma rica.
O amor à mãe é justa trilha,
é jóia cara na botica
da filha honesta que se humilha
e ora a Deus, que a santifica!


sábado, 14 de julho de 2012

Borboletário

(A minha filha, Carolina)

Borboleta, amor,
É assombro pousar-te no ombro?
Não, posto que és flor!

Gilberto de Almeida
14/07/2012

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Amor de poeta


Que Deus livre as mulheres da imprudência
(e dor!) de um dia amarem um poeta.
O poeta vê, no amor, circunferência;
mulheres nele enxergam linha reta.

Os poetas têm, no amor, a reticência;
mulheres têm o ponto, enfim, a meta!
O amor que anelam sempre é evanescência;
mulheres querem fábula concreta.

Os poetas fogem fácil como o vento
(e voltam a seu mundo turbulento)
de tudo que os retém, que os paralisa!

Que Deus poupe as mulheres do tormento;
e o amor entregue, o poeta, como a brisa,
aos braços de improvável poetisa!

Gilberto de Almeida
13/07/2012