Pesquisar neste blog

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Aprendizado


Na lida urbana, certamente, surgirão
os desafios, no fluir da corredeira.
Mas a inquietude turbulenta a vida inteira
sufoca o senso indispensável da razão.

E nesse curso desvairado segue, então,
a massa urbana, entorpecida, à ribanceira.
Mas a resposta aos desafios, que requeira,
jamais consegue no rumor do turbilhão!

Porém (quem sabe?) o torvelinho da existência
possibilite singular aprendizado.
Talvez nos valha a tresloucada experiência

como aguilhão a perturbar-nos, eficaz,
e um dia o homem, mais vivido e mais cansado,
enfim perceba que é melhor viver em paz.


Gilberto de Almeida

18/07/2012, reescrito em 19/03/2019.


terça-feira, 17 de julho de 2012

Caridade

(Vicente Galeano)

A caridade, sempre atenta,
acolhe e cuida da ferida;
é como a mãe que, desnutrida,
dá ao filho o seio que amamenta;
a pele e osso, reduzida
já não tem forças (santa e benta!),
mas, mesmo enferma, ela alimenta
o florescer de nova vida.


Claustrofilia

Abstinência virtual
é, por fechar a janela,
sentir-se mal!

Gilberto de Almeida
17/07/2012

Natureza Viva

Existe uma flor

Vem o pássaro beija
flor
Vem outro e beija
flor
Mais um e beija
flor

A promiscuidade só existe na mente
de quem não beija
flor

Gilberto de Almeida
17/07/2012

Poema para uma Flor


Gilberto de Almeida
17/07/2012




Flores Azuis

Mais do que eu supus
a felicidade é simples:
são flores azuis.

Gilberto de Almeida
17/07/2012


segunda-feira, 16 de julho de 2012

O Guardador de Rebanhos - IX

(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.


Poesia onde não há via - X

(Mercedes Lorenzo)



Veja também no site da autora:
http://mercedeslorenzo.com/galerias/poesia.html

Poesia onde não há via - IX

(Mercedes Lorenzo)



Veja também no site da autora:



Lápis



O poeta é um eterno apaixonado:
- se apaixona pela vida,
e por tudo que faz parte dela!
Mas o resultado dessa paixão
não é possível prever...




Hoje, por exemplo, me apaixonei por um lápis
e desandei a escrever!

Gilberto de Almeida
16/07/2012