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sábado, 21 de julho de 2012

Misteriosa Amizade











A amizade

é uma ternura, é um carinho, sem nenhuma explicação
é a doçura com cominho (e uma pitada de açafrão?).
Quem procura de mansinho, mas não vê melhor razão
acha a cura, encontra o ninho, dentro dalgum coração.

E um amigo,

se contudo, por ciúme, ou  por cansaço
fica mudo, no negrume e perde espaço,
de veludo, faz o urdume e tece um laço

porque tudo se resume

                     no mistério de um abraço

Gilberto de Almeida
21/07/2012


sexta-feira, 20 de julho de 2012

Do Outro Lado

De baixo para cima,
num fulgor riscado
pela ponte estaiada,
a beleza mima
minha alma cardíaca,
extasiada!

A cintilar
dourados,
edifícios brilham
somente
para lembrar
que há, do outro lado,
o sol poente...

Gilberto de Almeida
20/06/2012


O Guardador de Rebanhos - XXXV

(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

O luar através dos altos ramos,
Dizem os poetas todos que ele é mais
Que o luar através dos altos ramos.

Mas para mim, que não sei o que penso,
O que o luar através dos altos ramos
É, além de ser
O luar através dos altos ramos,
É não ser mais
Que o luar através dos altos ramos.



Meta-soneto em redondilha menor


Quando a gente escreve
parte do que pensa,
quando alguém se atreve,
pouco lhe compensa;

tenta a escrita leve,
tenta a escrita densa,
tenta o que não deve,
sem pedir licença.

Quando, então, termina,
cada um se rende
ao que bem entende;

Eis a minha sina:
- tento ser sincero,
mas querer, não quero!

Gilberto de Almeida
20/07/2012



Amanhecer em Portofino


No amanhecer,
o vilarejo
encontra o mar
e dá-lhe um beijo.



Gilberto de Almeida
20/07/2012

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Sinfografia











Acaba de me ocorrer uma ideia...

Mozart escreveu quatro sinfonias
que o povo batizou,
dando-lhes o nome
da cidade de estréia:
- "Linz", "Paris" e "Praga"!

Até aí dá pra entender,
mas alguém pode me dizer
onde é que "Júpiter" estreou?

Nem me ocorre.

Gilberto de Almeida
19/07/2012

o antúrio


Foto: José Eduardo Agualusa

(Christiana Nóvoa)

naturezaviva ou morta
não importa

o que é do amor
aqui se corta
aqui se planta

a beleza
põe mesa pra janta
do jeito que flor




A Bailarina

(Cecília Meireles)

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá

Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.


A carreta



Gilberto de Almeida
19/07/2012


Crepúsculo em New York

Quais formiguinhas somos,
na escuridão.

A nossa trilha pomos
na contramão

da luz que brilha. Como?
na imensidão...

Gilberto de Almeida
19/07/2012