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sábado, 4 de agosto de 2012

Caiu na rede






Deitado na areia,
por cima do mar,
um peixe na rede.

O peixe é sereia
e fez-me pensar
se estava com sede!

Gilberto de Almeida
04/08/2012

Cor de âmbar















Quando acordei hoje. fui a Bragança Paulista. Parei na beira da estrada e comprei um vidro de mel.

Depois, enquanto a luz do sol entrava pelo chuveiro, com uma pinça de filatelia, coloquei a cidade de Londres dentro da garrafa.

Quando percebi, eu já estava lá dentro, lá na garrafa de mel, lá em Londres.
Procurei João, Miguel e Wendy e juntos saímos voando por aquele céu londrino, cor de Âmbar, rumo à Terra do Nunca.

Mais tarde fiquei me perguntando por que foi que tive que ir a Bragança Paulista comprar a garrafa de mel ao invés de simplesmente apanhá-la num raio de sol...

Gilberto de Almeida
04/08/2012

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O Guardador de Rebanhos - XXX

(Fernando Pessoa/Alberto Caeiro)

Se quiserem que eu tenha um misticismo, está bem, tenho-o.
Sou místico, mas só com o corpo.
A minha alma é simples e não pensa.
O meu misticismo é não querer saber.
É viver e não pensar nisso.

Não sei o que é a Natureza: canto-a.
Vivo no cima dum outeiro
Numa casa caiada e sozinha,
E essa é a minha definição.

Poder Criativo













Às vezes a gente para
diante da obra humana
- nosso coração dispara -
e admira contemplativo
aquilo que o homem faz.

...

Será que a vida prepara
uma surpresa bacana
em que essa virtude rara,
em que tal poder criativo
construa um mundo de paz?

Gilberto de Almeida
03/08/2012


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Pra que medalha?
















Para mim
a vida é como um atleta
que se prepara para a Olimpíada.

Nesse momento, ele não está competindo;
apenas busca melhorar,
melhorar-se.

Quanto mais preparado estiver,
mais pronto estará
para o que o espera
ao desembarcar.

Mas aí já é a morte,
e não houve medalhas!

Ferramenta de Deus

(Vicente Galeano)

Algum castigo, uma tormenta,

o sofrimento que aparece -
zombando, hostil, dalguma prece -
e a paz de espírito afugenta,
mais nada são que ferramenta
de Deus, tomado de benesse,
que nos redime e enobrece,
nos testa, molda e reinventa!


A árvore não é a floresta


















Gilberto de Almeida
02/08/2012




Oração de força e fé

(Raiça Bomfim)

Ilustração: Vânia Medeiros




















Posso olhar a cidade de frente e tentar compreender seus enganos
Posso recolher-me quando estiver fraca e voltar inteira e com mais fé
Posso escutar calada e falar a palavra prenhe de sentido
Posso correr para o mar e expandir as fronteiras de meus caminhos
Posso viajar pela estrada que leva a cada um de meus amigos
Posso rever minha rotina, minha rota, minhas crenças, refazer meus sonhos
Posso perder hoje, ganhar outro dia, dar e receber
Posso soltar o que me prende e aquilo que já não me pertence mais
Posso encontrar o tesouro que há tanto tempo eu havia escondido
Posso descobrir o que sou e o que de mim fará parte hoje e amanhã
Posso enxergar de onde vim, pra onde vou, e quem anda junto comigo
Posso agradecer quem me leva, quem me trouxe e quem desde mim seguirá
Posso inventar o amor pra que ele exista em todos os tempos
Posso conhecer minha casa e cuidar de seus cantos como de meu corpo
Posso pedir ajuda, pedir compreensão, oferecer guarida
O que eu não posso é ter medo da maldade
O que eu não posso é ter medo da vida


Veja também no Blog da autora:
http://raibomfim.blogspot.com.br/2012/06/oracao-de-forca-e-fe.html

Sabiá

Pensei que acabara, já,
aquela estranha agonia
que voltou a me visitar
ontem, durante o dia!

Mas para compensar
hoje veio me dar bom dia
um serelepe dum sabiá!

O que será que ele sabia?


Gilberto de Almeida
02/08/2012

Dois haicais perdidos no horizonte

I

Da abóbada terrestre
contemplo quem me contempla
na abóbada celeste...





II

Há o olhar que aquece,
sereno, meu mundo pequeno...
Agradeço em prece.

Gilberto de Almeida
02/08/2012