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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A mais bela manifestação de amor













I

A mais bela manifestação de amor que existe,
pelo menos que eu conheço agora, neste instante,
é o nascer do sol;

Pois diante dele, o mais apaixonado poema de amor,
seja de som, de pedra, de cores ou de palavras,
é reduzido a mera silhueta...

II

E a mais bela manifestação de amor que existe,
pelo menos que eu conheço agora, neste instante,
é o nascer do sol;

Porque, antes de tudo,
é um recado que Deus dá ao homem,
lembrando que, não importa quão escura tenha sido a noite passada,
de manhã acordaremos abençoados
por seu calor e por sua luz...

Gilberto de Almeida


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Compensação por uma separação litigiosa
















O prenúncio da morte é um sonho de paz...
À barqueira o que pede a barqueira
e as angústias ficaram pra trás!

Gilberto de Almeida
07/08/2012

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Nossa parte

Todos esses templos...
Cartilhas que mostram trilhas:
- conselhos e exemplos.

Gilberto de Almeida
06/08/2012

Desconstruindo o mundo















Tem uma brincadeira que eu faço
que é a brincadeira de desconstruir o mundo;
não este mundo que está aí,
porque não tenho informação para isso,
nem quero;
mas um mundo que aí estaria,
se eu o inventasse
com aquilo que sei.

Então, quando vejo uma bela paisagem,
com lago de águas límpidas refletindo a montanha
e o bosque de pinheirais,
logo imagino uma pedreira na montanha
e parte da montanha se vai.

Também imagino que as pedras que vieram dessa pedreira
construíram edifícios à beira do lago
- com muitas placas de aluga-se e de vende-se -
onde antes estavam os pinheirais,
que por sua vez viraram lenha, viraram mobília.

E os animais que habiitavam o bosque
foram comidos ou mortos,
ou se extinguiram ou se mudaram,

E indústrias apareceram no topo da montanha,
acima da pedreira, da ferrovia, da rodovia
e o céu se cobriu de monóxido de carbono
e os resíduos industriais foram despejados no lago.`

Na turbidez do céu já não se via estrelas,
nem mais se podia pescar no lago, onde os peixes já não estavam.
As águas que foram límpidas agora não refletiam
senão a devastação, pois eram como um lodo de esgoto e química.

E assim, esse mudo construído com o que eu sei,
num piscar de olhos eu desconstruo
e lá está a paisagem bela,
na verdade mais bela do que antes,
porque, com a minha brincadeira de desconstrução do mundo
eu cheguei a ver como ela seria, mas não foi.

Aí vem aquela sensação de amor ao mundo,
que, para continuar não sendo como seria,
depende de nós;
mas lá no fundo do meu coração eu sei que isso é mentira,
pois, para que aquele mundo não seja assim,
lá no fundo do peito eu sei, eu sinto,
que não depende de nós,
que depende de mim!

Gilberto de Almeida
06/08/2012

Um verso

Para se escrever tudo que se quer dizer, um verso é uma coisa muito pequena.
Melhor escrever um poema!

Gilberto de Almeida
06/08/2012

domingo, 5 de agosto de 2012

Salto sobre o cavalo

No salto sobre o cavalo,
nunca vi o cavalo,
acho que já vi o salto,

mas o que sempre vejo
é o anjo
voando
é o sobre.

Gilberto de Almeida
05/08/2012

Solidão
















Às vezes a solidão é uma benção,
uma pausa merecida no cotidiano tumultuado dos relacionamentos,
um tempo necessário para despertar na gente
um adormecido sentimento de paz.

Às vezes a solidão é uma benção,
um instante para botar ordem no mundo aflito dos sentimentos,
um tempo necessário para o mundo mostrar à gente
como é que ele se faz.

Às vezes a solidão é uma benção,
uma cessação da sensação de débitos, de cobranças, de tormentos,
um tempo necessário para andar na frente
e parar de correr atrás.

Gilberto de Almeida
05/08/2012.

Este poema participou do projeto "Aquele Poema". Clique aqui e veja.



sábado, 4 de agosto de 2012

Caiu na rede






Deitado na areia,
por cima do mar,
um peixe na rede.

O peixe é sereia
e fez-me pensar
se estava com sede!

Gilberto de Almeida
04/08/2012

Cor de âmbar















Quando acordei hoje. fui a Bragança Paulista. Parei na beira da estrada e comprei um vidro de mel.

Depois, enquanto a luz do sol entrava pelo chuveiro, com uma pinça de filatelia, coloquei a cidade de Londres dentro da garrafa.

Quando percebi, eu já estava lá dentro, lá na garrafa de mel, lá em Londres.
Procurei João, Miguel e Wendy e juntos saímos voando por aquele céu londrino, cor de Âmbar, rumo à Terra do Nunca.

Mais tarde fiquei me perguntando por que foi que tive que ir a Bragança Paulista comprar a garrafa de mel ao invés de simplesmente apanhá-la num raio de sol...

Gilberto de Almeida
04/08/2012

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O Guardador de Rebanhos - XXX

(Fernando Pessoa/Alberto Caeiro)

Se quiserem que eu tenha um misticismo, está bem, tenho-o.
Sou místico, mas só com o corpo.
A minha alma é simples e não pensa.
O meu misticismo é não querer saber.
É viver e não pensar nisso.

Não sei o que é a Natureza: canto-a.
Vivo no cima dum outeiro
Numa casa caiada e sozinha,
E essa é a minha definição.