Pesquisar neste blog

sábado, 11 de agosto de 2012

Por do sol na Sicília













A beleza só existe
porque há pessoas abençoadas.

Abençoado é aquele que consegue ver a beleza em algum lugar;
que vê o por do sol e acha belo,
que percebe as cores e os contrastes,
e enxerga a beleza apenas e tão somente
porque ela está lá,
porque o lugar existe.

Abençoada é esta pessoa porque sem ela
a beleza não está lá:
só o lugar existe.

Gilberto de Almeida
11/08/2012

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Tobogã Invertido

invertido.
num tobogã
ascendendo sempre
Tudo que vejo é o caminho
existem, mas eu não consigo ver!
os tais dos baixos da vida; que dizem,
que não faz mesmo sentido, que existam
se não nos amasse mais. Por isso é que não,
e que Ele nos amava tanto quanto nossos pais,
e nos disseram, mesmo, que somos os seus filhos
Deus é misericordioso e, assim não permite o mal;
porque segundo disseram os que sabem as religiões,
O que faz sentido, mesmo, é não existirem os baixos,
além dos altos haveria os baixos, e isso não faz sentido.
se os altos e baixos da vida fossem realmente altos e baixos
mas percebi que os altos e baixos da vida, não são altos e baixos;
eu quiz escrever um poema que dissesse sobre os altos e baixos da vida,


Gilberto de Almeida
10/08/2012




Poemas Inconjuntos - I

(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

Paz no lar

"Almoço em família "- Óleo sobre Madeira - Dario Mecatti

Nós sabemos, não se deve,
permitir que a paz no lar
se perturbe, nem de leve,
por quem vive a reclamar.

Reclamar, mesmo que breve
posição de contestar
é atitude que descreve
rebeldia liminar.

Sim, lhe peço: a hora é essa!
Não reclame - irei propor! -
não critique, apenas peça

pois, no lar, se existe amor,
o equilíbrio (a paz!) começa
num humilde "por favor".

Gilberto de Almeida
10/08/2012

Brumas em Bérgamo















As brumas, que sempre contam
a história dalgum segredo,
em mim já não mais encontram
aquele em que metem medo.

As brumas do anoitecer
- por isso é que metem medo -
pra mim, elas devem ser
as mesmas que vejo cedo!

Gilberto de Almeida
10/08/2012

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Brinquedo

(Clara - Maria - Mantelli)

Brilha minha estrela guia
Bem dentro do teu olhar.
Saiba que o calor esfria
Minhas mãos sem hesitar...

Meu sentimento é verdade,
Porisso te tenho medo,
Se resolveres um dia
Que queres outra Maria,
Fazendo-me de brinquedo.


Mais fácil



Gilberto de Almeida
09/08/2012



O Guardador de Rebanhos - IX

(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.

Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

O Pescador de sonhos




O pescador de sonhos sobe à proa,
feliz ao navegar, que o mar é lindo!
A mente, arrebatada, se povoa
de luzes formidáveis, lhe sorrindo!

Se pesca um sonhador, logo lhe ecoa
no peito, a gratidão ao Todo Infindo,
e, pronto, põe-se às ordens, já se doa
ao novo pescador que vai surgindo.

São dois que agora lançam suas iscas
de amor, e novas almas, mais ariscas,
dispõem-se a juntar mãos na pescaria.


E o novo sonhador logo irradia

a luz que conquistou e que o define
até que toda noite se ilumine.


Gilberto de Almeida

09/08/2012


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Allegro

(Vinicius de Moraes)

Sente como vibra
Doidamente em nós
Um vento feroz
Estorcendo a fibra

Dos caules informes
E as plantas carnívoras
De bocas enormes
Lutam contra as víboras

E os rios soturnos
Ouve como vazam
A água corrompida

E as sombras se casam
Nos raios noturnos
Da lua perdida.