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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Barcelona


Esta cidade
vista de cima
é de uma paz,
de uma verdade
que não se faz
só com pessoas.
 
Vejo os telhados
iluminados...
Vejo algo acima
que nos perdoa!
 
Gilberto de Almeida
06/09/2012
 

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A Chocolateria

 
 
No meio do caminho tinha uma chocolateria
tinha duas bonbonnières no meio do caminho
tinha uma cafeteria
no meio do caminho tinha uma confeitaria!
 
E eu tinha que passar reto!
 

Gilberto de Almeida
05/09/2012

Paródia de: No meio do Caminho (Carlos Drummond de Andrade)
 

Noss'alma

(Vicente Galeano)

Ninguém na vida me convence
que alguém existe que 'inda possa
tirar-me o bem que me pertence!
Tem gente até que se destroça
se perde um pouco do que tem; [se]
a vida, de algo, os desapossa!
Mas haverá algum pertence?
- não basta a alma, que é, já, nossa?


Poemas Inconjuntos - IX

(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

Tu, místico, vês uma significação em todas as cousas.
Para ti tudo tem um sentido velado.
Há uma cousa oculta em cada cousa que vês.
O que vês, vê-lo sempre para veres outra cousa.

Para mim, graças a ter olhos só para ver,
Eu vejo ausência de significação em todas as cousas;
Vejo-o e amo-me, porque ser uma cousa é não significar nada.
Ser uma cousa é não ser susceptível de interpretação.

Poemas Inconjuntos - VIII

(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

Ontem o pregador de verdades dele
Falou outra vez comigo.
Falou do sofimento das classes que trabalham
(Não do das pessoas que sofrem, que é afinal quem sofre).
Falou da injustiça de uns terem dinheiro,
E de outros terem fome, que não sei se é fome de comer,
Ou se é só fome da sobremesa alheia.
Falou de tudo quanto pudesse fazê-lo zangar-se.

Que feliz deve ser quem pode pensar na infelicidade dos outros!
Que estúpido se não sabe que infelicidade dos outros é deles,
E não se cura de fora,
Porque sofrer não é ter falta de tinta
Ou o caixote não ter aros de ferro!

Haver insjustiça e como haver morte.
Eu nunca dari um passo para alterar
Aquilo a que chamam a injustiça do mundo.
Mil passos que desse para isso
Eram só mil passos.
Aceito a injustiça como aceito uma pedra não ser redonda,
e um sobreiro não ter nascido pinheiro ou carvalho.

Cortei a laranja em duas, e as duas partes não podia ficar iguais.
Para qual fui injusto - eu, que vou comer a ambas?


Poesias da Vida - XI

(Juliana Paula Landim)

Em tempo de jogos olímpicos
minha vida tem sido
mais como uma prova
de quatrocentos metros com barreiras
do que de cem metros rasos!

Ainda bem!

Se minha vida não tivesse obstáculos,
eu teria que criá-los!



Profissão de Fé

(Olavo Bilac)

Não quero o Zeus Capitolino
Hercúleo e belo,
Talhar no mármore divino
Com o camartelo.



Glicínia



A trepadeira é liberta!
Sem nem dar bola pra gente,
sai pela porta da frente
só para viver de ar!
 
A trepadeira é liberta!
Pois jamais fica com sede;
mas sobe pelas paredes,
procurando se encontrar!
 
A trepadeira é liberta!
Leva a vida com franqueza,
enche o mundo de beleza
e continua a trepar!
 
Gilberto de Almeida
05/09/2012

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Poesias da Vida - X

(Juliana Paula Landim)

Cone de sinalização caído
na Radial Leste
não é poesia!

Mas motoboy, que eu vi,
reerguendo o cone de sinalização
é poesia
pra cacete!

Porque mostra que a cidadania
é capaz de sobreviver
mesmo dentro dum capacete!

Poesias da Vida - IX

(Juliana Paula Landim)

Existe poesia
nas maluquices do dia a dia.

Hoje eu andava pela faixa da direita com muito cuidado;
mas como não estivesse disposta
a ficar exposta
à lentidão gutural do trânsito,
dei seta!

Passou uma motoclisseta!
À doida, passou-me ao lado
Zunindo!

Entre as faixas dos carros!
Mas o que foi um sarro
é que o motoclissista
não era qualquer vigarista;

era um marronzinho!