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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Caleidoscópio perfeito!




 

















Quando te tinges de amor,
de amor me tinjo também
e emprestamos cada cor
desse amor pra mais alguém.

Agora já somos três
nessa imagem refletida;
cada um na sua vez,
tocando mais uma vida.

E avançando, de elo em elo,
é assim que o amor dá seu jeito
de expressar-se no mais belo
caleidoscópio! Perfeito!

Gilberto de Almeida
11/09/2012

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Autocardiografia

O poeta é um amador.
E ama tão completamente
que chega a encher de amor,

o amor que se enche da gente.

E esse amor que, então, se atreve,
sem pedir, a amar alguém,
ama o amor que ele já teve,
ama o amor que ele não tem.


E o poeta, assim, dá corda
a uma grande confusão;

põe direitinho na roda
o seu próprio coração!


Gilberto de Almeida
10/09/2012

Paródia de: Autopsicografia (Fernando Pessoa)

 

A benção do perdão

(Vicente Galeano)

Se, injustiçado, for alguém
punido ou acusado em vão

pela maldade ou for refém
de astúcia e ingrata traição,
ainda assim tal homem tem
a seu dispor recurso tão
sublime que redunda em bem
divino: a benção do perdão!


Acordar, viver

(Carlos Drummond de Andrade)

Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.

Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?

Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?

Ninguém responde, a vida é pétrea.

Poesias da Vida - XII

(Juliana Paula Landim)

Ontem tinha um careca
engravatado
(não sei por quê, mas não simpatizo com carecas engravatados!)
tocaiando as pessoas que saíam da padaria.

E tinha um senhor simpático
engravatado
tocaiando na outra saída.

Eu sentada
chupando,
infelizmente,
um picolé,
observava tudo.

Ninguém queria o bendito escritório comercial
que os dois queriam vender.

Veio um casal,
recusou;
o senhor simpático agradeceu!

Veio um outro casal:
- o rapaz recusou;
- a justificativa eu não consegui ouvir;
- o careca engravatado - depois que o rapaz se virou de costas - mostrou o dedo do meio.

Onde está a poesia nisso?
Talvez em imaginar o careca enfiando o dedo do meio em um de seus orifícios próprios!
 (agora eu sei muito bem por quê! Não simpatizo com carecas engravatados!)

O Pastor Amoroso - I

(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo...
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Reilgiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida r próxima...
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor -
Tu não me tiraste a Natureza...
Tu mudaste a Natureza...
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mmim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.

Homenagem a Petersburgo


 
Petersburgo, Leningrado, Gorbachev, Kasparov; teve outubro, mal passado e, em novembro, os Romanov; o absurdo, o monstro humano, cerco insano, fome e saque; os franceses, os germanos, a soberba, a queda e o baque; o gigante vive ao norte, vive a fome, come a morte; catedral de luzes fortes sobrevive a todo ataque; Perestroika, vida heroica, e uma igreja para Isaque; obra humana que se preste se confunde co'a celeste; Petersburgo, Leningrado, Gorbachev, Kasparov; Perestroika, vida heroica, convencido ou quer que prove?
 
Gilberto de Almeida
10/09/2012
 
 

domingo, 9 de setembro de 2012

Cinco haicais em Mykonos


 
Há um certo sossego...
Respeita aquele que deita
à luz do céu grego!
 
A foto é a graça
de Kronos, pois em Mykonos
o tempo não passa!
 
Até a Deusa Athena,
na Grécia, se esquece da pressa
ao ler um poema!
 
Se há Deusas gregas,
sumiram mas não fugiram;
e nem foram pegas!
 
Se tem peripécia
pra achar um canto pra amar,
não tem lá na Grécia!
 
Gilberto de Almeida
09/09/2012
 
 


sábado, 8 de setembro de 2012

Três bangalôs


Eu tive um bangalô de três andares;
de três andares, tive um bangalô.
Três bangalôs, um céu, três patamares,
e a vida, nenhum deles me deixou.

Três bangalôs, três doces, três pomares,
"Profiterole", "Éclair", "Petit gateau"!
Minhas estrelas (luzes!), meus pulsares
a vida, inexorável, confiscou!

E agora, minha casa, meus lugares
são todos os lugares onde estou,
no entanto, já sem fulcro e sem pilares,

porque os que eu tinha a vida derrubou!
Porém, na luz sutil dos Teus olhares,
tentei reconstruir meus bangalôs!

Gilberto de Almeida
08/09/2012




sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Por trás da sacada

Por trás da sacada,
por trás das cortinas
está minha amada;
por trás das retinas...

Por trás da morada,
me traz, das meninas,
as luzes, deitada,
de amor, cristalinas!

E, sonha, tão bela,
sair, na alvorada,
banhada de amores.

E vai à janela
regar, dedicada,
seu mundo de flores!

Gilberto de Almeida
07/09/2012