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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Poeminha mini animalista absolutamente insignificante sobre um pequeníssimo assunto de moral zero!

Tá certo que o troço tá feio,
mas pra que deixar ficar russo, manno?

Gilberto de Almeida
17/09/2012

Pêndulo


Gilberto de Almeida
16/09/2012
 
 

Em arcos azuis



 
 

 
Gilberto de Almeida
17/09/2012
 
 

sábado, 15 de setembro de 2012

Com Alberto, num jardim de Magnólias


Não é o mais comum. Preferimos passear a pé. Mas nessa tarde eu havia alugado um carro na Carolina do Sul e passeava com Alberto na maleta. Para que ele pudesse apreciar melhor a paisagem - que ele tanto gosta - insisti para que sentasse no banco dianteiro.

Sempre passeio com tranquilidade, o que me permite admirar melhor a verdade do mundo ao meu redor. Por assim fazer é que reparei, à direita, mais perto do assento do Alberto, na existência daquele jardim singelo, mas ao mesmo tempo raro.

Estacionei e ficamos contemplando. À esquerda uma fileira de troncos nascia do chão e subia, encurvando-se por cima do caminho gramado até tocar, na outra ponta da curvatura de seus galhos, o jardim de Magnólias. Formavam-se arcos que davam à paisagem o aspecto de um túnel. Sem dúvida, um túnel de árvores e flores, uma passagem da natureza, pela natureza. Eu quase conseguia, tomado por essa beleza, vislumbrar gnomos e outros seres fantásticos andando por aquela passagem.

Assim estava eu, entretido pela imaginação e esquecido do tempo, quando Alberto (o que não é seu costume) interrompeu meu pensamento:

- O que nós vemos das cousas são as cousas. - disse ele. - Vós, místicos, que gostais de vos iludir, é que enxergais o que não há. Esses troncos são arcos, e são belos por serem troncos e por serem arcos. E as flores, por serem flores. A beleza que existe, aí está. E vós não precisais aumentá-la, como se bela não fosse.

Disse isso apenas, como se fosse tudo que eu precisasse ouvir, e calou-se.

Desconcertado, calei-me também. No dia seguinte, não levei o Alberto comigo!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

a arrebentação

e a água do mal
a ir e vir
me cansa

alquímica dança
que revolve
o meu sal

lacrimal pedra viva
que me vinga
e coagula

a saliva que solve
o meu elixir
na sua língua

Veja também no site da autora:
http://www.novoaemfolha.com/2012/09/a-arrebentacao.html

a barganha

troque sua cara
por um par
de óculos caros

troque seus dois pés
por um bom carro

troque suas tetas
por funis
de silicone

troque seus dois olhos
por fuzis
e um i-phone


Veja também no site da autora:
http://www.novoaemfolha.com/2012/09/a-barganha.html

O Pastor Amoroso - III

(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma cousa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas  se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

A Maior Festa que há na Vida

(Vicente Galeano)

Se nossa roupa preferida
trocamos por roupa de festa,
por que motivo se protesta
quando o nosso Pai nos convida,
e a um canto, se larga esquecida
a roupa que já não nos presta,
pois vamos, após vida honesta,
à festa maior que há na vida?

Pintura abstrata!


Isso não é bom, nem é ruim.
Foi o autor que fez assim!
 
O universo é como pintura abstrata!
A mesma tela está à disposição de todos,
mas cada um enxerga
somente as cores e as imagens
que a vida o preparou para ver.
 
E isso não é bom, nem é ruim
Foi o Autor que fez assim!
 
Gilberto de Almeida
14/09/2012



Com Alberto, na Aquitânia

Estávamos eu e Alberto a passeio pela Dordonha. Mas como nada sei sobre departamentos, digo que estávamos no sul da França, na região da Aquitânia; era lá que estávamos.

Naquele dia, passeávamos a pé, nas proximidades da capital, Périgueaux. É claro que não é praticável realizar uma longa caminhada com o Alberto na maleta - como costumo fazer quando estou a trabalho. Por isso, naquele dia, eu que estava de férias, simplesmente coloquei o Alberto no bolso e saí para caminhar.

Ao passarmos por determinado vilarejo; na verdade, após já termos passado pelo pórtico de entrada, disse eu ao Alberto (já conhecendo meu amigo, no entanto, tomei o cuidado para não me apegar a interpretações e simbolismos):

- Você viu, Alberto, aquele portal por que passamos? Reparou nas cores? Nas pedras azuladas, esverdeadas, acinzentadas, róseas? Viu a luminária que lhe conferia um charme especial? (eu estava tão entusiasmado que não parava de tagarelar!)

- Para ser honesto - respondeu o Alberto - acredito nas cousas que estás a dizer. Que são verdades. E até mesmo existe memória em mim sobre o que estás a me falar. Mas ela é pequena. Peço-te desculpas. É que estás a contemplar o que já passou e eu me ocupo de observar a beleza deste outro lado.

E eu fiquei pensando que havia algo mais nesse meu amigo Alberto, que simplesmente ser um contemplador da natureza...

Gilberto de Almeida
14/09/2012