Nada como uma mesa posta, no café da manhã de domingo, para estimular um bate-papo.
Alberto se sentara numa das cadeiras da sala e conversávamos sem pressa, como aliás deveria ser toda boa conversa.
Eu contava a respeito de um sonho que tivera. Havia sido um sonho muito nítido, o mais nítido de toda minha vida, com sensação, mesmo, de realidade: nesse sonho eu estava numa espécie de biblioteca, onde várias pessoas circulavam calmamente. No alto de uma escadaria, estavam duas pessoas. Eu, distraído, percebia que lá estavam essas pessoas, mas não me atentei para suas identidades.
Quando olhei detidamente para essa escadaria, percebi que a pessoa de trás era minha mãe. Sua imagem era tão nítida e verdadeira como se ainda estivesse viva. Eu, entusiasmado por reencontrá-la, pois já fazia alguns anos que eu não a via viva, gritei lá de baixo, eufórico:
- Oi, mãe!
E lembrei-me de ter pensado, durante o sonho, como quem está acordado pensaria: " - mas, você não morreu? Como posso estar falando com você?"
- Oi, filho! - Ela respondeu, e sorriu.
Contei ao Alberto que, depois que acordei, eu não havia percebido imediatamente o significado daquele sonho. Mas pouco depois, pareceu ficar claro que minha falecida mãe aparecera para mim em sonho, com um único objetivo: indicar um livro, na parte de cima de sua biblioteca particular, que gostaria que eu lesse! Pronto! Estava desvendado o mistério!
Alberto, que ouvia pacientemente, e que não concorda que as coisas tenham significado, disse apenas, com uma benevolência maior que de costume:
- Não poderia ser que amasses muito tua mãe, a ponto de sonhares com ela ainda hoje? Não poderia ser apenas isso? Apenas um sonho?
Ninguém mais disse nada até terminarmos o café. Depois me levantei, deixei o Alberto sentado por alguns instantes, fui até a biblioteca da casa de minha mãe e tomei um livro para ler, que se encontrava na parte superior esquerda da estante do meu sonho.
Gilberto de Almeida
23/09/2012
Bem vindo! Você está convidado a relaxar e ler. Há aqui poemas meus e de autores consagrados, de que gosto. Você é livre para copiar os poemas deste Blog e utilizá-los sem fins comerciais. O uso comercial do conteúdo deste Blog não é permitido. Leia sem pressa e aproveite. Gilberto.
domingo, 23 de setembro de 2012
sábado, 22 de setembro de 2012
A voar!
Havia aquelas ondas a produzir espuma branca
ao se quebrarem na imensidão do céu azul.
Daqui de baixo,
estatelado na espreguiçadeira,
na beira da piscina,
na beira do mar,
eu e os peixes estávamos
a voar!
Gilberto de Almeida
22/09/2012
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Recomeçar
(Vicente Galeano)
Começar de novo é o processo
de trabalhar da natureza!
Se tropeçamos por fraqueza,
mais força a Deus, humilde, eu peço!
Pois toda falha é luz acesa
por sobre a estrada do progresso
e a nova chance é um ato expresso
da mais divina gentileza!
Começar de novo é o processo
de trabalhar da natureza!
Se tropeçamos por fraqueza,
mais força a Deus, humilde, eu peço!
Pois toda falha é luz acesa
por sobre a estrada do progresso
e a nova chance é um ato expresso
da mais divina gentileza!
Mato a cobra!
Tem político que fica fulo
com quem os não bajula:
- Mato a cobra e voto nulo!
Gilberto de Almeida
21/09/2012
com quem os não bajula:
- Mato a cobra e voto nulo!
Gilberto de Almeida
21/09/2012
Que horas são?

- Que horas são? - me perguntaste:
- Cinco troncos para uma Capela!
Te quedaste triste e vago...
- Mas será que não há um atalho? Não dá pra quebrar um galho?
- Só se fores pelo lago!
Tu, que não sabias nadar, me tornaste a perguntar:
- Que horas são? - assim falaste:
- Quatro troncos para uma capela! Segue em frente que a vida é bela!
Gilberto de Almeia
21/09/2012
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Terra, ar, água e fogo
Terra, ar, água e fogo,
os quatro elementos da vida!
Não tenho esse lado de druida
que pensa que a vida é um jogo!
Terra, ar, água e jogo,
mas não haverá despedida!
Não tenho esse lado suicida
que pensa que a vida é fogo!
Gilberto de Almeida
20/09/2012
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Chefão Mafioso e Chefoso Mafião
Chefão Mafioso e Chefoso Mafião
eram ambos candidatos
naquela mesma eleição.
As proposta - sem me estender -
era fartar a malandragem,
a cada nova pilhagem,
com o que pudesse beber.
Mas todos sabiam dos fatos,
o que muito apavorava:
- um que tomava tudo
e matava tua família;
outro a família matava
e tudo a ti, te tomava!
E o que a tal jagunçada
do esquema vil e maroto
dizia, pra não falar muito,
era abusada ironia:
- que toda a rapaziada
tinha o direito do voto!
Mas quem não votasse, morria!
E pra quem acha que isso é pouco,
a grande loucura jazia
em ter que votar no louco
que um dia o mataria!
Gilberto de Almeida
19/09/2012
eram ambos candidatos
naquela mesma eleição.
As proposta - sem me estender -
era fartar a malandragem,
a cada nova pilhagem,
com o que pudesse beber.
Mas todos sabiam dos fatos,
o que muito apavorava:
- um que tomava tudo
e matava tua família;
outro a família matava
e tudo a ti, te tomava!
E o que a tal jagunçada
do esquema vil e maroto
dizia, pra não falar muito,
era abusada ironia:
- que toda a rapaziada
tinha o direito do voto!
Mas quem não votasse, morria!
E pra quem acha que isso é pouco,
a grande loucura jazia
em ter que votar no louco
que um dia o mataria!
Gilberto de Almeida
19/09/2012
A Imensidão da Alma
(Vicente Galeano)
A nossa mente é uma janela
aberta, que se traz à palma
da mão, inquieta sentinela!
A mente, hei de limpar com calma
do pensamento que a esfacela,
da angústia, do rancor, do trauma,
e espero revelar mais bela
que a mente, a imensidão da alma.
A nossa mente é uma janela
aberta, que se traz à palma
da mão, inquieta sentinela!
A mente, hei de limpar com calma
do pensamento que a esfacela,
da angústia, do rancor, do trauma,
e espero revelar mais bela
que a mente, a imensidão da alma.
Cenas em um Shopping - IX
Desta vez veio o troco!
Foi um rapaz que me abordou:
- Já pegou seu brinde, professor?
(eles sempre têm uma maneira de acariciar ego da presa!)
E já me foi entregando dois exemplares de revistas.
Abordado de surpresa, eu não tinha estratégia.
Como que para fugir (ou fugindo, mesmo),
no ritmo ágil em que andava,
peguei as revistas e continuei!
Ele dizia qualquer coisa sobre eu me dirigir não sei para onde...
Enquanto meu cérebro atordoava e procurava um meio de agir,
me livrei da revista de cima para poder ver a de baixo:
- Mas aqui tem uma mulher pelada!
(eles sempre estão preparados para a sedução!)
Mas eu, como sou vacinado,
e não adoeço de sedução espúria,
resolvi fugir da brincadeira!
- Não, não quero!
E devolvi o produto! O produto...
O sujeito ficou me olhando como se tivesse visto um extra-terrestre!
Suspeito que tinha!
Gilberto de Almeida
19/09/2012
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