(Juliana Paula Landim)
Me dá um biju?
Sempre tive vontade de pedir, mas não pedi!
O homem que vende, está no mesmo semáforo há uns vinte anos.
A mesma camisa xadrez azul e branca,
A mesma boina acinzentada,
A mesma cara de bravo.
Mas vejo simpatia nele.
Trabalha de sol a sol, como eu! Me identifico!
Deve ter mulher, filhos pra cuidar.
Só que eu já mudei de emprego três vezes.
Ele continua lá. Firme! Admiro!
Deve ser um bom emprego.
Não tem chefe,
Não tem rádio pião,
Não tem cobrança,
E ele conseguiu ficar vinte anos.
Passou por mim com a mesma cara de bravo.
De repente bateu um sentimento de tristeza...
O semáforo abriu.
Me dá um beiju?
Fiquei com vontade de pedir, mas não pedi.
Bem vindo! Você está convidado a relaxar e ler. Há aqui poemas meus e de autores consagrados, de que gosto. Você é livre para copiar os poemas deste Blog e utilizá-los sem fins comerciais. O uso comercial do conteúdo deste Blog não é permitido. Leia sem pressa e aproveite. Gilberto.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Haicais acrósticos - Série "PAZ"
P ensar em mais nada
A lém de viver alguém
Z anzando na estrada...

P eço a gentileza:
A presse a força da prece,
Z erando a braveza!
P elo vento brando
A usente, o barco consente,
Z iguezagueando...

P ermito ilusões
A trás de um sonho de paz,
Z ebras com leões.
P orém eu duvido
A ssaz, que a força é a paz
Z unindo no ouvido!

P az é sensação
A amena, boa, serena e
Z en, de aceitação.
P az bem pode ser
A cama, usando pijama
Z ebrado... e esquecer...
Gilberto de Almeida
07/11/2012
O Guardador de Rebanhos - V
(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)
Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que ideia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.
Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas,
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?
"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.
Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.
O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda hora.
Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que ideia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.
Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas,
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?
"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.
Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.
O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda hora.
Hoje acordei na boca do inferno
Hoje acordei na boca do inferno
quando vi que meu irmão
jogaria os cristãos infames
às garras dos leões!
Hoje acordei na boca do inferno
quando vi que meu irmão
julgaria
condenaria
e atiraria a primeira pedra!
Hoje acordei na boca do inferno
quando vi que meu irmão
fazia parte da turba
que, frenética,
ansiava por participar
do linchamento!
Hoje acordei na boca do inferno
quando vi que meu irmão
aderia à inquisição
queimando bruxas na fogueira!
Hoje acordei na boca do inferno
quando vi que meu irmão
alistou-se no batalhão,
e fazia escalpos,
não fazia prisioneiros...
Hoje acordei na boca do inferno
quando vi que meu irmão
bebia do cálice do ódio
se vestia de justiceiro
e desconhecia o perdão!
Gilberto de Almeida
07/11/2012
quando vi que meu irmão
jogaria os cristãos infames
às garras dos leões!
Hoje acordei na boca do inferno
quando vi que meu irmão
julgaria
condenaria
e atiraria a primeira pedra!
Hoje acordei na boca do inferno
quando vi que meu irmão
fazia parte da turba
que, frenética,
ansiava por participar
do linchamento!
Hoje acordei na boca do inferno
quando vi que meu irmão
aderia à inquisição
queimando bruxas na fogueira!
Hoje acordei na boca do inferno
quando vi que meu irmão
alistou-se no batalhão,
e fazia escalpos,
não fazia prisioneiros...
Hoje acordei na boca do inferno
quando vi que meu irmão
bebia do cálice do ódio
se vestia de justiceiro
e desconhecia o perdão!
Gilberto de Almeida
07/11/2012
O mar e a pedra
Ela era durona, Não se impressionava. Manteve-se calada...
- Eu venho e ... CABRUUUUM!
Ela no silêncio...
- Eu venho e ... CABRUUUUM!
Ela, impaciente, decidiu, por fim, falar:
- Deixa de onda!
Ele, insistente:
- Eu venho e ... CABRUUUUM!
- Me faz cócegas!
- Eu venho e ... CABRUUUUM!
- Você só faz espuma!
- Eu venho e ... CABRUUUUM!
- Você só quer tirar uma casquinha!
Ele recuou...
Pensou um pouco e disse:
- Você não me conhece direito!
Só vê a superfície.
Sou mais profundo que isso!
Mas ela, como sempre, foi durona:
- Pensa que eu não leio o seu blogue?
Pensa que eu não sei que esta semana mesmo
você estava de ressaca
por causa dalguma palmeira?
CABRUM!
Gilberto de Almeida
07/11/2012
Parodiando Bons Ventos (Eu mesmo)
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Precordialgia
Pessoas que se amam
têm seus corações unidos
por uma corda invisível.
Invisível e curta.
Invisível e inelástica.
Quando estão longe uma da outra,
essa corda invisível que amarra os corações
repuxa
e dói!
Gilberto de Almeida
06/11/2012
têm seus corações unidos
por uma corda invisível.
Invisível e curta.
Invisível e inelástica.
Quando estão longe uma da outra,
essa corda invisível que amarra os corações
repuxa
e dói!
Gilberto de Almeida
06/11/2012
Resgate na Mina de San Esteban
(À equipe de resgate, em San Estaban, no Chile)
No meio da pedra tinha um caminho
tinha um caminho no meio da pedra
tinha um caminho
no meio da pedra tinha um caminho.
Nunca me cansarei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão descansadas.
Nunca me esquecerei que no meio da pedra
tinha um caminho
tinha um caminho no meio da pedra
no meio da pedra tinha um caminho.
tinha um caminho no meio da pedra
tinha um caminho
no meio da pedra tinha um caminho.
Nunca me cansarei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão descansadas.
Nunca me esquecerei que no meio da pedra
tinha um caminho
tinha um caminho no meio da pedra
no meio da pedra tinha um caminho.
Gilberto de Almeida
06/11/2012
Trístico - II
Era pra ser dístico;
não conseguiu ser quadra:
ficou trístico!
Gilberto de Almeida
06/11/2012
não conseguiu ser quadra:
ficou trístico!
Gilberto de Almeida
06/11/2012
Trístico - I
A teoria, na prática, é a mesma!
Se não for, melhor escolher outra teoria...
Ou outra prática!
Gilberto de Almeida
06/11/2012
Se não for, melhor escolher outra teoria...
Ou outra prática!
Gilberto de Almeida
06/11/2012
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