Bem vindo! Você está convidado a relaxar e ler. Há aqui poemas meus e de autores consagrados, de que gosto. Você é livre para copiar os poemas deste Blog e utilizá-los sem fins comerciais. O uso comercial do conteúdo deste Blog não é permitido. Leia sem pressa e aproveite. Gilberto.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
O rapaz tinha uma filha
O rapaz tinha uma filha
há quatro meses nascida.
O rapaz trilha uma linha.
de fumar, de despedida.
Mas, brilha o olhar da filhinha,
brilha a lágrima sentida;
A filha, todinha, brilha,
pois mais nada a intimida.
É o pai da filha, que tinha
a atitude decidida:
- Oh, filha adorada minha,
não mais fumo nesta vida!
O rapaz tinha uma filha
que ele amou, que foi querida.
Gilberto de Almeida
13/12/2012
Alto custo
Após quinze anos de tabagismo
a industria do cigarro tomara àquele senhor humilde
o valor monetário
de uma casa.
Mas a realidade mais triste
é que nos anos que seguiriam
a indústria do cigarro lhe tomaria ainda
o valor incalculável
de uma vida!
Gilberto de Almeida
13/12/2012
Um haicai para embalar o sono
Sobre a torre o sol poente,
lá do horizonte, atravessando a ponte,
pede a Deus que me acalente...
Gilberto de Almeida
12/12/2012
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Quantos filhos?
Quando lhe perguntei quantos filhos ela tinha,
o amor maternal foi quem respondeu,
não com palavras mais com um sorriso
que ia de Sophia a Enzo!
Gilberto de Almeida
12/12/2012
Quando o inverno chegar
Quando o inverno da vida chegar,
que eu tenha construído moradia aconchegante,
despensa cheia, e que me dê guarida.
Quando o inverno da vida chegar,
que eu tenha edificado moradia acolhedora,
que abrigue quem ainda sente frio.
Quando o inverno da vida chegar,
que eu tenha me instalado em moradia edificante,
que possa iluminar a noite escura.
Quando o inverno da vida chegar,
que eu tenha regressado à moradia iluminada,
que existe dentro do meu coração.
Gilberto de Almeida
12/12/2012
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Na ilha de Procida
Daquele ângulo, eu nunca tiha visto a ilha de Procida!
Eu nunca tinha visto a ilha de Procida
em toda a minha vida!
Mas, daquele ângulo, tinha uma novidade entre a terra e o mar!
Eu nunca tinha visto assim, separados, a terra e o mar.
Tentei adivinhar!
Mas, daquele ângulo, não compreendia a separação na natureza!
Eu nunca tinha visto a natureza
com toda essa clareza!
Mas é assim que, conforme o ângulo, até mesmo a ternura de um abraço -
E eu nunca tinha visto esse tal ângulo -
nos rouba espaço!
Gilberto de Almeida
11/12/2012
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Montanha mágica
Mas age com a montanha má age cá!
Montanha má age co'a montanha
mágica. Montanha Mágica!
Por em cadeia, a lógica!
Porém, cadê a lógica?
Cadê a lógica?
Uma lógica:
é mágica!
E age
cá!
Gilberto de Almeida
10/12/2012
sábado, 8 de dezembro de 2012
Amor
Olhar o mundo de longe
e ao mesmo tempo fazer parte dele
(que é como eu acho que Deus também deve fazer)
é crescer mais do que meia dúzia de palavras ocas por verso;
é entender que a perfeição existe em cada detalhe imperfeito da nossas vidas
e que o conjunto das vicissitudes por que passamos faz parte de um único plano de uma palavra só!
Gilberto de Almeida
08/12/2012
Hein?!!!
Tenho ilusão auditiva:
sempre que um paciente me diz
sempre que um paciente me diz
“eu vou diminuir o
numero de cigarros, doutor”,
Eu escuto
“eu vou continuar
fumando”...
Engraçado!
Só ouço bem quando
dizem:
“a partir de agora,
nunca mais coloco um cigarro na boca!”
Aí eu entendo!
Gilberto de Almeida
07/12/2012
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Eu, Alberto, a primavera e o amor
Diariamente, saio para caminhar pouco antes das seis da manhã.
Hoje, como não o fazia há algum tempo, levei o Alberto.
Não havia nenhum motivo consciente para não o haver levado comigo antes. Apenas não o levara. Sem motivo. Esquecimento. Mas hoje lembrei.
E fomos caminhando e conversando.
Aproveitei para procurar compreender um pouco mais a respeito daquele personagem complexo.
Todos sabem que o Alberto afirma aos quatro ventos
que ele não pensa. Que seus pensamentos são o seu tato, sua visão, sua audição, seu paladar ou alguma coisa assim.
Pois foi por isso que durante a caminhada perguntei:
- Amigo, como é essa coisa de não pensar?
Outro dia mesmo, você não chegou a cavalo a Santorini? - lembrei - E não teve que planejar a viagem? Não teve que pensar, para que pudesse conseguir concretizar seu intento de ir até lá?
Alberto, que hoje estava especialmente falador, iniciou pacientemente:
"De verdade mesmo,
(E falo dessa verdade cristalina como os dias ensolarados),
nessa mesma verdade que o sol ilumina todos os dias
está a razão de eu não pensar.
Porque as cousas são o que são,
As cousas são como as vemos quando o sol as ilumina
E não como queremos.
A verdade é saber ver e ouvir e sentir,
Saber ver e ouvir e sentir, quando se vê, se ouve e se sente.
Saber ver e ouvir e sentir sem estar a pensar
e saber pensar sem estar a ver e ouvir e sentir.
A verdade é saber pensar apenas quando é preciso pensar.
É saber pensar quando se precisa arrear um cavalo
Para o fazer direito.
Mas não pensar sobre o vento quando galopamos,
Porque a brisa é apenas a brisa
E as cousas são o que são
E não há por quê e nem para quê.
Essa primavera pela qual passamos,
[passávamos por uma primavera naquele momento]
Por que a vês e ela é bela?
Não é importante pensar nisso.
A vês e ela é bela.
Porque é assim que as cousas da natureza são, quando se vê.
A sua beleza está em ali estarem
E em todas as cores que têm
E em todos os perfumes.
Para que ver e sentir e criar uma filosofia?
Para que pensar se as primaveras têm flores rosas ou azuis?
Para que inventar causas
E consequências?
Ora! Queres imaginar que as primaveras estão ali por algum motivo?
Queres ainda pensar
Que o universo te está a dar sinais?
A imaginação e a filosofia sobre o que não é mais do que é,
é sobre isso que não penso."
E assim, pensando eu sobre tudo aquilo em que o Alberto não pensava mas me dissera, acreditei, desacreditando.
Achei que estava compreendendo um pouco mais a respeito daquele personagem complexo mas que cabia no meu bolso.
E assim, fazendo uma espécie de heteropsicografia, acreditei, acreditando,
que mesmo sendo fruto do desvario de outro poeta,
todo poeta é um fingidor.
Gilberto de Almeida
07/12/2012
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