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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Querubim


(Mariana Nagano)

Vem cá, Querubim!
Pois hoje eu queria
sentir o prazer
que acendes em mim
até o fluorescer
do dia...


O Guardador de Rebanhos - XXVIII

(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

Li hoje quase duas páginas
Do livro dum poeta místico,
E ri como quem tem chorado muito.

Os poetas místicos são filósofos doentes,
E os filósofos são homens doidos.

Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem
E dizem que as pedras têm alma
E que os rios têm êxtases ao luar.

Mas flores, se sentissem, não eram flores,
Eram gente;
E se as pedras tivessem alma, eram cousas vivas, não eram pedras;

E se os rios tivessem êxtases ao luar,
os rios seriam homens doentes.

É preciso não saber o que são flores e pedras e rios
Para falar dos sentimentos deles.
Falar da alma das pedras, das flores, dos rios,
É falar de si próprio e dos seus falsos pensamentos.
Graças a Deus que as pedras são só pedras.
E que os rios não são senão rios,
E que as flores são apenas flores.
Por mim, escrevo a prosa dos meus versos
E fico contente,
Porque sei que compreendo a Natureza por fora;
E não a compreensão por dentro
Porque a Natureza não tem dentro;
Senão não era a Natureza.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Só vendo pra crer!



tem Religião
 e 
Tem religião...

Justificava-se o pregador - 
que vendia o reino dos céus -
a um pobre que estava pregado:

"- só vendo pra crer!"

Ainda bem que eu também vi:

- só vendo pra crer!


Gilberto de Almeida
19/09/2013


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Uma pena


Gilberto de Almeida
17/09/2013



segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Um estudo (leve) sobre pontuação e semântica


Não seja leve. Não! Se leve ao pé da letra...
Não seja leve, não! Se leve, ao pé da letra!
Não! Seja leve! Não se leve ao pé da letra.
Não! Seja leve: não se leve! Ao pé da letra!
Não seja; leve! Não, se leve, ao pé da letra...

Não! Seja! Leve, não. Se leve... ao pé da letra!

Gilberto de Almeida
16/09/2013

Inspirado em um trecho de "Consertando uma Estrela", 
de Cláudio Castoríadis



Sobre o amor apaixonado



Sabe aquelas noites
que acontecem na vida de todo mundo,
em que você está sentado num bar,
tomando uma cerveja,
comendo uma carne seca com aipim
e, de repente, bate aquela vontade 
de escrever um poema sobre o amor apaixonado?

Pois é...
Não é de noite
e não acontece na vida de todo mundo

e também
não me sento em bares,
não tomo cerveja,
não como carne
e nada tenho a dizer sobre o amor apaixonado!

Pelo menos escrevo poemas!

Gilberto de Almeida
16/09/2013


sábado, 14 de setembro de 2013

Anjos, da morte

Ao gosto dos "Anjos da Morte"
escrevia o poeta
Augusto dos Anjos: da morte
escrevia o poeta!

Gilberto de Almeida
14/09/2013


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Ciclo bio-geo-anímico


Gilberto de Almeida
13/09/2013



quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Na veia!



Não se opõe o mal ao mal,
que é o que está aí!

Se a crueldade serve a morte,
não quero servir vingança,
nem sofrimento.

Quero buscar a bondade
de antigamente:
a bondade das almas inocentes,
dos tempos em que caridade não era tolice,
era virtude!

A bondade das almas abnegadas,
dos tempos em que perdoar não era "démodé",
era divino!

Eu queria poder tratar essa doença,
a crueldade,
infame e vil,
com uma aplicação maciça de bondade,
nova, cheia de energia, potente,
na veia!

E acabar de vez com essa história de existir crueldade
requintada
enquanto a bondade é servida fria,
requentada!

Gilberto de Almeida
11/09/2013