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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Ponte

(dedicado a meu pai)

Pai, no teu aniversário
caminha pelo meu amor,
porque esse amor de filho
nada mais é que uma ponte
por sobre a distância invisível
entre o meu coração de carne
e o teu,

que hoje é luz!

Gilberto de Almeida
05/02/2014

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Causa e efeito


Gilberto de Almeida
02/02/2014



Iniciação

(Rainer Maria Rilke - Tradução do original alemão por Geir Campos e Fernando Jorge)

Quem quer que sejas: deixa tua alcova,
da qual já sabes tudo que desejas;
teu lar na tarde, longe, se renova,
quem quer que sejas.

Com teus olhos exaustos, que ainda a custo
entre os gastos umbrais logram passar,
ergues inteira a sombra dum arbusto
posto ante o céu - esguio, singular.

E tens já pronto o mundo: estranho assim
como palavra que amadurecesse
no silêncio, e que teu olhar esquece
quando lhe captas o sentido, enfim...


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Cânticos

Ah! Que doces!
Ah! Que doces cânticos!
Ah! Que doces cânticos refrescantes!
Ah! Que doces cânticos refrescantes são esses?
Ah! Que doces cânticos refrescantes são esses a perfumar a alma? 
Ah! Que doces cânticos refrescantes são esses a perfumar a alma dessas luzes?
Ah! Que doces cânticos refrescantes são esses a perfumar a alma dessas luzes que sussurram esperança?

Ah! Com que gosto me refresco no perfume reluzente que ouço ao longe!

De onde vêm?

De muito além!

Em todos os sentidos.

Gilberto de Almeida
22/01/2014

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Trabalho

(Vicente Galeano)

Trabalho, apenas e somente;
trabalho, a força humana é essa:
- trabalho, luz de amor premente,
trabalho! Eis tudo que interessa!

Então, que todo sol poente -
na mesma paz com que começa
o dia o coração da gente -
me encontre a trabalhar sem pressa...


domingo, 6 de outubro de 2013

Saudarde



Gilberto de Almeida
06/10/2013


Reviver - VII


Gilberto de Almeida
04/02/2013



quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A Casa Branca Nau Preta

(Fernando Pessoa/Álvaro de Campos)

Estou reclinado na poltrona, é tarde, o Verão apagou-se... 
Nem sonho, nem cismo, um torpor alastra em meu cérebro... 
Não existe manhã para o meu torpor nesta hora... 
Ontem foi um mau sonho que alguém teve por mim... 
Há uma interrupção lateral na minha consciência... 
Continuam encostadas as portas da janela desta tarde 
Apesar de as janelas estarem abertas de par em par... 
Sigo sem atenção as minhas sensações sem nexo, 
E a personalidade que tenho está entre o corpo e a alma...

Quem dera que houvesse 
Um terceiro estado pra alma, se ela tiver só dois... 
Um quarto estado pra alma, se são três os que ela tem... 
A impossibilidade de tudo quanto eu nem chego a sonhar 
Dói-me por detrás das costas da minha consciência de sentir...

As naus seguiram, 
Seguiram viagem não sei em que dia escondido, 
E a rota que devem seguir estava escrita nos ritmos, 
Os ritmos perdidos das canções mortas do marinheiro de sonho...

Árvores paradas da quinta, vistas através da janela, 
Árvores estranhas a mim a um ponto inconcebível à consciência de as estar vendo, 
Árvores iguais todas a não serem mais que eu vê-las, 
Não poder eu fazer qualquer coisa gênero haver árvores que deixasse de doer, 
Não poder eu coexistir para o lado de lá com estar-vos vendo do lado de cá. 
E poder levantar-me desta poltrona deixando os sonhos no chão...

Que sonhos? ... Eu não sei se sonhei ... Que naus partiram, para onde? 
Tive essa impressão sem nexo porque no quadro fronteira 
Naus partem — naus não, barcos, mas as naus estão em mim, 
E é sempre melhor o impreciso que embala do que o certo que basta, 
Porque o que basta acaba onde basta, e onde acaba não basta, 
E nada que se pareça com isto devia ser o sentido da vida...

Quem pôs as formas das árvores dentro da existência das árvores? 
Quem deu frondoso a arvoredos, e me deixou por verdecer?

Onde tenho o meu pensamento que me dói estar sem ele, 
Sentir sem auxílio de poder para quando quiser, e o mar alto 
E a última viagem, sempre para lá, das naus a subir...

Não há, substância de pensamento na matéria de alma com que penso ... 
Há só janelas abertas de par em par encostadas por causa do calor que já não faz, 
E o quintal cheio de luz sem luz agora ainda-agora, e eu.

Na vidraça aberta, fronteira ao ângulo com que o meu olhar a colhe 
A casa branca distante onde mora... Fecho o olhar... 
E os meus olhos fitos na casa branca sem a ver 
São outros olhos vendo sem estar fitos nela a nau que se afasta. 
E eu, parado, mole, adormecido, 
Tenho o mar embalando-me e sofro...

Aos próprios palácios distantes a nau que penso não leva. 
As escadas dando sobre o mar inatingível ela não alberga. 
Aos jardins maravilhosos nas ilhas inexplícitas não deixa. 
Tudo perde o sentido com que o abrigo em meu pórtico 
E o mar entra por os meus olhos o pórtico cessando.

Caia a noite, não caia a noite, que importa a candeia 
Por acender nas casas que não vejo na encosta e eu lá?

Úmida sombra nos sons do tanque noturna sem lua, as rãs rangem, 
Coaxar tarde no vale, porque tudo é vale onde o som dói.

Milagre do aparecimento da Senhora das Angústias aos loucos, 
Maravilha do enegrecimento do punhal tirado para os atos, 
Os olhos fechados, a cabeça pendida contra a coluna certa, 
E o mundo para além dos vitrais paisagem sem ruínas...

A casa branca nau preta... 
Felicidade na Austrália...


terça-feira, 1 de outubro de 2013

Dicotermia


O frio me desampara.
O calor está em você.

Gilberto de Almeida
01/10/2013


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Hacai e flores - XXXVII


Parece que diz:
- "E agora? O amor foi embora?".
Foi não, Flor-de-Lis...

Gilberto de Almeida
29/09/2013