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terça-feira, 17 de junho de 2014

Dois tempos

I

Naquele dia ele acordou
de escanteio;

dirigiu
pela lateral;

chegou atrasado.

Quis bater o cartão,
amarelo.

Mas foi impedido.

Reclamou com o Juiz:
- Não houve falta!

Ficou vermelho.

Regressou contrafeito.

Pensou na esposa,
mas foi expulso.

II

No outro dia
entrou em campo
mais decidido.

Foi de bicicleta.

Encobriu a barreira,
aproximou-se da meta.

Foi aplaudido.

Regressou satisfeito.

Pensou na esposa.
Conseguiu o cruzamento.

Gilberto de Almeida
17/06/2014



Brasil e Croácia

Sob certo prisma,
tem sido interessante

ter como únicas considerações no mundo
aquelas que dizem respeito
ao gol contra,
à marcação do pênalti,
à punição dada ao craque 
       pela cotovelada no adversário...

Por algum tempo
tem sido interessante...

Sob certo prisma.

Gilberto de Almeida
17/06/2014


sexta-feira, 13 de junho de 2014

Duas copas

A Copa.
Há a Copa,
sei disso.

A alegria - astuto isso!
E o circo augusto decanta as vidas.

Encanto: a pátria de verde e amarelo
entre o escudo estrelado - parte do uniforme destemido, 
quiçá o talento obstinado e a força da arte - e a manhã
em que a estrada naturalmente descer a serra,
à gente pobre (sal, vão à pé!), à letra em todos nós.

E tudo isso ocorre.

E tudo isso! Corre!

Enquanto os párias - dever de amar? - elo
entre o escudo - a estrela do partido uniforme, deste mito 
que salta lento e obstinado e à força da artimanha
enquistada na dura mente de seus asseclas - 
e a gente pobre, salvam a pele e traem a todos nós.

A alergia de tudo isso:
- o circo a custo de quantas vidas?

A copa.
Ah! ... a copa...
Sai dessa!

Gilberto de Almeida
13/06/2014



sexta-feira, 6 de junho de 2014

Poema com Gabaritos - XI


Gilberto de Almeida
06/06/2014



Inundação


Quando nos permitimos inundar
pelo amor de Deus,
ele transborda....

Gilberto de Almeida
06/06/2014


quinta-feira, 29 de maio de 2014

Desintegração de posse

Aquele que

       pensava que

               tinha

               um carro,
               uma casa,
               um paletó,
               uma guitarra,

               uma pessoa querida,

               dinheiro no banco,

um dia ficou

               sem carro,
               sem casa,
               sem paletó,
               sem guitarra,

               sem uma pessoa querida,

               sem dinheiro no banco.

E seu desespero foi ouvido
muito além de tudo isso,

porque ele

       vivera para

               seu carro,
               sua casa,
               seu paletó,
               sua guitarra,

               sua pessoa querida,

               seu dinheiro no banco.

E, sem o que acreditava possuir,

       ao contrário, compreendeu-se

       possuído.

E agora chorava,

       porque continuava a pertencer 

       ao que nunca teve.

Gilberto de Almeida
29/05/2014.


quarta-feira, 28 de maio de 2014

Possuído-Possuidor


Gilberto de Almeida
28/05/2014


domingo, 25 de maio de 2014

Biacróstico


Gilberto de Almeida
25/05/2014



quinta-feira, 22 de maio de 2014

Orvalho


Nas curvas do caminho, o abatimento
sufoca a humanidade, fatigada.
O orgulho é morte; o ódio, o fio da espada
que brande o homem, sem discernimento,

porque a soberba é mãe do sofrimento,

alcova da ilusão, penosa estrada!
Porém, adiante, há Terra iluminada
em sonho esperançoso que acalento:

- o amor, a fulgurar na noite escura,

qual luz a remediar - bendita cura! -
as dores dos humildes e cansados...

Tal força, como o orvalho sobre os prados,

transforma o orgulho em branca suavidade
tingindo os corações de caridade...

Gilberto de Almeida

22/05/2014


quarta-feira, 21 de maio de 2014

Matemática


Gilberto de Almeida
21/05/2014