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segunda-feira, 14 de julho de 2014

Essa montanha


(Mariana Nagano)

Desesperada,
cheguei ao cume
dessa montanha
do meu ciúme!

E na escalada,
a imensa dor 
que então me arranha
os fracos dedos
vê meu amor
quando escorrega
por entre os medos!

Mas não sou cega;
mirando abaixo,
distante vejo
pequeno faixo:

e a luz me invade
- felicidade
de um doce beijo!

Mas na descida
rumando à morte
(não sei seus planos!)
ele me diz
para ser forte,
quiçá feliz,
porque esta vida
é só de enganos!

Enganos? Quais?
Pergunto, aflita!

Ele se agita
e vai dizer...
- não pode mais,
pois vai morrer!

Mas não morreu:
- um forte ramo,
logo o sustenta!

E já que vive
lá no declive,
tenta dizer:
- que desatenta!
Não percebeu?
o engano é o teu,
porque eu te amo...

E então, ferida,
respondo: - amém...
Mas não me escuta,
perdeu a luta;
triste partida:
- não mais ninguém!

Que vida estranha:
- Nada se ganha!

Cheguei ao cume
dessa montanha
do meu ciúme!


A doença e a cura


Gilberto de Almeida
14/07/2014



sábado, 12 de julho de 2014

Brasil e Holanda


Quem dera fosse carnaval!

Gilberto de Almeida
(13/07/2014)


Estranho Palíndromo


(Mariana Nagano)

Diz-me que me ama
e promete o mais lindo mo-
mento de ternura.

Mas, em pé ou de comprido,
eu bem sei o que procura!

Amar é estranho palíndromo:
- não importa em qual sentido,

amar dá drama!


Ciúme


(Mariana Nagano)

Se o cio me vem,
amor, cevai!


Não funciona!

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Mero porém! Esse método tem esse mero porém!
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Gilberto de Almeida
12/07/2014


quarta-feira, 9 de julho de 2014

Respiração do mundo

No verde,
o amor se perde;

no amarelo,
não mais protelo;

no azul,
eu fico nu;

no branco,
eu solavanço;

do meu país,
não sou juiz;

na paz,
eu sou capaz.

Gilberto de Almeida
09/07/2014

Brasil e Alemanha (ou "Sete versos contra um")

No Brasil, tem gente de porre
porque é isso mesmo que ocorre
a quem supervaloriza
um cavaleiro sobre a brisa;
a quem, confiante, se entrega
à ilusão bilionária e cega
que deixa triste herança a pesar

...

do gol de honra do Oscar.

Gilberto de Almeida
(09/07/2014)


segunda-feira, 7 de julho de 2014

Pedra Filosofal

(Rómulo Vasco da Gama de Carvalho/Antônio Gedeão)

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.


domingo, 6 de julho de 2014

Mozart

Atrasado,
alheio a mim mesmo,
ocupado do mundo,
dei a partida
e nem escutei o som do motor.

Foi quando um quarteto de cordas
surgiu no rádio
invadiu o espaço do meu sentimento
e reacendeu-me a alma.

Gilberto de Almeida
07/07/2014