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segunda-feira, 22 de julho de 2019

Devolução da vida


Por que será que a dor, na vida, impera
pavimentando, assim, nossos caminhos?
Será que a vida, frívola e severa,
compraz-se em coroar-nos com espinhos?

Ah, não! Claro que não, se nós, sozinhos,
geramos cria mansa ou besta-fera!
Se a vida encontra duros escaninhos,
somente o que adubamos prolifera!

Àquele que a seu próximo machuca,
a vida lhe devolve a dor voraz.
Mas não é punitiva. Não! Jamais!

É escola que edifica, ampara e educa,
e àquele que se esforça e que ama aos seus
devolve o amor maior, que vem de Deus.

Gilberto de Almeida
18/07/2019

Referência: Recados do Meu Coração. Bezerra de Menezes/José Carlos de Lucca. 

Capítulo "Remédio para a culpa"

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Nascimento de Jesus


Poema pentavocálico - XII

Que todos se amem!
Aqueles que temem,
agora se animem!
Jesus fez-se homem;
que todos se arrumem!

Gilberto de Almeida
12/07/2019


quinta-feira, 11 de julho de 2019

Dieta apropriada


Poema pentavocálico - XI


Que coisa estranha, o Conde Drácula,
na nutrição restrita em fécula,
em pose insólita e ridícula,
ajoelhado sobre a rótula
e devorando um pé de rúcula!

Gilberto de Almeida
11/07/2019


terça-feira, 9 de julho de 2019

Bálsamo e vacina


As prescrições saudáveis do Evangelho,
além de prevenção, são terapia.
São bálsamo e vacina. Interpele-o
o espírito e a clareza que auxilia

renovará a disposição do homem velho;
trará discernimento à mais vazia
carência de princípios. Quem anele o
recurso redentor, nele confia.

E o Médico Celeste identifica
medicamento exato, de uso interno,
na mesma prescrição que sempre indica:

- perdão, paz, humildade e amor fraterno;
remédios que trazemos na botica 
do nosso coração, por dons d'O Eterno.

Gilberto de Almeida
09/07/2019

Referência: Recados do Meu Coração. Bezerra de Menezes/José Carlos de Lucca. 
Capítulo "Retirar os espinhos"

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Na água, as batatas


Na madrugada, nenhum movimento, nenhum ruído, nada, nada.
Nenhuma panela fora de lugar.
As bancadas brilham sob as lâmpadas fluorescentes.
O ambiente claríssimo, impecável, asséptico.
Verdadeiro paraíso culinário de aço inoxidável.

Na água, as batatas...

Não é frio, nem quente,
nem seco, nem úmido,
nem escuro.
Tem cheiro de lavanda.
Tem som de gotejar. Nenhum um ruído?
Tem som de gotejar,
sem ter som de coisa alguma.
De gotejar na água.

Na água, as batatas...

Parece que houve uma falha no espaço-tempo.
Parece até que aquela gota que cai está suspensa no ar,
eternamente prestes a se espatifar na bacia.
Mas não se espatifa.
Na bacia tem água.

Na água, as batatas...

Próximo à estante dos utensílios comuns,
paira, suspenso por qualquer energia misteriosa,
o cutelo.
Estático no ar. 
Há quantos minutos suspenso?
Foi arremessado? Atingirá o quê? Atingirá?
É uma imobilização do tempo. Nada há que compreender.
A única explicação possível está na água.

Na água, as batatas.

Gilberto de Almeida
08/07/2019




domingo, 7 de julho de 2019

Terapia iniciátia


Há dois mil anos paira sobre nós
convite fraternal que ainda escuta
silêncio por resposta; e a nossa voz
parece emudecer, covarde e estulta.
Convida-nos, Jesus, ainda a sós,
a amar-nos uns aos outros, na conduta,
assim como no verbo semi-mudo.
Porém, dizer é nada; amar é tudo.

Por isso, a cada dia, a flor silvestre
do nosso entendimento busque a luz
que brota do Evangelho. E então palestre
conosco o Excelso Amigo que conduz
à paz e à vida. Alcemo-nos ao Mestre
pois refletir, humildes, com Jesus
é o mesmo que acessar, aqui, e na prática,
sublime terapia iniciática!

Gilberto de Almeida
07/07/2019


Referência: Recados do Meu Coração. Bezerra de Menezes/José Carlos de Lucca. 

Capítulo "Resposta a Jesus"

Rima rara e rima preciosa

Eneida Tristão de Almeida, minha mãe.

Não raro, na poesia, surge o acúleo
que ao poeta, cobra o suor do esforço nímio,
mas rara rima nasce, e o empenho hercúleo
confere ao seu labor vigor sublime. O

obreiro da palavra manipule o
vernáculo, insistente, audaz e exímio.
Encontrará o conceito que estimule o
espírito. Trabalhe-o, dome-o, rime-o.

Quem sabe se essa busca, o seu idílio,
resulte em verso esplêndido em que a lei da
ação socorra o poeta. E, então, burile-o

e eleve o verso à altura de uma Eneida,
porém, mais natural que a de Virgílio,
que, no meu caso, é claro que é a de Almeida.

Gilberto de Almeida
07/07/2019

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Cura espiritual


Acaso, condições de algum sucesso,
terá, o auxiliar, em seu mister
de puncionar a veia, se opuser
o enfermo, antagonismo ativo e expresso?

E, noutra circunstância, que progresso
no auxílio espiritual irá colher
aquele que, aviltando o próprio ser,
cultive o desespero em seu recesso?

A ajuda espiritual requer permita
o acesso do Infinito, quem procura
erguer-se do infortúnio e da desdita.

Requer disposição sincera e pura,
calcada no otimismo e na irrestrita
confiança em Deus, que é o único que cura.

Gilberto de Almeida
04/07/2019

Referência: Recados do Meu Coração. Bezerra de Menezes/José Carlos de Lucca. 

Capítulo "Cura espiritual"

domingo, 30 de junho de 2019

Rima rica


A rima rica é a a rima predileta,
de que se vale o artista, que a garante
em desatacado posto em sua estante,
espécie de santuário do poeta.

É a rima que se basta e se completa
qual fosse de ouro puro e cintilante.
Segura, suficiente, e, enfim, bastante
competente, é a rima lúcida e correta.

Mas há um questionamento impertinente:
- em tanta aclamação não haveria
um certo comodismo, que consente

 usar de rima rica, mas vazia?
Não fugirá, o poeta, a mais pungente
composição por falta de ousadia?

Gilberto de Almeida
30/06/2019

Rima pobre


Nem sempre a rima pobre torna inválido
o esforço caprichoso que a recolhe
do abrigo do vernáculo, algo cálido,
que a todo verbo abriga e à rima acolhe.

Por certo, vara a noite e, ao dia, pálido,
ainda busca a rima, e a língua tolhe,
nas muitas tentativas, quando, esquálido,
desiste, entorpecido e, exausto, escolhe.

Parece anemiado ou hemofílico
e sente-se covarde, de alma dobre.
Nem mesmo retirado, em mundo etílico,

consegue completar-se o esforço nobre.
É assim que do ideal, formoso e idílico,
germina, finalmente, a rima pobre.

Gilberto de Almeida
29/06/2019