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terça-feira, 5 de novembro de 2019

Dizer ou não dizer?




O teu palpite, há quem, sem muitas dores
aceite, de alma aberta, alegre e forte.
No entanto, a leve crítica, ao propores,
a alguns parece impor terror de morte.

Assim, se te incomoda e se não fores
prudente ao te expressares, toda sorte
de mágoa, de infortúnios, de rancores
persistirá no tempo. Quem reporte

o que lhe desagrada está sujeito
ao mal compreendido e à decepção.
Quem cale, por seu turno, dá direito

ao outro de insistir... Fazer, então,
o quê, se me perturba e não aceito?
Dizer ou não dizer, eis a questão!

Gilberto de Almeida
02/11/2019

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Soneto Cíclico


Gilberto de Almeida
02/11/2019

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Ébrio - II


Gilberto de Almeida
01/11/2019

Ébrio


Gilberto de Almeida
01/11/2019

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Em tudo

"Tornando-­nos  recomendáveis  em  tudo:  na  muita  paciência, nas aflições, nas necessidades, nas angústias.”
Paulo (II Coríntios, 6:4) 



Que adianta a ostentação da fé periclitante
no culto semanal do templo milenar,
conquanto contemplado, enquanto se abrilhante,
se o crente esquece a crença assim que deixa o altar?

De que vale a virtude efêmera e aberrante,
se, após o culto externo, extingue o seu pulsar?
O que dizer de quem, em casa se agigante,
bradando contra os seus, mas "crente" modelar?

No trabalho a indolência; a alegria orgulhosa;
no infortúnio, a blasfêmia; a palavra ominosa!
Onde a luzes do amor, da paciência, onde estão?

O aprendiz verdadeiro, em qualquer conjuntura
é paciente, é operoso, é gentil, não se apura;
é a virtude confiante; é o perfeito cristão!

Gilberto de Almeida
30/10/2019

Referência: Pão Nosso. Emmanuel/Chico Xavier. 
Capítulo 132: "Em tudo"


segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Massa de manobra


As mentes ardilosas de direita,
de esquerda, centro (tudo se parece!)
há muito descobriram a perfeita
maneira de iludir quem interesse.

Notaram, pois, que a massa se sujeita
ao mito, ao dogmatismo e permanece
nas teias do sofisma e da desfeita
se, a ela, algum culpado se oferece.

E a juventude, de ânimo oportuno,
é aí, qual nau teimosa que sossobra
em pérfida cilada de Netuno!

Com impetuosidade se desdobra,
movida pelo ardil dalgum gatuno
qual massa, hipnotizada, de manobra!

Gilberto de Almeida
(27/10/2019)

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Alma redimida


Quando a alma, finalmente redimida,
após uma existência redentora,
vencendo a vida antiga, que se fora,
vislumbra o alvorecer de nova vida,

não há palavra humana que consiga
trazer dos esplendores dessa aurora,
das glórias da jornada vencedora,
noção nem mesmo pobre e esvanecida.

É o céu, que prazenteiro, se engrandece
de amor, na recepção do irmão bendito,
em festa de exultante jubileu!

É o mundo aos pés de Deus e à luz da prece
que os anjos e os arcanjos do infinito
entoam por aquele que venceu!

Gilberto de Almeida 
25/10/2019

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Gratidão


Se, em teu seio, se crava
o punhal que te humilha,
gratidão é palavra
que, no peito, rebrilha.

Gratidão é da lavra
do perdão; maravilha
que, sutil, desagrava
a emoção, que fervilha.

Toda prova é promessa
de ditosa ventura.
No pesar, que depura,

a virtude começa.
A Deus, pois, se agradeça
a alegria futura.

24/10/2019

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Setenta vezes sete

"Então, Pedro, chegando-se a ele, perguntou-lhe: 'Senhor, quantas vezes devo perdoar ao irmão que pecar contra mim? Até sete vezes?' Jesus respondeu-lhe: 'Não te dito até sete, mas até setenta vezes sete.'"
(Jesus: Mateus, 18: 21-22)


Jesus nos recomenda que, ante o mal,
não revidemos; brilhe o amor cristão
no esforço reluzente do perdão!
Perdoar restringe a influência natural

do fato criminoso ao próprio umbral
dos erros do passado e deixa, então,
a estrada do progresso e redenção
aberta ao caminhante sideral.

No entanto, se à vingança se decide
e, à angústia que sofreu, ele emparelha
mais mal, na trilha escura do revide,

o homem, seu futuro compromete.
Jesus, porém, perdoar, nos aconselha,
não sete, mas setenta vezes sete!

Gilberto de Almeida
23/10/2019


segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Deus está presente

para Carolina, minha filha


No desespero, Deus está presente
em nosso coração, como esperança.
Porém, essa presença, não a alcança
o Espírito indeciso e reticente.

No desespero, Deus, onipotente,
é a força do invisível que afiança
o auxílio, a lucidez e a segurança
perante a situação que se apresente.

Não há, na Terra, fato ou imprevisto,
dos quais, Deus, poderoso, não consiga,
fazer tão jubiloso quão benquisto

sucesso de blandícias luminosas.
A Deus peçamos força, na fadiga,
pois Deus é quem, de espinhos, faz as rosas.

Gilberto de Almeida
20/10/2019