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sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Ilusão da vida urbana


Absorto na ilusão da vida urbana
prossegue o ser humano, intempestivo.
Sem rumo, sem clareza e sem motivo,
agita-se e, a si mesmo, desengana.

Escravo da existência cotidiana,
enxerga  a vida interna pelo crivo
do mundo externo, inóspito e ofensivo:
- não crê, jamais se eleva, não se irmana!

Assim se arrasta décadas na crosta
da Terra, atarefado e comodista.
Procura o que lhe agrada e o de que gosta

até que, arrependido, não resista
e note a insensatez de sua aposta
na vida sem sentido do egoísta

Gilberto de Almeida
13/12/2019


terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Sonetos Sufi

Obra de Fabian Perez - Tess IX

Na simbologia Sufi, segundo O Iogue Ramacharaca, no livro "As Doutrinas Esotéricas das Filosofias e Religiões da Índia", "amada" ou a "rosa rubra" são a divindade; "amante" é o religioso ou o Sufi; o "vinho" são os ensinamentos místicos ou sufis; a "taverna" é o templo ou loja secreta de ensinamentos sufis; o "abraço" (e, por extensão, o "beijo" e o "êxtase") são o êxtase da união consciente com divindade; a "vide", a "uva" ou a "vinha", são a religião ou o sufismo, a fonte do vinho; o "casamento" é a entrada no saber espiritual.

O autor esclarece, ainda, que os adeptos da religião sufista eram verdadeiros apaixonados pela Divindade. Porém, vivendo em meio maometano ortodoxo, não tinham liberdade para cultivar seu credo e disfarçavam seu amor a Deus na forma de poemas que se assemelhavam ao amor de um homem por uma mulher.

Soneto Sufi - I

Amada, mais amada em toda vida,
piedade tem de mim, teu pobre amante.
O vinho, na taverna, me convida
ao teu formoso abraço, estimulante.

Mas, ai de mim, da vide, da bebida,
da fonte, sempre aparte e tão distante,
à espera do momento em que decida
tomar-te em casamento, um dia, adiante!

Espero por teu beijo, rubra rosa,
porém, sou como louco ou insensato
amante que deseja e não desposa!

Talvez, já não me queiras em tua vinha,
mas, no êxtase que tenho ao teu contato,
sou teu, mas sei que Tu não serás minha!


Soneto Sufi - II

Amada, Amada minha, vim buscar-te!
Na vida, tudo aquilo que desejo
só existe nas delícias do teu beijo
e nunca encontrarei por outra parte.

Eu Te amo, minha Amada, e o amor, destarte,
me algema e, embriagado, dá-me ensejo
de ver além das sombras que hoje vejo
que, há muito, o que preciso, é desposar-te.

Outrora, nas tavernas, já, por Ti  
chamava. E o Teu amor, que pressenti,
no vinho, é que buscava, descontente.

Depois que te encontrei, já não duvido
que, Amada, tens de ter-me por marido
agora, no futuro e eternamente!

Gilberto de Almeida
08/12/2019

As luzes de natal são singulares


As luzes de natal são singulares
lembranças de outras luzes, mais potentes.
São elas, pequeninas, que, entrementes,
encantam-nos, por todos os lugares.

Amigo, se parares e pensares
o quanto os coloridos e luzentes
arranjos natalinos são parentes
de estrelas verdadeiras, de pulsares,

verás que, dando um passo ainda além,
invocam outro tipo de esplendor.
As luzes natalinas sempre vêm

pujantes, quase explícitas, propor
que, prestes, acendamos, nós também
o nosso próprio lúmen interior.

Gilberto de Almeida
10/12/2019


Delícias de natal


Quanto mais avança alguém
pela estrada que o conduz
passo a passo, mais além,
à alvorada (à própria luz!),

mais percebe de onde vem
a alegria a que faz jus
em seu íntimo, também!
Porque cresce, se reduz... 

Nesse passo é natural
compreender, com retidão,
que as delícias do natal

não se servem, mais, à mesa,
mas, no próprio do coração,
com gloriosa sutileza!

Gilberto de Almeida
10/12/2019



segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Direito romano hoje e sempre


Poema pentavocálico - XV

No agudo fio da lâmina do gládio,
provoca, o gladiador de porte médio,
brutal, sanguinolento, gladicídio.
É natural, depois, que suba ao pódio,
e seja ovacionado, no interlúdio.

Gilberto de Almeida
09/12/2019

Nas ondas do rádio


Poema pentavocálico - XIV

Nas ondas do rádio,
afasta-se o tédio.
É como um presídio
que encerra, no ódio,
aplauso e repúdio.

Gilberto de Almeida
09/12/2019

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Maior natal


Do nascimento à páscoa,
da manjedoura à cruz,
Sua existência, vasta
de compaixão, conduz.

Como vertente d'água
que, sob o Sol, reluz,
as multidões arrasta,
no vicejar d'A Luz.

Está encerrada a espera!
Chega a alvorada astral!
Quando Jesus descerra

todo o esplendor moral
que desce ao chão da Terra,
eis o maior Natal!

Gilberto de Almeida
06/12/2019

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

O sofrimento é bálsamo essencial


O sofrimento é bálsamo essencial!
É sopro de ventura, que bafeja;
é efervescer de aurora espiritual,
é brisa saneadora e benfazeja.

Porém, frequentemente, o pantanal
da imensa pequenez em que braceja
o espírito, é que o leva a sofrer mal:
- revolta-se, consterna-se e pragueja.

O sofrimento ensina, educa e amansa.
Escola como a dor, enfim, não há.
É escola de humildade e de esperança!

No entanto, quem blasfema e se revolta,
à Terra certamente voltará,
pois sofre mal, e irá sofrer na volta!

Gilberto de Almeida
01/12/2019

Inspirado em: Recados do Meu Coração. Bezerra de Menezes/José Carlos de Lucca. 
Capítulo "Bem sofrer e mal sofrer"

sábado, 30 de novembro de 2019

O Cristão tem voz macia


O cristão tem voz macia,
no futuro que contemplo.
Não o grito, a algaravia,
sob a abóbada do templo.

Pois, na calma, na eupatia,
o cristão tem, peito adentro,
coração que pronuncia
tais valores, pelo exemplo.

Se quem fala do Evangelho
faz teatro, grita e clama
mostra a angústia do homem velho,

mas, por certo, ainda não
avançou no panorama
de virtudes do Cristão.

Gilberto de Almeida
30/11/2019



sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Gautama, o Buda


Gautama, o Buda,
em quem se fia
a luzidia
razão desnuda,

com voz sisuda,
já nos dizia
que a rebeldia
jamais ajuda.

Porque Sidarta
acreditava
que quem se farta

na vida avara
é alma escrava
do tal Samsara.

Gilberto de Almeida
29/11/2019