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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Balada do Solitário

(Guilherme de Almeida)

Edifiquei certo castelo
por uma esplêndida manhã:
brincava o sol, quente e amarelo,
numa alegria incauta e sã.
E eu quis fazer, ó louco anelo!
desse palácio encantador
o ninho rico, mas singelo,
do teu, do meu, do nosso amor.

Por isso, em vez do som do duelo
tinindo em luta heróica e vã,
fiz soluçar um "ritornello"
em cada ameia ou barbacã...
Depois, tomando o camartelo,
alto esculpi, dominador,
esse brasão suntuoso e belo
do teu, do meu, do nosso amor.

De que serviu? se elo por elo
dessa paixão de alma pagã
rompeste a golpes de cutelo,
ó minha loira castelã?
Hoje estou só, sozinho, e velo
por este imenso corredor
que corre, corre paralelo
ao teu, ao meu, ao nosso amor.

OFERTÓRIO

A ti, Princesa, eu te revelo
esta canção, que um trovador
virá cantar pelo castelo
do teu, do meu, do nosso amor!


domingo, 15 de abril de 2012

Romance

(Guilherme de Almeida)

E cruzam-se as linhas
no fino tear do destino.
Tuas mãos nas minhas.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Pescaria

(Guilherme de Almeida)

Cochilo. Na linha
eu ponho a isca de um sonho.
Pesco uma estrelinha.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Nós dois

(Guilherme de Almeida)

Chão humilde. Então,
riscou-o a sombra de um vôo.
"Sou céu!" disse o chão.

Hora de ter saudade

(Guilherme de Almeida)

Houve aquele tempo...
(E agora, que a chuva chora,
ouve aquele tempo!)

Infância

(Guilherme de Almeida)

Um gosto de amora
comida com sol. A vida
chamava-se "Agora".

domingo, 25 de março de 2012

O Pensamento

(Guilherme de Almeida)

O ar. A folha. A fuga.
No lago, um círculo vago.
No rosto, uma ruga.