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sexta-feira, 8 de março de 2019

Dia da Mulher


Mulher, mulher, chegado é o dia
de perceberes com clareza
que a Luz Divina segue acesa
no templo vivo em que estagias.

A casa frágil denuncia
com delicada sutileza
nas aparências de indefesa
a feminil criptologia.

Chegado é o dia em que a ternura
será remédio, unguento e cura
perante o dogma masculino,

pois, no feitio que nutre e gera,
trazes, mulher, a nova era
na paz e luz do Amor Divino.

Gilberto de Almeida
08/03/2019

quarta-feira, 8 de março de 2017

Acróstico para uma sociedade embrutecida (ou masculinizada, o que vem a ser a mesma coisa)


M ais
U ma
L embrança
H umilde...
E xiste
R emédio, mas ele é imponderável...

Gilberto de Almeida
08/03/2017

quinta-feira, 21 de março de 2013

O complexo

(Mariana Nagano)

O complexo
de Gioconda
na mulher 
redunda
em que a melhor forma
redonda
abunda!

domingo, 10 de março de 2013

Nu

(Manuel Bandeira)

Quando estás vestida,
Ninguém imagina
Os mundos que escondes
Sob as tuas roupas.

(Assim, quando é dia,
Não temos noção
Dos astros que luzem
No profundo céu.

Mas a noite é nua,
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite.

Brilham teus joelhos.
Brilha o teu umbigo.
Brilha toda a tua
Lira abdominal.

Teus seios exíguos
- Como na rijeza
Do tronco robusto
Dois frutos pequenos -

Brilham.) Ah, teus seios!
Teus duros mamilos!
Teu dorso! Teus flancos!
Ah, tuas espáduas!

Se nua, teus olhos
Ficam nus também:
Teu olhar, mais longo,
Mais lento, mais líquido.

Então, dentro deles,
Boio, nado, salto,
Baixo num mergulho
Perpendicular.

Baixo até o mais fundo
De teu ser, lá onde
Me sorri tu'alma,
Nua, nua, nua...

sexta-feira, 8 de março de 2013

Cenas em um Shopping - XXVIII



O Shopping Center se enganou:

neste oito de março
confundiram a mulher
com um troço fútil qualquer,
plenamente materialista,
disposto a comprar o que não precisa
apenas porque, de repente,
apareceu um desconto
e balões de festa
e serpentinas!

Gilberto de Almeida
08/03/2013

Botão de Carinho

(para Marcia)


Gilberto de Almeida
08/03/2013


Se Deus quiser



Agora eu bem sei
que só entenderei
como é uma mulher,
se Deus o quiser!

...

Mas Ele não quer!

Gilberto de Almeida
08/03/2013


Mulher Nua



















Agora, com a experiência dos meus cinquenta anos,
o que faço se desejo conhecer uma mulher é, antes de tudo,
despi-la

de todos os seus acessórios.

Os primeiros que desaparecem são os óculos escuros! É claro!

A seguir, os colares, gargantilhas, brincos, pulseiras, 
alianças, anéis, broches e tornozeleiras!

E lá se vão os sapatos!

Chapéus, tiaras, anademas 
e todos os acessórios para a cabeça  e para os cabelos
ficam pelos
cantos.

Depois, mesmo que esteja ótima,
livro-lhe das roupas
e das íntimas,
até das últimas!

Tiro-lhe o batom
como se fosse com um beijo
(mas isso é só desejo...)!
E removo a miragem
junto com a maquiagem:

- base, "blush", sombras, rímel, esmalte e cílios
postiços.

E assim, 
querendo me convencer de que falta pouco, 
dou um sumiço nos "piercings" e nas tatuagens.

E eis que, 
depois de dedicado esforço de desnudamento,
diante de mim quase surge
uma mulher!

Só falta agora abstrair-lhe o corpo,
(a última das armadilhas que disfarçam o ser feminino legítimo,
ofuscado e escondido dentro de si mesmo)
do qual a privo
- como de tudo mais -
em meu pensamento!

Então, nesse momento raro 
em que tenho diante de mim a essência, a chama, o extrato do perfume da flor,
a mulher completamente desnuda,
é que poderia existir a magia,
o milagre de encontrar aquele ser feminino magnífico,
com quem seria maravilhoso compartilhar afeto 
indefinidamente...

.............................................................................................

Mas esse momento, meu jovem,
esse momento, meu caro,
você não vai encontrar jamais
se fizer como eu fazia na minha juventude
e cometer a tolice de despir uma mulher
apenas de suas roupas!

Gilberto de Almeida
08/03/2013


Mulher em ondas




Gilberto de Almeida
08/03/2013


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Insanidade

















Gilberto de Almeida
17/05/2012

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Pra que tanta pressa?

Não que eu seja preconceituoso,
Mas hoje, quando tranquilamente almoçava uns haicais com frango
(esperando a resposta do supermercado),

Por de baixo de um par de óculos escuros,
Cobertas por uns fios loiros oxigenados,
Aquelas rugas bronzeadas, todas de grife, vieram assustar meu rango!

Caramba, as pessoas não deviam fazer tantas cirurgias plásticas para se enfeiar.
Porque não deixam que a natureza faça isso, no seu devido tempo?

Gilberto de Almeida
16/05/2012

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Quarenta e nove anos

Tenho quarenta e nove anos de hábito nesse negócio de ser homem,
Quarenta e nove anos de rodas de conversa,
De vestiários masculinos.

E os caras conversam:
Muito se fala de peitos,
Muito se fala de poupanças.
Já vi até falarem de cor de olhos,

Mas de seu brilho, nunca.

Se uma mulher pudesse entrar na cabeça de um homem,
Perdia as esperanças...

Aliás, as esperanças não, pois afinal
A esperança é a última que morre.

Gilberto de Almeida
09/05/2012


Belo Livro

De certa forma, acho que Deus foi cruel com as mulheres
Ao lhes conceder uma aparência física tão desconcertante
Pois os homens, talvez a imensa maioria deles,
Ficam tão encantados pela capa
Que não querem se dar ao trabalho de ler o livro.

Gilberto de Almeida
09/05/2012