E foi numa passagem por Roma, após uma noite boêmia que não tive, que, nos arredores do Vaticano, quando ladeávamos sem rumo, o rio Tibre, a aurora nos apontou o Castelo de Sant'Angelo.
Eu, que sempre me manifesto primeiro, e não deixo o Alberto falar, quebrei o Silêncio:
- Você imagina? Consegue pensar em quanta história já viveu este Castelo? E agora, sereno, aqui, nas margens do Tibre... Olha esse azul! Não é magnífico?
Alberto continuou calado!
- Tá bom, me diga o que você vê...
- Vejo o castelo, e o céu, e as luzes, e a ponte, e seus reflexos!
Mas eu queria mais. Apesar da pergunta, não queria que o Alberto me dissesse apenas o que estava vendo. O Alberto, que sempre falava pouco, estranhamente, sempre tinha muito a dizer. Continuei insistindo:
- Ora, tudo bem! Mas não é de se pensar onde leva esta ponte? Ou onde já levou? Hoje é um museu, mas já foi um mausoléu, um castelo, até um anjo já apareceu sobre ela...
Meu amigo olhou pra mim com um olhar sereno de quem não pensava coisa alguma e simplesmente disse, como se tivesse pena de mim:
- A ponte não leva, nem nunca levou! Acaso vês alguém sobre ela agora? Quem ela está levando? Se existe uma ponte, meu amigo, isso só pode significar uma, e apenas uma cousa: é que existem dois lados!
E eu fiquei olhando para ele, surpreso!
Gilberto de Almeida
27/08/2012
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