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sábado, 27 de novembro de 2021

O nome de Deus


Deus, do universo, nos acena,
com dádivas de luz e de grandeza.
Espreita, do infinito, nosso orgulho
e compadece-se, amorosamente,
perante nossa pequenez.

Chamamo-lo Deus.
Chamamo-lo Jeová.
Chamamo-lo Alá.
Chamamo-lo Ahura Mazda.
Chamamo-lo Brahma.
Chamamo-lo como queremos.

Ah! Pai, Perdoa-nos!

Queremos tomar posse até do teu nome.
Perdoa-nos porque não sabemos o que fazemos.

E Ele, decerto, perdoa,

porque o nome de Deus é providência;
porque o nome de Deus é misericórdia;
porque o nome de Deus é perdão;
porque o nome de Deus é amor.

Gilberto de Almeida
27/11/2021

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Eu, Alberto e a estrela guia



A noite não tinha nuvens e tudo estava agradável.

Uma brisa refrescante descia das copas das árvores.

Eu e Alberto estávamos na varanda.Eu, estatelado na rede; Alberto, em cima da mesinha de canto.

Acredito que o meu ângulo de visão era melhor, porque fui eu quem iniciou o assunto:

- Alberto, você já pensou no simbolismo da estrela guia?

Silêncio.

- Aquela que os reis magos seguiram para chegar a Jesus!

A voz do Alberto era como o silêncio de um livro fechado.

Adivinhando que ele não havia compreendido minha pergunta, falei, sem rodeios!

- Eu acredito que tudo que se refere ao natal tem um significado simbólico. Aliás, acredito que toda a vida de Jesus é cheia de mistérios e significados ocultos! Por isso, penso que deve haver algum ensinamento por trás dessa história da estrela guia. Só que eu não consigo captar. Você já pensou nisto?

Sem mover um músculo, o Alberto respondeu com simplicidade:

- Você pensa muito. Todas as respostas estão na natureza.

- Mas como assim, o que você quer dizer?

- Primeiro, não pense. Já falei. Você pensa muito. Segundo: a natureza. Olhe para uma estrela. 

- Mas...

- Mas, nada! Olhe para a estrela.

O Alberto diante de mim estava diferente. Eu nunca o vira tão afirmativo. Eu diria que Se Alberto era o nome, contemplação era o sobrenome. Vai ver, era isso que ele queria que eu fizesse: que contemplasse.

E lá fiquei eu olhando para a estrela. E fiquei. Quinze segundos. Trinta segundos...

- Alberto...

- Shhh...

Tudo bem. Um minuto! Será que já era suficiente? O Alberto calado. Quinze minutos. E continuei. Trinta minutos. E nada.

- Alberto, não está acontecendo nada.

- Quem disse que é para acontecer alguma coisa. Só olhe.

Aquilo estava muito chato! Fui dormir! O Alberto continuou na mesa, olhando para a estrela a noite inteira.

Na manhã seguinte, quando despertei, a estrela havia desaparecido. Pareci besta! Procurei. Senti falta. Como faz falta uma estrela que a gente não consegue ver!

Mas de noite, ela estava lá de novo. Como se tivesse a obrigação de clarear o céu noturno, ela ressurgiu. Não despreguei os olhos dela. Fui dormir somente ao clarear o dia...

Era natal.

Ah! Entendi! Ou não?


Gilberto de Almeida

(26/11/2021)

domingo, 4 de abril de 2021

Imortal


Na história excepcional que conhecemos,
a angústia da manhã triste e serena
rompeu a voz do Mestre Nazareno,
falando com ternura, a Madalena.

No doce simbolismo desta cena,
a outra ocasião nos remetemos;
à noite em que o rabi bondoso acena
com certo ensinamento a Nicodemos:

- que a morte, na verdade, não existe;
que todos nós nascemos novamente
no ciclo de progresso rumo à luz;

que o Espírito à matéria – sim! - subsiste,
assim como, mostrou, resplandecente,
voltando do sepulcro a nós, Jesus.

Gilberto de Almeida
04/04/2021

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sexta-feira, 2 de abril de 2021

Paixão

“Pai, perdoai-os, pois eles não sabem o que fazem”.

(Jesus. Lucas: 22;34)


Traído, abandonado, feito réu
por ter vivido a vida em santo amor,
por ter descido a nós, para compor,
no próprio exemplo, a lírica do céu;

lançado em ominoso carrossel
de injúria, de injustiça e de terror,
 foi condenado à cruz, qual malfeitor,
o doce e compassivo menestrel.

Porém, ninguém, a máxima expressão
do amor, jamais subjuga nem reduz.
Por isso é que na última lição

deixou-nos, emblemático, Jesus
o símbolo perfeito do perdão
ao perdoar o algoz, da própria cruz!

Gilberto de Almeida
02/04/2021

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sexta-feira, 19 de março de 2021

O homem e a mulher

Eu, porém, vos digo. Todo aquele que repudia sua mulher, a não ser por motivo de 'fornicação', faz com que ela adultere; e aquele que se casa com a repudiada, comete adultério.
(Jesus. Mateus: 5;32)


Existe um fato estranho à percepção
comum sobre o motivo pelo qual
o homem e a mulher formam casal
na entrega edificante à qual se dão.

Há exato sincronismo na Criação.
Nenhuma circunstância é acidental.
E todo matrimônio tem seu grau
de ajuste de um passado de aflição. 

Por isso é imperativo se decida
buscar todo casal, a sintonia
possível à união esclarecida.

Aquele que ao consorte repudia, 
não foge à obrigação; somente adia
a própria redenção para outra vida.

Gilberto de Almeida
19/03/2021

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quarta-feira, 3 de março de 2021

Divina lição


A lição evangélica carece
de estudo dedicado e permanente.
É fonte abençoada de benesse
que deu-nos o Bom Mestre de presente. 

No entanto, a humanidade permanece
alheia, distraída e resistente.
Não logra recolher da santa messe
nem mesmo a mais humílima semente.

Aquele que deseja que se acenda
no íntimo do Ser, alguma luz,
não negue ao coração tal oferenda:

Medite no Evangelho, que conduz
suave e docemente pela senda
que leva-nos aos braços de Jesus.

Gilberto de Almeida
01/03/2021

Inspirado em: Recados do Meu Coração. Bezerra de Menezes/José Carlos de Lucca. 
Capítulo "Meditando com Jesus"

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domingo, 28 de fevereiro de 2021

Trova de Natal


No futuro trocaremos
a fartura dos natais
pelas luzes do Evangelho
nos banquetes siderais.

Gilberto de Almeida
12/12/2018

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Lei humana

 Foi dito: aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio

(Jesus. Mateus: 5;31)


A lei humana, rígida e indigesta,
a tentativa vaga de por freios
ao vil, ignóbil, torpe e ao deprimente
possui, para este fim, seus próprios meios.

Por vez, à insanidade humana empresta
alguma lucidez. Impõe receios
ao homem, que, assustado, então, pressente
que alguns de seus direitos são alheios.

Infelizmente, equívoca e imperfeita,
a lei terrestre, fruto do conflito,
a todos acostuma e, então, sujeita. 

Atende à vida prática e descarta
o amor, que avança além do texto escrito
nas linhas limitadas duma carta.

Gilberto de Almeida
19/01/2021

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sábado, 16 de janeiro de 2021

Trovas da vida - XLVI e XLVII


XLVI

Tem muita gente egoísta,
desrespeitosa e infeliz
que se nega a estar de máscara
ou que a põe sob o nariz.

XLVII

Quem procura por coerência
naquilo que faz e diz,
ou, de vez, não use máscara
ou, se usar, cubra o nariz.
Gilberto de Almeida

16/01/2021

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Falhar não é provar

 

A ciência em meio aos seus
patrocínios e relatos,
se pequena, nega a Deus
por sofismas insensatos.

E propaga, nos liceus,
seus conceitos inexatos
extraídos de museus
e regidos por contratos.

Aprofunda-se na cova
de mentira amarga e triste,
quando, frígida, renova

o discurso em que persiste:
- que falhar, buscando a prova,
é provar que não existe!

Gilberto de Almeida
15/01/2021

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