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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Hacai e flores - XXXVII


Parece que diz:
- "E agora? O amor foi embora?".
Foi não, Flor-de-Lis...

Gilberto de Almeida
29/09/2013



domingo, 29 de setembro de 2013

Abor/

Era para ser um poema,
mas eu abor

Gilberto de Almeida
29/09/2013



O Guardador de Rebanhos - XXIX

(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.
Mudo, mas não mudo muito.
A cor das flores não é a mesma ao sol
De que quando uma nuvem passa
Ou quando entra a noite
E as flores são cor da sombra.

Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.
Por isso quando pareço não concordar comigo,
Reparem bem para mim:
Se estava virado para a direita,
Voltei-me agora para a esquerda,
Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés - 
O mesmo sempre, graças ao céu e à terra
E aos meus olhos e ouvidos atentos
E à minha clara simplicidade de alma...



sábado, 28 de setembro de 2013

Bênção no Lar

(Vicente Galeano)

O olhar risonho, de repente,
empresta cor à fala mansa,
cor da ventura que, inocente,
sem pretender, enlaça e alcança...

Dá-nos o Pai este presente,
a luz celeste da aliança,
bênção no lar que, reverente,
acolhe a Deus numa criança...


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

!i


Gilberto de Almeida
27/09/2013



Poema por Omissão - I (Ou "O que Bilac escondeu na Via Láctea!")


Gilberto de Almeida
27/09/2013




Haicai e flores - XXXVI


Um plano que engendro:
- na noite em que o amor me açoite,
virar Rododendro...

Gilberto de Almeida
27/09/2013



quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Haicai e flores - XXXV


Às vezes me encanto,
não penso nem tenho senso...
Vai ver... Lisianto!

Gilberto de Almeida
26/09/2013




Poesias da Vida - XLII

(Juliana Landim)

A moça do caixa do supermercado nem olhou pra mim!

- Tem cartão fidelidade?
(não esboçou nenhum sorriso, nenhuma expressão facial)
- Não, senhora!

- Nota fiscal com bônus e rastreamento de despesas?
(impávida!)
- Não, obrigada!

Mas, não sei por que raio de motivo, eu decidi que ela também era filha de Deus!

Colocou as sacolas plásticas sobre o balcão, para que eu embalasse as compras!
Nenhum olhar na minha direção, continuava sem sorrir!

Já que ela era filha de Deus, merecia o meu amor!

- Vinte e cinco reais! - anunciou!
(a maior cara de falta de amigos!)

Decidi irradiar amor... 
Amor fraterno...
Lá de dentro do meu coração... 
Já me viram fazer isso? Acho que nem eu!

Enquanto eu remexia a carteira, ela começou a embalar minhas conpras!

Eu revirando a carteira! 
Mentalmente, continuava a irradiar amor...

Paguei!

De repente , ela abriu um sorriso, me entregou as compras embaladas, 
pousou olhos meigos nos meus e proclamou:
- Boa noite, menina. Vai com Deus!

De uma só vez, fez tudo que não tinha feito ainda!

Arrepiou!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Casa no lago


Se é que coisas inanimadas podem ter felicidade,
a felicidade que eu via era assim:

- uma colina mansa, de um verde sem mágoa,
feliz;

- um bosque de pinheiros, 
escondido atrás da cortina de névoa sossegada,
e feliz;

- uma casinha, um estábulo, uma garagem,
felizes;

e o lago, calmo e feliz
refletia essa felicidade toda...

Só mesmo o ganso, lá num cafundó da paisagem,
parecia incomodado com alguma coisa.

Aí, 
com muita vontade de não pensar nisso,
 eu pensei:

- quem será que vai voar primeiro?

Gilberto de Almeida
25/09/2013



Deus e eu



Gilberto de Almeida
25/09/2013



Amor para a vida inteira

Amarei sem compromisso
mesmo que você não queira,
pois amor, que eu saiba, é isso:
- amar, de qualquer maneira!

Só não quero ser omisso:
- não amar! Que brincadeira
de mau gosto! Longe disso,
amarei a vida inteira!

E o amor que amarei não clama
por qualquer contrapartida:
- ama e pronto! É pura chama!

Não pode ser reprimida!
O amor que eu tenho é o que ama,
sem pedir, por toda a vida!

Gilberto de Almeida
25/09/2013




terça-feira, 24 de setembro de 2013

Deus em você


Gilberto de Almeida
24/09/2013



domingo, 22 de setembro de 2013

Poema com Gabaritos - X


Gilberto de Almeida
22/09/2013



sábado, 21 de setembro de 2013

Filosofia do perdão


Gilberto de Almeida
21/09/2013



Descartesiano

rezo para que Descartes
essa concepção cartesiana
sem ponto nem vírgula
não se pense mais nisso

Gilberto de Almeida
21/09/2013


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A voz

(Vicente Galeano)

A voz é o instrumento ressonante
capaz de semear ternura ou dor;
que a chaga do doente pode expor
ou pode conseguir que se levante!

Serena, assim coloca-nos perante
convite ao devaneio acolhedor;
Severa, é dolorido dissabor:
- verbo perdido, rígido e cortante!

Mas quem consegue usá-la gentilmente,
distante do discurso cujo rude
tempero fere e o tom feroz ressente;

aquele que cultiva a mansuetude
é o canto que anuncia o sol nascente
da voz de Deus, na santa plenitude!


Querubim


(Mariana Nagano)

Vem cá, Querubim!
Pois hoje eu queria
sentir o prazer
que acendes em mim
até o fluorescer
do dia...


O Guardador de Rebanhos - XXVIII

(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

Li hoje quase duas páginas
Do livro dum poeta místico,
E ri como quem tem chorado muito.

Os poetas místicos são filósofos doentes,
E os filósofos são homens doidos.

Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem
E dizem que as pedras têm alma
E que os rios têm êxtases ao luar.

Mas flores, se sentissem, não eram flores,
Eram gente;
E se as pedras tivessem alma, eram cousas vivas, não eram pedras;

E se os rios tivessem êxtases ao luar,
os rios seriam homens doentes.

É preciso não saber o que são flores e pedras e rios
Para falar dos sentimentos deles.
Falar da alma das pedras, das flores, dos rios,
É falar de si próprio e dos seus falsos pensamentos.
Graças a Deus que as pedras são só pedras.
E que os rios não são senão rios,
E que as flores são apenas flores.
Por mim, escrevo a prosa dos meus versos
E fico contente,
Porque sei que compreendo a Natureza por fora;
E não a compreensão por dentro
Porque a Natureza não tem dentro;
Senão não era a Natureza.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Só vendo pra crer!



tem Religião
 e 
Tem religião...

Justificava-se o pregador - 
que vendia o reino dos céus -
a um pobre que estava pregado:

"- só vendo pra crer!"

Ainda bem que eu também vi:

- só vendo pra crer!


Gilberto de Almeida
19/09/2013


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Uma pena


Gilberto de Almeida
17/09/2013



segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Um estudo (leve) sobre pontuação e semântica


Não seja leve. Não! Se leve ao pé da letra...
Não seja leve, não! Se leve, ao pé da letra!
Não! Seja leve! Não se leve ao pé da letra.
Não! Seja leve: não se leve! Ao pé da letra!
Não seja; leve! Não, se leve, ao pé da letra...

Não! Seja! Leve, não. Se leve... ao pé da letra!

Gilberto de Almeida
16/09/2013

Inspirado em um trecho de "Consertando uma Estrela", 
de Cláudio Castoríadis



Sobre o amor apaixonado



Sabe aquelas noites
que acontecem na vida de todo mundo,
em que você está sentado num bar,
tomando uma cerveja,
comendo uma carne seca com aipim
e, de repente, bate aquela vontade 
de escrever um poema sobre o amor apaixonado?

Pois é...
Não é de noite
e não acontece na vida de todo mundo

e também
não me sento em bares,
não tomo cerveja,
não como carne
e nada tenho a dizer sobre o amor apaixonado!

Pelo menos escrevo poemas!

Gilberto de Almeida
16/09/2013


sábado, 14 de setembro de 2013

Anjos, da morte

Ao gosto dos "Anjos da Morte"
escrevia o poeta
Augusto dos Anjos: da morte
escrevia o poeta!

Gilberto de Almeida
14/09/2013


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Ciclo bio-geo-anímico


Gilberto de Almeida
13/09/2013



quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Na veia!



Não se opõe o mal ao mal,
que é o que está aí!

Se a crueldade serve a morte,
não quero servir vingança,
nem sofrimento.

Quero buscar a bondade
de antigamente:
a bondade das almas inocentes,
dos tempos em que caridade não era tolice,
era virtude!

A bondade das almas abnegadas,
dos tempos em que perdoar não era "démodé",
era divino!

Eu queria poder tratar essa doença,
a crueldade,
infame e vil,
com uma aplicação maciça de bondade,
nova, cheia de energia, potente,
na veia!

E acabar de vez com essa história de existir crueldade
requintada
enquanto a bondade é servida fria,
requentada!

Gilberto de Almeida
11/09/2013


Onze de Setembro


Doze onzes de setembro...
Como não lembrar, se eu me lembro
- com amargura! -
que às vezes a religião é a mais dura
e triste contradição...

Gilberto de Almeida
11/09/2013


terça-feira, 10 de setembro de 2013

Humildade - II

h omem,
u m
m odesto
i nstrumento;
l icença
d o
a mor
d ivino...
e mais nada!

Gilberto de Almeida
10/09/2013

Reviver - XIV


Gilberto de Almeida
10/09/2013


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

domingo, 8 de setembro de 2013

Humildade


Gilberto de Almeida
08/09/2013


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Inteiro


(Mariana Nagano)

Este espaço
que te cabe
tem um laço
que não abre!

Você meio
pelo veio
deixou cheiro.

Pelo menos
você veio,
mais ou menos.

Mas não serve.
Vou ser breve:
- Quero inteiro!


Haicai e flores - XXXIV


Ao longe estou vendo,
lá onde o poente esconde...
a luz... é a Calêndula!

Gilberto de Almeida
06/09/2013




quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Tangível














Nem tudo que é tangível é tangível
porque,
quando alguém está distante,
a gente não pode dar um abraço,
nem pode tocar com as mãos!

E nem tudo que é tangível é tangível
porque, às vezes,
quando alguém está por perto
e a gente pode dar um abraço,
e pode tocar com as mãos,
a gente não dá
e a gente não toca!

Mas nem tudo que é intangível é intangível
porque, sempre,
quando alguém está por perto ou distante
e a gente não dá um abraço
e nem toca com as mãos,
a gente pode tocar com o pensamento!

Gilberto de Almeida
05/09/2013


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Certo dia no auditório


Gilberto de Almeida
04/09/2013


A Palavra Mágica

(Carlos Drummond de Andrade)

Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.

Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.

Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.


O Guardador de Rebanhos - XXVII

(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

Só a Natureza é divina, e ela não é divina...

Se falo dela como de um ente
É que para falar dela preciso usar a linguagem dos homens
Que dá personalidade às cousas, 
E impõe nome às cousas.

Mas as cousas não têm nome nem personalidade;
Existem, e o céu é grande e a terra larga,
E o nosso coração do tamanho de um punho fechado...

Bendito seja eu por tudo quanto sei.
Gozo tudo isso como quem sabe que há o sol.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Papo cabeça com o Alberto

O Alberto andava meio esquecido.

Dizendo melhor, eu é que andava meio esquecido do Alberto.

Mas eis que hoje ele me salta de dentro da mala e diz:

"- Eu vi seu poema!"

Assim, sem mais, depois de tanto tempo calado, até assustei! Mas me refiz, como se tudo estivesse na mais completa normalidade.

- Qual poema? - Perguntei!

"- O de ontem! 
O dos rabiscos."

Ah! Estava fácil! Ontem só escrevi um poema: - o dos rabiscos!

- "Deus em Tudo", você quer dizer!

"- Sim. Esse mesmo. 
Por que o batizou de 'Deus em Tudo'?"

- Porque, em primeiro lugar, eu acredito que Deus, de fato, está presente em tudo. Depois, porque aquilo é um poema concreto, e lá se leem as duas palavras: "Deus" e "Tudo"!

O Alberto refletiu por alguns instantes e perguntou:

"- Só vejo rabiscos! 
Porque você me diz que há palavras
Onde só existem rabiscos?" 

- Jura que você não enxerga as palavras?

O Alberto calou-se, pareceu meditar profundamente, e não respondeu minha pergunta!

"- Deus não está em tudo! - Emendou - 
Só na Natureza.
E Deus não está na natureza.

Você e os outros poetas místicos 
Procuram ver nas cousas, mais do que as cousas são. 

Os poetas místicos são filósofos doentes,
E os filósofos são homens doidos.

É loucura viver dessa maneira,
Porque viver dessa maneira
É como um barco de papel
Que uma criança faz
E navega na superfície dum lago.

Ele fica flutuando lá em cima
E pensa que sabe o que acontece no interior do lago,
Mas nunca viu os peixes,
Nem os filhos dos peixes
Nem nada que existe na profundidade do lago.
Só imagina!

Quando este barco ver o fundo do lago
é porque afundou.

Ele navegou sempre, 
Mas nunca soube o que existe.
Só imaginou!"

Ah! Eu fiquei intrigado com esse desaforo do Alberto!
Intrigado como se eu fosse um barco de papel a navegar no fundo do lago! 
Mas respondi à altura:

- Sabe, Alberto,
não entendo como podemos ser amigos!
Eu penso exatamente o contrário. 
Para mim, quem só vê o que está ao alcance dos olhos, 
que só acredita naquilo que pode tocar, 
esse é quem está navegando na superfície,
esse é o barco de papel, 
restrito ao horizonte limitado do seu lago,
e destinado a naufragar.

O poeta místico, meu caro,
não é como o barco de papel na superfície do lago;
é, sim, como a criança que fez o barco
e que, na sua inocência,
ali enxerga um imponente navio.
Ela o torna real em seu pensamento
e, mais tarde, na sua vida.
Porque é isso que o pensamento faz!

O Alberto franziu a testa, numa expressão de quase contrariedade, fazendo um silêncio interminável. Por fim, abusando da sabedoria incompreensível que lhe é peculiar, saiu-se com esta:

"- Gosto de Crianças!"

E continuamos amigos.

Gilberto de Almeida
03/09/2013


O Guardador de Rebanhos - XXVI

(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

Às vezes, em dias de luz perfeita e exata, 
Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Por que sequer atribuo eu
Beleza às cousas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer cousa que não existe
Que eu dou às cousas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então por que digo eu das cousas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as cousas,
Perante as cousas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Deus em tudo


Gilberto de Almeida
02/09/2013