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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Massificar


(Mariana Nagano)

As estatísticas
e as massas
são como massa
de pizza:

- manipula-se
- e como!
- quiser!



A menina e o cipreste


Gilberto de Almeida
31/07/2014



quarta-feira, 30 de julho de 2014

Uma andorinha


A igreja só
não faz verão,
mas a andorinha,
matreira
(que Deus lhe pague!),
na minha mão,
mais vale dois
voando!

Por mais que eu queira,
por onde ando
não tem milagre!

Gilberto de Almeida
30/07/2014



terça-feira, 29 de julho de 2014

O Monstro


Gilberto de Almeida
29/07/2014



domingo, 27 de julho de 2014

O Guardador de Rebanhos - XXXI

(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

Se às vezes digo que as flores sorriem
E se eu disser que os rios cantam,
Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
E cantos no correr do rios...
É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios.

Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes
À sua estupidez de sentidos...
Não concordo comigo, mas absolvo-me,
Porque só sou essa cousa séria, um intérprete da Natureza,
Porque há homens que não percebem a sua linguagem,
Por ela não ser linguagem nenhuma.

sábado, 26 de julho de 2014

É a dor do infarto!



Tum-tum, tum-tum...
momento intenso
em que eu compenso,
talvez, algum,

algum jejum...
Faltou incenso?
Faltou consenso?
Tum-tum, tum-tum!

A dor urgente
detidamente
esmaga o peito!

Já não tem jeito;
não sei se parto...
É a dor do infarto!

Gilberto de Almeida
26/07/2014




sexta-feira, 25 de julho de 2014

Juros suaves


Gilberto de Almeida
25/07/2014


Querer


Querer, sempre querer... Eis onde estamos:
- perdidos nos caminhos do deserto
hostil, que vãos desejos vêm - por certo!
- impor, quais inclementes, rudes amos.

Querer, sempre querer! Mas convenhamos:
- deter, possuir, reter é um desacerto
que um dia a vida põe a descoberto
à luz da consciência... e nos curvamos!

E logo percebemos, mais adiante,
que o mundo do querer é uma ribalta,
sinistra pantomima inebriante;

e livre da ilusão, nossa alma incauta
percebe - finalmente! - num rompante
que a quem querer não quer, nem isso falta...

Gilberto de Almeida
25/07/2014


Economia BR 2014


Gilberto de Almeida
25/07/2014



quarta-feira, 23 de julho de 2014

A morte é renascer


(a uma alma abnegada que acaba de renascer em outra vida 
e a seus parentes, que, deste lado, choram)

Morrer, de fato não existe, é mito!
A vida continua renovada
em outra dimensão, é o que têm dito
os sábios, a respeito da jornada

que, pacientemente, ao infinito
entrega-nos a vida, iluminada;
entrega-nos aos braços de bendito
destino: - a perfeição, a luz, mais nada!

E certamente não se poderia
acreditar, por pouca fé, ou rebeldia,
que Aquele de quem todo amor emana

criasse a dor, a morte: ideia insana!
Creiamos, sim, mas de alma agradecida
que a morte é renascer em outra vida...

Gilberto de Almeida
23/07/2014


Cem olhos em Gaza


Parece que não tem dono,
o abrigo da ONU.
Chega um foguete que arrasa...
... Cem olhos em Gaza!

23/07/2014
Gilberto de Almeida



domingo, 20 de julho de 2014

Cê-cedilha


Aquele que não perdoa
é como um cê-cedilha:

deseja erguer-se e sorrir,
mas sempre existe uma sombra,
um caminho tortuoso
que o puxa para baixo
e o impede de ser feliz!

Gilberto de Almeida
20/07/2014


sexta-feira, 18 de julho de 2014

Esse grito


(Mariana Nagano)

Quanto mais 
eu me Egito,
mais aceito
que esse grito
no meu peito
não tem paz!

Já devora
esta Esfinge!

Já desarma,
fere e atinge,
muito carma
nessa hora.


Esmeril













O coração amargo, a pedra bruta,
a adormecida gema em nosso seio,
o espírito imaturo, fraco, alheio,
a pouca luz que tem, rebelde, oculta.

Que graça há, se a pedra hostil refuta
a força do esmeril em seu anseio
de não brilhar? Que graça? De onde veio
a teimosia tola e resoluta?

Porém, a natureza, em seu constante
pulsar silencioso, enquanto cala,
trabalha sem cessar e o diamante,

da pedra fosca surge, na antessala
da alma, já que a Lei de Deus garante
a dor e o sofrimento, a lapidá-la...

Gilberto de Almeida
18/07/2014


Presente singelo


O Amor de Deus vem cantar
no teu jeito, no teu sorriso...
Também, na brisa, no mar,
e em tudo aquilo em que é preciso.

O Amor de Deus, na ternura,
no afeto, na luz e na graça,
existe na noite escura,
protege, aconchega e abraça.

O Amor de Deus brilha tanto,
que está na dor, no sofrimento,
que nos sustenta no pranto,
inspirando incessante alento.

O Amor de Deus é tão forte
que nos cega, porque, pequenos,
lamentamo-nos da sorte
e desse Amor, que nós não vemos.

Mas, mesmo assim, se revela
a seu momento, em nossa prece,
e vai se instalar na tela
do coração que o reconhece.

E vai envolvendo a alma...
Depois, o enxergamos, disperso,
com Sua presença calma,
por toda parte, no universo.

O Amor de Deus é começo,
é meio e fim, completamente...
E, esse Amor, eu te ofereço
por estes versos, de presente.

Gilberto de Almeida
18/07/2014

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Essa montanha


(Mariana Nagano)

Desesperada,
cheguei ao cume
dessa montanha
que é o meu ciúme!

E na escalada,
a imensa dor 
que então me arranha
os fracos dedos
vê meu amor
quando escorrega
por entre os medos!

Mas não sou cega;
mirando abaixo,
distante vejo
pequeno faixo:

e a luz me invade
- felicidade
de um doce beijo!

Mas na descida
rumando à morte
(não sei seus planos!)
ele me diz
para ser forte,
quiçá feliz,
porque esta vida
é só de enganos!

Enganos? Quais?
Pergunto, aflita!

Ele se agita
e vai dizer...
- não pode mais,
pois vai morrer!

Mas não morreu:
- um forte ramo,
logo o sustenta!

E já que vive
lá no declive,
tenta dizer:
- que desatenta!
Não percebeu?
o engano é o teu,
porque eu te amo...

E então, ferida,
respondo: - amém...
Mas não me escuta,
perdeu a luta;
triste partida:
- não mais, ninguém!

Que vida estranha:
- Nada se ganha!

Cheguei ao cume
dessa montanha
que é o meu ciúme!


A doença e a cura


Gilberto de Almeida
14/07/2014



sábado, 12 de julho de 2014

Brasil e Holanda


Quem dera fosse carnaval!

Gilberto de Almeida
(13/07/2014)


Estranho Palíndromo


(Mariana Nagano)

Diz-me que me ama
e promete o mais lindo mo-
mento de ternura.

Mas, em pé ou de comprido,
eu bem sei o que procura!

Amar é estranho palíndromo:
- não importa em qual sentido,

amar dá drama!


Ciúme


(Mariana Nagano)

Se o cio me vem,
amor, cevai!


Não funciona!

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Mero porém! Esse método tem esse mero porém!
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Gilberto de Almeida
12/07/2014


quarta-feira, 9 de julho de 2014

Respiração do mundo

No verde,
o amor se perde;

no amarelo,
não mais protelo;

no azul,
eu fico nu;

no branco,
eu solavanço;

do meu país,
não sou juiz;

na paz,
eu sou capaz.

Gilberto de Almeida
09/07/2014

Brasil e Alemanha (ou "Sete versos contra um")

No Brasil, tem gente de porre
porque é isso mesmo que ocorre
a quem supervaloriza
um cavaleiro sobre a brisa;
a quem, confiante, se entrega
à ilusão bilionária e cega
que deixa triste herança a pesar

...

do gol de honra do Oscar.

Gilberto de Almeida
(09/07/2014)


segunda-feira, 7 de julho de 2014

Pedra Filosofal

(Rómulo Vasco da Gama de Carvalho/Antônio Gedeão)

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.


domingo, 6 de julho de 2014

Mozart

Atrasado,
alheio a mim mesmo,
ocupado do mundo,
dei a partida
e nem escutei o som do motor.

Foi quando um quarteto de cordas
surgiu no rádio
invadiu o espaço do meu sentimento
e reacendeu-me a alma.

Gilberto de Almeida
07/07/2014



Brasil e Colômbia - II


Tarde de jogo.
Noite feliz.
Lua sorrindo!

Gilberto de Almeida
07/07/2014

Brasil e Colômbia - I é um conto. [clique aqui para visualizar]


Não me esqueço!


Reminiscências de um futuro ameno
onde o verde e amarelo ecoam
a música do devotamento sincero
que brota dos corações brasileiros
num país redimido e sem mágoas...

Mas por agora é a euforia,
o festivo deslumbramento
do futebol.

É a flâmula quadricolor que se estende
por todos os lugares.

São as paredes, é o asfalto,
é onde o entusiasmo patribolístico permite que se inventem figuras pitorescas em cores de chuteiras tropicais.

E essa alegria é um fascínio
que domina e envolve.

E envolvido estou,
envolvido e esquecido.
Esquecido de todos e de mim mesmo...

Terei esquecido de Deus?

...

Até na ilusão exagerada do futebol
e, principalmente, na alegria,

que é um fascínio
de amor que envolve,

enxergo-O!

E envolvido estou
e não me esqueço!

Gilberto de Almeida
07/07/2014


quarta-feira, 2 de julho de 2014

Mais amor

(Vicente Galeano)

Nas ilusões da dor terrena,
ao meditar, penso naquilo
que as faz hostil, austero asilo,
que as torna, então, penosa arena...

Vislumbro qual seria a cena
se o ser humano, bom, tranquilo,
vivesse o amor - a redimi-lo
- numa atitude mais serena...

Sonho com isso, todo dia:
- que a luz divina se derrame
por sobre nós, bondosa e pia;

que o homem, pronto, então, se inflame
de mais amor, mais harmonia,
que menos queira e que mais ame...


terça-feira, 1 de julho de 2014

Brasil e Chile


Gilberto de Almeida
01/07/2014