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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Cenas em um Shopping - XXVII

(O Espelho Envenenado)



Por sob o cabelo vermelho
passou de nariz empinado
a própria soberba, em pessoa!

Mas eu que, por lá, andava à toa
pensei se ela não tinha espelho
ou se ele estava envenenado!

Gilberto de Almeida
28/02/2013


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Homo celularis




Ao lado da vida
Homo celularis
registra o mundo.

Arqueologia do futuro.

Gilberto de Almeida
27/02/2013


Cenas em um Shopping - XXVI

Tal como ela vinha,
sem atenção
e afoita,

deixou a gordinha,
a educação
na moita.

Gilberto de Almeida
27/02/2013


Trem Urbano - I

Aí Cai do Trem



Onde é que se viu?
Nem bem cabem cem,
mas entram uns mil!

Gilberto de Almeida
27/02/2013


Compromisso

(Vicente Galeano)

Eu, todo o tempo, deveria
Me concentrar somente nisso:
Na caridade - todo dia -
Fazer o bem, não ser omisso.
Porém, confesso - e não queria! -
O quanto estou distante disso:
- Se sinto falta de harmonia
É porque peco em compromisso!


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O amor mostra o caminho

(Vicente Galeano)

O amor é como o vaga-lume,
sempre a piscar na noite escura
e ao cintilar, breve, resume
essa invejável compostura:
quando se apaga é quando assume
a espera plena de ternura,
mas depois brilha e, sem ciúme,
mostra o caminho a quem procura!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

"Skate"

Antes, porém, que eu me deite,
sob o sol desta manhã,
com mais de cinquenta anos,
lembro a mim que andei de "skate"!

O resto são perdas e danos
de que a vida é campeã!

Gilberto de Almeida
24/02/2013


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Cenas em um Shopping - XXV

Duas moças de mãos dadas
trocando sorrisos;
talvez fossem namoradas...
Não faço juízo!
- Tinham auras azuladas...
De que mais preciso?

Gilberto de Almeida
(22/02/2013)


Incultas Produções da Mocidade

(Manuel Maria Barbosa Du Bocage)

Incultas produções da mocidade
Exponho a vossos olhos, ó leitores.
Vede-as com mágoa, vede-as com piedade
Que elas buscam piedade e não louvores.

Ponderai da Fortuna a variedade
Nos meus suspiros, lágrimas e amores;
Notai dos males seus a imensidade,
A curta duração dos seus favores.

E se entre versos mil de sentimento
Encontrardes algum cuja aparência
Indique festival contentamento,

Crede, ó mortais, que foram com violência
Escritos pela mão do fingimento,
Cantados pela voz da Dependência.


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

História da minha vida em três atos


Prefácio


A noite 
da minha vida,
à noite,
na minha vida,

não há noite
na minha vida!


I


A tormenta
da minha vida
atormenta
a minha vida.

Há tormenta
na minha vida!

II


A ventura
da minha vida
aventura
a minha vida.

Há ventura
na minha vida!

III


A pressa
da minha vida
não apressa
a minha vida.

Não há pressa
na minha vida!


Gilberto de Almeida
(15/02/2013)


O Tabaco

(Juliana Paula Landim)

(Minha contribuição para a Campanha de Combate ao Fumo do amigo Gilberto de Almeida)

ENTÃO...

O TABACO
ACABA CO

PULMÃO

NÉ NÃO?


Poesias da Vida - XXXIV

(Juliana Paula Landim)

Os sambistas alegres
de escolas campeãs,
nos delírios de febre
de todas as manhãs,
eles não comemoram!

...

Em seus deslizes
ficam felizes
se os outros choram!


O Gesto Caridoso

(Vicente Galeano)

Encontre aquela paz que tanto almeja
o homem que na angústia se consome,
buscando na atitude benfazeja
do Espírito acalmar a imensa fome!
O gesto caridoso - a chama acesa
que abre, lá no céu, clareira enorme -
lhe sirva de consolo e que a beleza
da prática do afeto lhe conforme!

Seminário


Gilberto de Almeida
15/02/2013


Reviver - VIII

Cinquenta anos fazem que eu morri
e me exilei
na rústica unidade de carbono
conforme a lei.

Da morte mal morrida que eu vivi,
não sendo frei,
bem pouco ou mesmo nada agora abono,
mas tentarei.

Há tantos anos ando por aí
qual falso rei,
mas breve, livre enfim do estranho sono,
reviverei!

Gilberto de Almeida
15/02/2013


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A Palavra

A

LAVRA
NASCE
A PALAVRA
CRESCE

A PALAVRACRESCE

A PALAVRA

.
.
.
ACRESCE

Gilberto de Almeida
14/02/2013

Moda muda


Gilberto de Almeida
14/02/2013


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Eu, Alberto e a nuvem

Esta manhã o Alberto entrou no meu pensamento
quando eu vi uma nuvem
no formato de um crocodilo,
só que de um crocodilo
do gênero Gavialis.

Já vi muitas nuvens na minha vida,
a maioria sem formato algum.

E vi nuvens com forma de cachorro, de porco, de urso, de rinoceronte
e até de crocodilo, também,
porém nenhuma eu tinha visto antes
no formato de um crocodilo do gênero Gavialis,
aqueles do focinho finíssimo
que mais parece um bico comprido.

Mas se fosse somente isso, não teria significado
e de nada serviria;
em nada mudaria o meu dia!
A verdade verdadeira daquela nuvem
é que ela estava em paz
e era mais bonita do que as outras.

E eu pensei então
que aquela paz
e aquela beleza
eram somente porque a nuvem se bastava a si própria
e não tinha expectativa;

dali a um minuto poderia não mais ser um crocodilo;
poderia ser uma cobra
ou um cavalo!

Então tive certeza
de que aquela paz
e aquela beleza
eram somente porque a nuvem se bastava a si própria
e não tinha expectativa;

nada ansiava, nada queria do mundo,
não necessitava de atenção ou de afeto,
nem se importava com isso,
não pensava em amores improváveis ou impossíveis
e algum dia
choveria.

Gilberto de Almeida
13/02/2013


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Um haicai em desenvolvimento

Festa adolescente.
Dever de bem parecer:
projeto de gente!

Gilberto de Almeida
08/02/2013


Felipe

(a meu filho, Felipe de Almeida)


Gilberto de Almeida
08/02/2013




Filho

(a meu filho, Felipe de Almeida)

F estivo explendor
I menso que Deus
L embrou-se de pôr,
H umano, entre os meus
O lhares de amor!

Gilberto de Almeida
08/02/2013


O presente

(a meu filho, Felipe de Almeida)

O meu presente em nada se compara,
meu filho, às engenhocas estupendas
que o mundo de eletrônicos das vendas
o coração, atônito, dispara!

Mas antes, teu presente, na seara
dos meus conselhos simples - pobres prendas
do espírito - se encontra; que me entendas:
é a flor dessa afeição que me é tão cara...

Pois rogo que, ante tudo que te agrade,
ajude o irmão que vive na miséria
e queiras te entregar à caridade!

Supera a tirania da matéria,
supera o egoísmo e eu te juro
que Deus será o presente em teu futuro!

Gilberto de Almeida
08/02/2013

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Derramou

Entrou com o corpo
de fumado
e já com o rosto
deformado.

Desvio de rima
de quem fuma,
mas sem poesia
mais nenhuma.

Sem força no braço
à direita;
na perna, o cansaço,
e se deita!

Querendo que a vida
o derrame,
não fosse a partida,
o vexame!

Viveu sempre a ponto
dum esborro
que agora está pronto:
eu socorro!

Gilberto de Almeida
07/02/2013


Desastre


Taste
Taste this
Traste
Diz traste
Desastre

Gilberto de Almeida
07/02/2013




Poema sem palavras


Gilberto de Almeida
07/02/2013



terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Um haicai de amor filial



(a meu pai)

P orque não estás
A ti vou em prece.
I nvento-te a paz!

Gilberto de Almeida
05/02/2013


O Guardador de Rebanhos - XXI

(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento...

Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural.

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade.
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...


Botões de Poesia
















Eu tirei uns botões de poesia do meu coração,
fiz um buquê 
e o entreguei a você.

Você agradeceu,
sentiu o aroma daqueles versos,
mas estava ocupada com a vida
e seus problemas.

Você os guardou.

Às vezes olhava para a eles,
dentro do peito,
com afeto e saudade
e se entristecia por causa da vida,
por causa dos problemas da vida!

E desses versos assim regados
com uma lágrima de tristeza a cada dia
brotavam tímidas rimas de desconsolo
que não floresciam!

Foi então,
num futuro que não sei onde,
num lugar que não sei quando
que você sentiu o aroma daqueles problemas
do titubear do mundo
e, tomada da magia íntima que emana do coração,
os dominou!

Foi nesse dia,
num futuro que não sei onde,
num lugar que não sei quando
que você percebeu a verdade
guardada dentro do peito
num vaso de pensamento, de lembrança e de saudade...

Então ela floresceu 
num desabrochar imenso
que eu já não sabia como...

Gilberto de Almeida
05/02/2013


O Guardador de Rebanhos - XX

(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que veem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Cenas em um Shopping - XXIV


No restaurante,
a mesa ao lado me mostrou
o que eu já sabia:

telefones celulares
também são controles-remotos
que acionam o sorriso
das pessoas!

Gilberto de Almeida
03/02/2013


A depender da dependência


Gilberto de Almeida
03/02/2013


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Guiamor Novaes
























Esta manhã uma pianista famosa
cujo nome eu não me lembro
fez a música de Chopin
desdenhar da minha tristeza.

E eu escutei as notas todas
como nunca tinha escutado,
até as que ela respirava
e as que o compositor escondeu
num terceiro lado da partitura!

E percebi que, naquele momento,
muito perto de quase tudo
e distante do mundo inteiro, 
eu respirei a emoção que existia
dentro da música verdadeira
que sai do coração do músico
direto para o coração do poeta!

E nesse instante eu morri;
por isso é que agora lhes falo
de um outro sentido da vida
que a médium iluminada
que me enterrou no coração de Chopin
era Guiomar Novaes!

Gilberto de Almeida
02/02/2013

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Eu, Alberto e a Saúva















Era uma única saúva
que levava em seu ferrão
(zonza, zonzinha e cambaleando)
uma folha de árvore
do tamanho dela própria.

Eu sabia que aquele esforço

iria terminar nalguma câmara
no formigueiro
para depois recomeçar!

E a pobre da saúva
que trabalhava duro
para o benefício da sua comunidade,
não era nem mais triste,
nem mais feliz por causa disso.

Pensei, então, 
que caridade e abnegação
eram como a vida da saúva:

- levar uma folha de árvore do tamanho da gente
para o formigueiro
e não ser mais triste nem mais feliz por causa disso,
mas apenas ser.
Porque é assim que se vive
ou é assim que se deveria viver.

Mas o Alberto,
que escutava meu pensamento,
não pensou no formigueiro,
nem pensou na comunidade
e, sereno, me contou

Que a saúva não devia ser caridosa nem abnegada,
Porque Deus não fez os animais com esse tipo de sentimento ou de pensamento
De serem caridosos ou de serem abnegados,
Mas que ela carregava aquela folha sem sentir e sem pensar
E que a sua beleza era essa mesma beleza
De carregar folhas sem sentir e sem pensar
Apenas porque carregar folhas,
É isso mesmo que as formigas fazem!

E eu olhei para o Alberto
e soube que ele tinha razão,
mas que eu também tinha,
porque nesta vida tudo que nós fazemos
- humanos e saúvas -
é carregar nossos fardos;
só que nós podemos pensar e sentir
e ser caridosos e abnegados,
mas as saúvas, não;
no entanto, mesmo não podendo ser caridosos e abnegados,
muitas vezes esses pequenos insetos o são
bem mais que eu
e bem mais que nós!

Gilberto de Almeida
01/02/2013



Ação


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Ai, se o padre do porão sair... amar... Ia soar o poder da poesia!
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Gilberto de Almeida
01/02/2013