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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Essa Covinha... V

José Gilberto Tristão de Almeida
(Publicado no jornal “O Comércio da Franca” – Ano desconhecido)



Se devo nos meus versos ter a graça
que em teu sorriso em teu semblante mora,
prefiro, por modelo, leve taça
embebida de luz e alvor da aurora

Concha que o sol primaveril abraça
e o sol de inverno levemente cora,
gota serena, límpida, sem jaça
que em teu olhar, às vezes, se demora.

Se, no cantar, primeiro que a beleza
dos versos, é a da imagem que dá gôsto,
eu quero celebrar da natureza

aquilo que melhor nela está posto
tomando, ao teu perfil, bela princesa,
essa covinha que tu tens no rosto.


Encontrei um coração

Passei prá dar um oi,
encontrei um coração.
Mas ela já se foi!
Foi não, foi não...

Gilberto de Almeida
30/04/2012

domingo, 29 de abril de 2012

Canção do Dia de Sempre

(Mário Quintana)

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,


Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...


O tempo

(Mário Quintana)

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.


Um haicai sobre amizade

Queria que todos os meus amigos soubessem
Que sempre só os quero bem.
Será que vocês não esquecem?

Gilberto de Almeida
29/04/2012


By, Depressão!

Quando eu acordei foi como
Se eu tivesse acordado de um coma.
Mas como saber se foi como
Se eu nunca tinha estado em coma?

Gilberto de Almeida
29/04/2012


Vida prá Sempre

Tem gente que entra na vida
Da gente e a vida da gente
Nunca mais será a vida
De antigamente.

Gilberto de Almeida
29/04/2012

Andorinha Matreira



















Gilberto de Almeida
29/04/2012

sábado, 28 de abril de 2012

Estrada das Cruzes

Pela estrada das cruzes
na escuridão trafeguei...
Só a estrada, sem luzes
na noite que  enfrentei.

- O que há lá, meu pai?
Por que tantas cruzes enfileiradas
a ladear a estrada nesta noite escura,
sem estrelas nem brilho?
- Meu pai, o que nos espera?

Eu não sabia. - Eu não sei!

O que sei somente é que... ai
daquele que procura
assustar meu filho.
Esse verá o pai
se transformar em fera!

Gilberto de Almeida
28/04/2012

sexta-feira, 27 de abril de 2012

- Bravo, Bailarina!

(Dedicado a minha filha Carolina)

De longe assisto a essa beleza
Que dança e brinca alegremente
Com tanta graça e tal leveza
Que encanta o coração da gente.

Mas que alegria e que destreza
Saltita no tablado à frente!
Já o seu sorriso de princesa
Conquista-me, perdidamente!

E dobra e estica a sapatilha
Da dor humana à luz divina.
Desliza altiva, cresce e brilha!

E ao ver tão  linda bailarina,
O amor de pai se curva à filha
E grita: - Bravo, Carolina!

Gilberto de Almeida
27/04/2012


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Onze haicais numa tarde de chuva

Cai a chuva fria:
Deságua do céu a mágoa
Que nos arrepia!

Longe relampeja!
Trovões a plenos pulmões!.
Oh, Deus! Que assim seja!

Temeroso eu juro
Enquanto nos cobre o manto
Do céu negro-escuro.

Procuro um abrigo
Da ira que o céu atira
Com fogo e perigo.

Animais molhados
Parecem não ver que descem
Trovões inflamados!

Já dentro de casa,
Aproveito a chuva e deito;
Bem perto da brasa...

E Descansa agora
Molhada, a roupa jogada,
Da chuva lá fora.

Eu, deitado à toa
O ruído gostoso no ouvido
Da amena garoa

Sou rei em meu trono:
A chuva e o fermento de uva...
Que então venha o sono...

Acordo tranquilo
Passara a chuva? Tomara.
Lá fora, um esquilo.

E à janela, o que é?
A fonte... lá no horizonte?
O arco... de Noé!


Gilberto de Almeida
26/04/2012

Enquanto você me abraça

Quando você me envolve
No carinho gostoso
De um abraço dengoso,
Tudo aqui se resolve:

Mágoas que a dor revolve,
Todo olhar rancoroso,
Num abalo estrondoso
Meu coração dissolve!

Esse abraço sereno.
Revoga toda dor:
E o ser torna-se pleno,

Pois se você me abraça
Tudo no mundo passa,
e só não passa o amor.

Gilberto de Almeida
26/04/2012


quarta-feira, 25 de abril de 2012

terça-feira, 24 de abril de 2012

Regime Atroz

Regime
Atroz!
A nós
Deprime.

Sublime
Algoz,
Feroz
Se exprime:

- Não chora!
Votou
Na Gente?

- Tomou!
Agora
Aguente!

Gilberto de Almeida
23/04/2012


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Bom Trabalho

Não quero mais ser
aquela pessoa
que trabalha à toa
sem luz nem prazer.

Somente afazer
agora me enjoa;
se for coisa boa,
irá enternecer.

Por isso procuro;
por isso lhes juro:
- não quero dinheiro,

sequer um vintém,
se não for primeiro
pra me sentir bem.

Gilberto de Almeida
23/04/2012

Simbiótica
















Gilberto de Almeida
22/04/2012

Pressa


Entrou de repente!
Chegou com uma pressa...
Estava atrasado
Não deu “Bom dia”
Não sorriu.
Nem viu ninguém não,

Porém, todos os ninguéns que ele não viu não, mas que ali estavam
O observavam.

Seu dia, então,
Ruiu.
Foi a agonia
Algo saiu errado
Estava com uma pressa...
Ficou tudo pendente!

Gilberto de Almeida
22/04/2012

domingo, 22 de abril de 2012

Serenidade

Quando nos livramos do medo,
Quando encontramos um caminho
E um estado sereno
Até mesmo as decisões mais duras
E as trilhas mais escuras
Já não nos detêm mais:
É como acordar bem cedo
E sentir-se pleno
Ao receber um carinho!

Gilberto de Almeida
22/04/2012


sábado, 21 de abril de 2012

Haicais Acrósticos - Série "LUA"


Luz serena e pálida
Ungindo o semblante lindo,
Ao vir, doce e cálida.
Lívida de medo -
Um guia - no céu vigia
Ancestral segredo.
Linda, ela aparece...
Um brilho ilumina o trilho
Ao descer em prece.
Lua iluminada
Unida à fonte da vida,
Ao mundo ancorada.
Lobos em teu nome,
Uivando esta noite quando
Aparentam fome...
Luz branda de frio
Urdida, e assim refletida
Ao longo do rio.
Lua sem luz o que é?
Um vulto, no céu oculto?
Algo existe...É a fé?
Lágrima prateada
Ulula do céu, especula
A sós, se é casada.
Lá brilha São Jorge,
Ultor, santo caçador
A cavalo e alforje!
Levado e preciso:
Uma minguante nos dá
Aquele sorriso!
Gilberto de Almeida
21/04/2012

O Dia da Criação


(Vinicius de Moraes)
Macho e fêmea os criou.
Bíblia: Gênese, 1, 27


I


terça-feira, 17 de abril de 2012

Cinco haicais sobre Amizade

Quem é bom amigo
Não nega ajuda, se apega,
Não fica no abrigo!

Com meu preconceito
Eu digo não, meu amigo:
Você dê seu jeito!

Precisas de mim?
Não ligo se tem perigo:
Eu vou mesmo assim!

Que bom encontrar
Amigo sumido, antigo,
Que vem prá ajudar!

E aquela alma boa
Que ajuda quieta (e sai muda)
A qualquer pessoa?

Gilberto de Almeida
16/04/2012


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Alma boa


Ontem: uma alma boa me falou,
no mundo, da bondade que existia,
mas não usou palavras nesse dia;
austera, docemente demonstrou.

No ar, com dedos mágicos, mostrou...
Algo divino, aos olhos exibia,
regendo ao mesmo tempo a melodia,
canção dos anjos bons que desenhou.

Mostrou-me um hospital feito de dança,
cantigas de humildade, paz e cor,
e erguido com paciência e temperança

por médicos de almas e de amor...
E foi assim, com vívida esperança,
que esta alma boa aliviou-me a dor!

Gilberto de Almeida
16/04/2012

Cinco haicais sobre Depressão


Depressão Ingrata!
Sustento o teu tratamento
e 'inda me maltrata!

- Deprimido tenta
fazer e faz... Pode ser?
- Não vem, nem inventa!

Depressão não bate;
tritura, espanca, tortura,
escalpela e abate!

Sofri por olhar
a triste criança... Tu viste?
Sofri por estar.

A mente descansa
no fundo do poço imundo
sem mais esperança.

Gilberto de Almeida
16/04/2012

 

Pequeno Dicionario de Antônimos

Pequeno         Gigante
Ameno            Brilhante
Sereno            Arrogante
Pleno              Barbante

Gilberto de Almeida
16/04/2012

domingo, 15 de abril de 2012

Como sou, não consigo

Um esforço enorme para ajustar a vida,
Uma busca fatigante:
- busco aquele que fui um dia,
- busco aquele que posso ser.

Não quero ser um gigante.
Aliás, preferia me esconder
Até que, por milagre, essa agonia
Encontrae sua derradeira partida.

Mas não é assim que funciona,
Cada um com seu fardo,
Tem que romper com as decisões antigas;
Buscar as novas, afrouxar os laços.

Talvez tenha que sair da redoma,
Dar a cara a bater, o desafio árduo
Enfrentar para que consiga
O direito tênue a um outro espaço.

Mas como sou, não consigo, não de verdade.
Tanto tenho que me move para trás
Por isso a Deus imploro a paz,
Que me faça pequeno
E que me dê humildade.
Que me dê humildade!
 
Gilberto de Almeida
15/04/2012


Romance

(Guilherme de Almeida)

E cruzam-se as linhas
no fino tear do destino.
Tuas mãos nas minhas.

Quatro Haicais sobre o Casamento

Se algum casal briga,
Qualquer motivo que houver,
Um deles desliga

Depressão a Augusto dos Anjos

Vivendo a minha amaldiçoada sina
amargo, depressivo e melancólico,
alma contrita em duro espasmo cólico,
vazio de vida e sem serotonina,

enxergo, pelo prisma da neblina
escura desta mente em surto alcoólico,
o mundo insano, pútrido e estrambólico
que me devora e as forças elimina;

mas, luto contra a dor e o sofrimento
e tento sempre, incontinenti eu tento,
vencer a vaga que meu barco aderna

e - mesmo esfacelado, ansioso e frusto
- furtar das mãos, o meu futuro Augusto,
Dos Anjos da tristeza e angústia eterna!

Gilberto de Almeida
14/04/2012


sábado, 14 de abril de 2012

Cada Dia um Poema

Cada dia um poema, esse é meu lema;
pois há tanta beleza na vida
(tanto alegre, quanto sofrida)
que um poema a cada dia
é lembrar-me dessa beleza
já e forma resumida.

Gilberto de Almeida
14/04/2012


Com sono, um soneto.


Com sono não é possível
fazer algo diferente
daquilo tudo que a gente
faria – isso é previsível.

A mente está nesse nível
de torpor, que já não sente
- lá no seu corpo dormente
- mais nada do que é sensível.

E embora o sono sossegue
Oocorpo, como o cianeto
há aquilo a que ele se entregue

tingindo o branco de preto.
Eis tudo que ele consegue:
criar, com sono, um soneto!

Gilberto de Almeida
13/04/2012