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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Verdade



Gilberto de Almeida
31/12/2012
 


Fim de ano

Todo fim de ano bate aquela tristeza
por não haver realizado

o quê?

Não sei; todo fim de ano falta algo!
Algo que talvez eu tenha desejado realizar
e não realizei.

Mas eu acho que sempre falta é exatamente aquele outro algo,
exatamente aquele que eu não desejei realizar
e também não realizei.

Temo que seja alguma coisa que a alma, sorraterira, procura,
mas a razão não atina
e por isso não pode desejar.

Por isso, este ano
o que eu desejo
é não desejar mais nada,
nem com a razão,
nem com a alma!

Quem sabe assim,
ausente de mim mesmo,
como observador distante e desapaixonado de minhas vontades
eu então consiga
sei lá o quê!

Gilberto de Almeida
31/12/2012


domingo, 30 de dezembro de 2012

Conversa com um cidadão acomodado

 
 
Gilberto de Almeida
30/12/2012
 


sábado, 29 de dezembro de 2012

Este amor sublime

 



Gilberto de Almeida
29/12/2012
 


Cenas em um Shopping - XVII

Na livraria do Shopping,  
a funcionária virou
 para atender ao freguês
que perguntava onde estava
 a poesia, os poemas.
 
Seu sorriso inesperado,
tão pungente, confessou:
- a poesia sou eu
e o poema, já se sabe:
você irá escrever depois!
 
E disse isso de tal forma
que foi como se tivesse
dito mesmo o que não disse;
 
E disse isso de tal forma
que mesmo não tendo dito,
profetizou-se um poema!
 
Gilberto de Almeida
29/12/2012
 
 


Quadra

Eu queria escrever uma quadra,
mas sou tão ruim de escrever quadras
que chamei um arquiteto
e fui jogar futebol!

Gilberto de Almeida
29/12/2012

Dois mil e mais

  
Eu desejei, sim, que dois mil
e treze fosse um ano bom:
que, como as águas, pelo rio,
fluisse sempre ao mesmo som!
 
Mas - se pensar - um ano hostil
eu preferia: um ano com
austera luta, e um desafio
que me vencesse por "Ippon"!
 
Pois sim! Prefiro um ano vil,
que, a cada sol, lapide a alma
a esmorecer na vida calma!
 
- Que venha então! Teste-me o brio!
Que o ano novo enterre o enfado
e não me encontre acomodado!
 
 Gilberto de Almeida
29/12/2012
 
 


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Jesus

J á houve
E ntre nós -
S  abemos disso! -
U m anjo
S  em asas!

Gilberto de Almeida
28/12/2012

Cenas em um Shopping - XVI

Primeiro ato:

vejo uma adolescente e um senhor
que julgo ser seu pai.
Ela parece insatisfeita;
faz gestos dramáticos!
Em breve se separam.
Cada um para um lado.

Segundo ato:
(trinta minutos passados)

vejo uma adolescente e um adolescente,
braços envolvendo-se pelas cinturas,
sorridentes!

Não vejo o pai.

Gilberto de Almeida
28/12/2012

Cenas em um Shopping - XV

No interior do shopping,
pessoas em fila,
bem paradinhas,
bem organizadinhas
aguardavam diante de um balcão
onde uma plaqueta dizia:
 
SEM
PARAR
 
Gilberto de Almeida
28/12/2012
 
 
 

Cenas em um Shopping - XIV

Pelo shopping passeavam
um jovem tagarela
e seu cachorro.
 
Os dois sem focinheira!
 
Gilberto de Almeida
28/12/2012
 
 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Três haicais brincando com os filhos

(Para Carolina e Felipe)
 
Brincando de paz,
se esvai, em transe, esse pai
e a moça e o rapaz.
 
Por entre os folguedos,
valentes, soltam-se as mentes,
pois já não há medos!
 
Parece uma ilha
sem mar, pr'a gente brincar:
o pai, filho e filha!
 
Gilberto de Almeida
27/12/2012
 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Ondas

 
 


Gilberto de Almeida
26/12/2012
 
 


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Natal



Gilberto de Almeida
24/12/2012
 
 


domingo, 23 de dezembro de 2012

Muralha da China

(Clara Mantelli)
 
Muralha gigante
consegue tornar
o que é perto, distante...
 


Oito haicais sobre a muralha da China



 
A enorme serpente
chateia, mas não bloqueia
a vida da gente!
 
Se eu olho pro sol
sem pressa, a calma atravessa
o império mongol.
 
Há o sol que se espalha
calado, de cada lado
da grande muralha.
 
A luz que ilumina
elege alguém que protege
da história da China!
 
De longe se enxerga
a ação de separação
que ao cosmo se enverga!
 
A grande muralha
um verso em grande universo:
- a grande migalha!
 
Saí da muralha.
Descrente, andei para frente...
...cheguei na muralha.
 
Estavam banhados
os povos, antigos e novos,
de luz, dos dois lados!
 
Gilberto de Almeida
23/12/2012
 
 


Esquecimento




Deixei pegadas pelo Alasca,
inerte, ausente e sonolento.
Aguardo a próxima nevasca:
- que venha a mim o esquecimento!

Pois Deus, perante uma borrasca,
noss'alma de anjo desatento
lapida, cuida, expõe, descasca
e nos refresca o pensamento.

E a Divindade, o Amor Paterno,
há de esquecer-nos as passadas.
Eis a bondade, a luz do Eterno:

- por mais que tenham sido erradas,
vem outra neve, noutro inverno,
e, ao caminharmos, mais pegadas!

Gilberto de Almeida
23/12/2012


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Poesias da Vida - XXX

(Juliana Paula Landim)

Não tenho carro!
Às vezes volto do trabalho de carona
com a Renata, minha amiga,
mas agora ela viajou!

Outro dia estava com ela
e um balde de testosterona
passou voando baixo pela esquerda
e grudou na traseira do carro que ia à frente!

E ficou grudado!
Até que resolveu sair pela direita!

Ego dilatado, era perceptível!
Muita testosterona, claro!
Pouca inteligência, com certeza!
Nenhuma maturidade, é lógico!

Não gastava nem cinco minutos com um tipo desses!

Uma florista me contou

 
nota: este é um poema para ser cantado, ou seja, é uma canção. A melodia é a de " Wouldn't it be loverly", cantada adoravelmente por Audrey Hepburn, interpretando a vendedora de flores Eliza Doolittle, em My Fair Lady, que a foto acima me fez lembrar. Vale a pena clicar no link e rever a cena!
 
 
Foi a Eliza Doolittle quem
certo dia, com dó de mim,
me convenceu que a vida tem
"algo bão demais..."
 
Simplesmente, falou assim:
que "o futuro, não muito além,
se mostrará tão belo, enfim,
será bão demais..."
 
"- só precisa de plantar flores no jardim,
rapaz!
e elas vão brotar, meu bem,
e isso será bão demais!"
 
Dona Eliza, tão simples, vem
me mostrar que não é o fim;
"é plantar flores para alguém,
que será bão demais,

bão demais...

bão demais...

bão demais...

bão demais..."
 
Gilberto de Almeida
21/12/2012
 
 

Encantamento

 
 
Demorei um certo tempo
para entender o segredo
oculto dos girassóis.
 
Passou-se um dia e uma noite,
mas - penso - compreendi
a natureza do encanto:
 
- na natureza do encanto,
o encanto da natureza
vem, por certo, de um lugar.
 
E os girassóis reconhecem
e ao mesmo lugar se curvam
todos os dias da vida.
 
Gilberto de Almeida
21/12/2012
 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Soneto por um natal mais concreto



Gilberto de Almeida
20/12/2012
 
 


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Sobre o amor

Sobre o amor é o que eu queria
escrever hoje sobre o amor
é o que eu queria hoje
escrever é sobre o amor.
 
Mas sobre o amor não é possível
por causa de toda sua grandeza
e então é abaixo dessa grandeza
que eu escrevo
sob o amor.
 
Gilberto de Almeida
19/12/2012
 

Início

F orça para
 I   niciar
M elhor!

Gilberto de Almeida
19/12/2012

Se as palavras fossem flores

Se as palavras fossem flores
eu diria à primavera
que as palavras, minhas dores,
são a angústia duma espera!
Gilberto de Almeida
19/12/2012

Brochada dupla



 















Um casal de fumantes conversava.
 
- Sabe o que é... eu fumo, e entrei em menopausa precoce!
- Não entendi... Qual o problema com isso?
- É que eu já não tenho mais aquele desejo...
- Não tem importância! Eu também fumo!
- Mas e daí? Isso não vai mudar o meu desejo...
- É que eu já não tenho mais aquela ereção!

Gilberto de Almeida
19/12/2012

Menopausa precoce



Se apenas eu soubesse - é o que dizia
a idosa moça, mais para senhora
- soubesse que o cigarro me traria
a menopausa tão aquém da hora,
eu juro que nem mesmo por um dia
fumava, mas fumei: que faço agora?
 
Gilberto de Almeida
19/12/2012
 
 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O que mais queria

A avozinha internada
- câncer.
Pediu por um cigarro!

A netinha chorava
- no dia seguinte.
Pediu pela avozinha!

Mas nenhuma das duas
podia  agora
ter o que mais queria!

(Este poema, infelizmente, foi baseado numa história real)

Gilberto de Almeida
18/12/2012

Poesias da Vida - XXIX

(Juliana Paula Landim)

Não sou feminista - vivo noutra época!
Agradeço às feministas do passado,
que me abriram as portas
(coisa que os homens já não fazem mais!)!

Sem rancor,
tenho meu emprego,
tenho minha dignidade,
tenho meu respeito.

Por isso tudo, agradeço às feministas do passado.

Mas não sou feminista - vivo noutra época!
Não luto por direitos das mulheres;
luto por direitos das pessoas!
Sempre!

Acontece que ontem eu estava num bar
e havia três pessoas e duas cadeiras;
os dois homens se sentaram,
e deixaram a mulher em pé...

Um senhor que estava em outra mesa
(senhor de outra época, por certo!)
levantou-se e levou a própria cadeira para a moça se sentar.
Achei lindo!
Ela recusou; ele insistiu!
Ela recusou de novo; ele insistiu de novo!
Ela recusou!

Quando o senhor voltou ao seu lugar
nenhum dos dois homens teve a inspiração
de o imitar
e a mulher continou em pé...

Então, irritada, me perguntei o que eu seria, de verdade:

seria eu feminista (apesar de não admitir o rótulo!),
            por reivindicar o direito a uma cadeira para aquela mulher;
ou seria machista,
            por considerar a hipótese da fragilidade feminina?

Definitifamente, tenho impressão (não definitiva!)
de que não sou feminista
- e gostaria de viver noutra época!





Poema de Fim de Mundo

(18/12/2012) Este á um poema que começa hoje...
(19/12/2012) Continua na antevéspera...
(20/12/2012) Na véspera...
(21/12/2012) E continuará amanhã...
(22/12/2012) Quando o mundo não tiver acabado, mas o poema, sim.

Gilberto de Almeida
18 a 22/12/2012

Cianobactéria




















Eu era uma cianobactéria
e no meu pensamento unicelular
tudo era límpido e cristalino.

Até que uma onda me virou
e eu vi o céu.

Foi então que,
mesmo de dentro do meu pensamento unicelular,
percebi que me esperava 
uma longa evolução!

Gilberto de Almeida
18/12/2012


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Tarde demais!



Gilberto de Almeida
17/12/2012
 


Eu, Alberto e o filtro violeta























Nem todos sabem que o Alberto,
quando não está na maleta, nem no bolso
o levo comigo em pensamento.

Assim, quando certa manhã, ao olhar para o mar e para o céu,
me deparei com aquelas cores estranhas,
o Alberto, de dentro do meu pensamento, percebeu e disse:

- Sabes que eu não compreendo a tecnologia,
mas porque não experimenas remover o filtro violeta.
Aí verás as cores como elas são!

E essa frase me soou enigmática, por dois motivos:
- porque vinha do Alberto;
- e porque eu estava vendo aquela cena a olho nu!

Gilberto de Almeida
17/12/2012

domingo, 16 de dezembro de 2012

Corinthians

 

C ada vez que, no horizonte,
O nde explode essa alegria
R etumbante que hoje existe,
 nflamando-se na fonte
N atural da rebeldia -
T anto a alegre, quanto a triste! -
H á aquele que me conte
 I  gualmente e todo dia
A lgo assim, bandeira em riste:
N em que a morte nos afronte!,
S ou Corinthians, sim! Sorria!
 
Gilberto de Almeida
16/12/2012
 
 

 

Porta entreaberta

 
 
 
 
Gilberto de Almeida
16/12/2012
 
 
 
 

Poema de aniversário em doze atos

(em memória ao primeiro dia nove de dezembro dos próximos cinquenta anos)

Prólogo - Despertar
 
Quando o poeta acordou no ano de seu aniversário,
logo percebeuu que estava atrasado!
O despertador (esse novo tipo de despertador que ele ainda não conhecia!)
tocara havia algum tempo. E ele ouvira. Claro!
 
Mas não se levantou de pronto.
Estava exausto!
O corpo era pesado demais para as exigências daquela passagem dos quarenta e nove para os cinquenta anos:
- Precisava emagrecer! – pensou
- Preciso me livrar desse excesso de matéria inerte
 
E, ainda vitimado pela inércia de um sono de quase cinquenta anos,
os pensamentos davam passadas lentas e pesadas
pelo território praticamente virgem de sua consciência.
 
Para que ele estava despertando hoje?
 
Se a perguntar era fácil, a responder era quase impossível!
 
Para a consagração! Consagração de quê?
Meio século de orgulho! Orgulho de quê?
De nada!
Ninguém havia dito obrigado!
 
E assim, semiadormecido, nesses derradeiros instantes em que tentava se desvencilhar
dos grilhões que ainda o acorrentavam a uma existência desprovida de propósito,
a esse entorpecido mundo de labuta cotidiana
(esse estranho mundo de sonhar em vigília)
o poeta, naquela manhã de domingo, percebeu que acordava atrasado para a vida.
 
Quando, finalmente decidiu se levantar
Era tarde demais!
 
Mas ele se levantara ou não?
Então, talvez ainda não fosse tarde demais!



Primeiro Ato - Amor em Trânsito

Dirige o pai, a vida, agora:
conduz a si, conduz a filha!
Conduz o amor que, ao lado, brilha,
O amor que o pai, sofrido, adora.

E assim dirige e vão-se embora
Em seu trajeto e a cada milha
mais perto fica a sapatilha
do palco, a casa onde ela mora!
 
E o mundo inteiro, sorridente,
bendito, plácido e correto
espera a ambos mais à frente.
 
Mas, no programa predileto
receia o pai, que não aguente,
ver tanto amor, ver tanto afeto!
 


Segundo Ato - Parêmia
 
No estacionamento,
com calma, elevando a alma,
espera o momento.
 
Agora sozinho,
serena sua vida pequena:
um redemoinho!
 
E doce parêmia
o alcança e traz a lembrança
de sua alma gêmea.
 


Terceiro Ato - Amor em Linha Reta
[Parodiando Amor de Poeta (meu mesmo)]

Que Deus brinde às mulheres, com veemência:
àquelas que, ao amarem um poeta,
expulsem-nos da vã circunferência
e os façam ver o amor em linha reta:

não por ardil, baixeza ou truculência,
mas por amar, pois só o amor completa!
O afeto que assim nasce é a evanescência
de Deus, e o amor divino é o que acarreta!

Desejará o poeta ser detento
do amor que tem, do amor de que precisa
bem mais que a liberdade: mais que o vento!

Que Deus leve à mulher amada o alento
que a afague eternamente como a brisa
e junte a seu poeta, a poetisa!



Quarto Ato - O Poeta Cantou




 

Quinto Ato - O Presente de Dosslmeyer

I

Foi quando o poeta percebeu a centelha
em todos os lugares.

Estava no sorriso,
estava no movimento,
estava no cenário,
estava na platéia,
estava em Dosslmeyer.

II

Festa de natal e a pequena Clara
encanta-se com o quebra nozes.
Os convidados dançam
com a centelha divina
e já não são bailarinos;
são mônadas possuídas
de amor celestial.

Agora trazem fogo
dos céus
para os sorrisos
e movem-se como Deus quiser.

Para alegria de todos
Deus quer mais e melhor do todos jamais quiseram.

E o poeta chora.

III

A centelha acende a vida
em cada olhar embevecido
na platéia.

IV

          Flocos de neve...
                                             Ah, flocos de neve...
A filha do poeta
                                                                     é um floco de neve...
                   Ah, flocos de neve...
                                                       Enquanto eles dançam
mais uma vez
                            o poeta chora...


V

Quando os anjos parecem anjos,
que luzes são aquelas?

VI

No reino dos doces, os árabes flautistas dançaram valsa russa com os chineses enquanto espanholas apanhavam flores.

Mas outros dizem

que as doces flautistas russas valsaram sobre as flores que os árabes colheram para as espanholas, que tinham ciúmes das chinesas.

E outros ainda disseram

que essa coisa toda era invenção da cabeça da jovem Clara,
que estava em estado de êxtase!



Sexto Ato - Dessa vez, sem shoyu

 
No almoço do poeta com a bailarina
foi servido um etéreo risoto de ternura com alcachofras.
E de sobremesa, peras com amor e vinho.
 
Nem faltou shoyu!
  


Sétimo Ato - Correria


 


Oitavo Ato: submerso

Jogou-se inteiro na banheira
depois de tanta correria:
por breve instante desistia
desse vazio da vida inteira!

Não que quisesse ou que não queira,
mas era assim que decidia:
deixou o passado sobre a pia
e uma toalha na cadeira!

E logo, entorpecido e imerso
nos sonhos, livre, e em santa paz
vagou por todo o universo...

Mas soa o alarme de Alcatraz!
E escapa-lhe pesado verso:
- Acorda! Que eu morri demais!



Nono ato: oração

I

Deus pai misericordioso,
agradeço pelas maravilhas que criastes e com as quais nem sonho,
e por haverdes semeado vossa centelha 
em todos nós.

Essas maravilhas e a centelha divina que existe em nós
são a expressão do seu amor glorioso
e, assim, me deveria bastar
e eu não vos deveria pedir mais nada,
mas da insanidade do meu egoísmo não dominado
e aflito por sua benção
vos peço:

Derramai sobre mim
uma gota da vossa misericórdia
para que eu me converta ao bem supremo! 

II

Meu senhor, Jesus Cristo,
fonte inesgotável de amor,
carpinteiro de homens e de almas,
sopro de Deus, criador da Terra e de tudo que nela habita,

sou grato pela vida e por me teres enviado teus anjos
para que chamassem a mim e a tantos outros.

Sou grato por haveres enviado a legião de espíritos do bem
que em breve farão da Terra um lar em que se praticará o amor verdadeiro
por todos os cantos.

Nada tenho nada pedir-te que já não me tenhas dado
e essas mesmas coisas que agora são o meu alento,
esses teus enviados que me guiam e amparam,
se há algo que te posso pedir
é que permitas que eu seja digno
de continuar a merecer a atenção maravilhosa
de teus enviados!

III

Meu mentor espiritual, meu amigo, meus amigos,
que aqui estão comigo e têm estado há tanto tempo,
que não desistiram de mim,
mesmo quando eu dei todos os sinais de que não merecia sua dedicação,
como posso não os amar do fundo do meu coração e da minha alma?

Ah! Como eu os agradeço por me haverem inspirado desde muito
a praticar as mudanças que venho, com sua ajuda, operando em minha vida!

Como eu os agradeço por não me haverem dado tudo que peço em minhas orações,
porque no momento errado, mais me fariam mal do que bem.

Como eu os agradeço por me darem o que eu preciso, mais do que o aquilo que eu peço!
E assim fazendo, por ajudarem a seguir o melhor caminho.

Que pai trataria um filho com tanta sabedoria e bondade quanto vocês me têm tratado?
Meus amigos eu os amo e os agradeço do âmago da minha alma,
pois sem vocês esta existência estaria perdida
e agora tenho a oportunidade de aproveitá-la.

E eu lhes peço, com a audácia de um amigo que pede a outro,
que, por favor, não me desamparem,
que continuem acreditando em mim, embora eu não o mereça,
que continuem me dando bons conselhos, me desviando dos maus pensamentos e,
que acima de tudo, me ajudem a ser menos egoísta e menos orgulhoso
para que o restante possa acontecer.

IV

Mãe,

Se eu não a agradecesse aqui, seria um filho abominável!
Sei que tem visto meus erros e meus acertos e, com a enormidade do seu coração,
tem suportado minha ingratidão há anos,
tem me perdoado
e tem querido o meu bem.

Peço o seu perdão
por toda vez em que você me quiz dizer o que já sabia
e eu fui surdo!

Agora pago o preço de iniciar a jornada
que já poderia estar trilhando.

Mãe,

Todo o meu carinho, todo o meu amor, toda minha gratidão
e a intenção sincera de percorrer o caminho até onde você está
são a compensação pequena que lhe posso dar por enquanto.

Quando eu aí chegar,
todo esse amor
me colocará de joelhos
a seus pés.



Décimo ato - Jota Gê

O amor de filho me atravessa a alma,
e espera, em breve, reencontrar, mais leve,
o amor de pai, que tranquiliza e acalma.
 


Décimo Primeiro ato - Afeto

Que bom que existe o telefone celular, a internet, o telefone comum;
Que bom que existe a casa da gente e o carteiro sabe onde o poeta mora;

E alguém inventou a Guitarra Elétrica e o violão e que bom que há quem toque;
E Deus criou o homem e a mulher e que bom que lhes deu a voz e o canto;
E também inventaram a saudade e também o reencontro. Que bom!

Que bom que inventaram o sanduíche de metro sem carne para um poeta pobre poder comemorar a intenção de ser melhor, sem ter que matar animal algum;
Que bom que inventaram o bolo de aniversário e pessoas que insistem em dar parabéns a quem não merece;

Que bom que existem pessoas que se reunem, num ritual de amizade, apenas pelo afeto e pela paz!

Que bom que o poeta percebeu
que tanto pensamento amoroso combinado
é capaz de fazer um ser humano
levitar!

 

Décimo Segundo ato - Desígnios


Quando a madrugada começa
as almas confraternizam
em sonhos ou realidade,
mas qual é qual?

Quando a madrugada começa
as almas que aqui se encontram
são uma gêmea da outra,
mas qual é qual?

Quando a madrugada começa
as almas sempre especulam
sobre o que é certo e o que é errado,
mas qual é qual?

Quando a madrugada começa
as almas sabem que a vida,
redigida sem rasuras,
É tal e qual!

Quando a madrugada começa
A luz do dia ainda é sonho
e a noite já nada faz
de mal... Que tal?

Gilberto de Almeida
16/12/2012