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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Todo dia é natal


Quando eu morrer, 
uma parte imaginária de tudo isto desvanecerá.
Com o corpo, perecerão todas as coisas efêmeras que fiz.

O que restar, em meio a essa desolação fantasiosa,
nascerá das sementes de eternidade que porventura eu houver plantado.

Quando eu morrer, 
no entanto, 
uma parte significativa de tudo isso renascerá.

Porque, para o Espírito, todo dia é natal!

Gilberto de Almeida
30/11/2016

Eu, Alberto e os duendes de Papai Noel


Despertei bem cedo e olhei para o Alberto, que descansava sobre o criado mudo.

Ele estava literalmente verde. 

Para aqueles que conhecem o Alberto, sabem que essa não é, nem de longe, sua aparência habitual. Olhos claros, cabelos também claros (mas que, dependendo da iluminação, parecem acastanhados) e, sobretudo, uma testa muito branca, muito alva. Nada de verde.

Mas, em matéria de Alberto, nada me surpreende. Se ele estava verde, estava. Ponto. 

No entanto, não pude evitar certa divagação, inspirado no matiz esmeraldino do "facies" de meu amigo. De relance - desviando um tanto do caminho, tenho que reconhecer! - lembrei-me de Jennifer Connelly. 

Mas foram os duendes de Papai Noel que tomaram posto nos celeiros de minha mente. Embora não sejam verdes (nem os duendes, nem minha mente). Foi assim, aparentemente sem motivo, que perguntei:

- Alberto, você sabe a estória dos duendes do Papai Noel?

E ele, com a mesma simplicidade (e idêntica profundidade) de quem pergunta "o que é o número trinta e quatro?", respondeu:

- Mas quem é Papai Noel?

Pensei um pouco. 

Pensei um pouco mais.

Decidi que o número trinta e quatro tanto existe quanto não existe. Que é um conceito. Que é abstrato. Mas não consegui avançar muito na questão do "Papai Noel".

Dei uma prescrição de Ferrum metallicum para o Alberto e decidi tomar uma ducha!

Gilberto de Almeida
29/11/2016


terça-feira, 29 de novembro de 2016

Pomar sobre a montanha


No natal eu penso 
na pobreza
bem-aventurada
do espírito.

No natal eu choro.
Penso na mansuetude,
na fome e na sede
de justiça.

Imagino a misericórdia
em toda parte;
e os corações limpos
e pacificadores.

No natal eu penso
nos que são perseguidos
e nos que são injuriados;
penso nos discípulos de Jesus.

Chego a sentir o sabor
salgado da terra,
a vislumbrar a luz
na noite do mundo.

Penso nas leis de Deus,
escritas com gramática celeste
nas páginas do Infinito; 
penso que são imutáveis e justas,
generosas e boas,
misericordiosas e pacientes
e que nos conduzirão, 
inexoravelmente,
à eternidade.

E me entristeço pela justiça da Terra,
tão necessária,
mas tão pequena.

Penso nas mortes,
na ira e na cólera
e na reconciliação entre os inimigos.

Penso em quanto o egoísmo provoca
separação, adultério,
 escândalo
e em como é possível
evitar tudo isso.

Imagino a verdade pura
do sim
e do não
saindo de todas as bocas,
com simplicidade.

De repente penso em não resistir
ao mal que me queiram fazer;
em oferecer a outra face,
em dar a túnica e a capa,
em andar duas milhas,
em dar a quem me pede.

Imagino o epílogo dos problemas do mundo
quando todos formos capazes
de amar nossos inimigos,
de bendizer a quem nos maldiz,
de fazer o bem a quem nos odeia,
de orar pelos que nos perseguem e caluniam.

Compreendo que não basta
ser mais ou menos;
que há uma perfeição moral
que nos busca a todos;
e que todos devemos buscá-la.

É no natal que eu penso
em dar esmolas
em segredo;
em orar 
escondido,
sem palavras,
apenas com sentimentos,
no recinto íntimo
do coração.

Percebo que tenho um Pai Criador
que está em toda Parte;
e cujo nome devo honrar
através da integridade
do meu proceder.

Imagino viver
em Sua casa.

Sinto Sua vontade soberana,
mas generosa,
manifestar-se 
em todas as dimensões.

Sinto-me protegido e alimentado.

Desejo perdoar, e sou perdoado.

Resguardo-me e sou amparado.

Não existe mais mal.
Sinto-me imerso num Reino
único,
poderoso
e glorioso.

No natal tenho um impulso íntimo
de perdoar
a tudo e a todos;
de jejuar;
de jejuar, com alegria,
das futilidades,
do desperdício de tempo,
dos pensamentos mesquinhos,
das palavras ferinas,
das atitudes infelizes.

Não penso em renda,
nem em dinheiro;
não penso na propriedade
transitória
sobre o que quer que seja.

Ao contrário,
sou refém
de um sentimento inexplicável
que vem do Alto,
onde deve estar
meu coração.

Meus olhos acendem luzes,
imaculadas,
de redenção.

No natal não importa
o que hei de comer
de beber
ou de vestir.
Não há os pássaros?
Não há os lírios?
Então por que me afligir?

No natal sou o que sou.
Nem mais alto,
nem mais baixo.

Sou de Deus.
Ele assim o determina.
Busco-O, pois.
Não há inquietude.
O resto é o resto.

Já não julgo.
Também não sou julgado.

Já não meço,
nem sou medido;
já ninguém tem defeito;
 não reparo.

Vejo um plano perfeito
de revelação
gradativa
da Verdade.

A cada um o que o alimenta,
a seu tempo.

Sinto a Fartura Infinita,
a bondade de Deus:
- aquele que pede, recebe;
- quem procura, encontra;
- as portas se abrem.

No natal vejo os homens,
generosos,
dando uns aos outros
o que gostariam de receber.

Penso nessa trilha
verdejante
e estreita
que conduz à Vida.

E noutra, 
compartilhada por muitos,
que titubeio em percorrer.

Por que a cautela?
Qual o medo?
Não é esta a Boa Árvore?
A dos bons frutos?

Então, no natal, também desejo
ser árvore e dar frutos,
porque esta árvore que veio,
não foi planta ornamental;
não veio para ser paisagem,
mas veio, sim, para ser pomar!

Gilberto de Almeida
28/11/2016



Fácil, fácil


Gilberto de Almeida
27/11/2016

domingo, 27 de novembro de 2016

Pisca-alerta


Falta um mês


Falta um mês para o noite da festa.
Falta um mês!

E será que haverá seresta,
cantoria e coisa e tal,
porque afinal de contas
as pessoas ficam tontas 
mesmo em noite de natal?

Falta um mês para o dia dos sinos.
Falta um mês!

E será que haverá pequeninos
correndo - que não faz mal
correrem esses moleques
como sacis serelepes -
no dia de natal?

Falta um mês para os anos do Cristo.
Falta um mês.

E será que haverá tudo isto
e o esquecimento normal
da prece e da caridade -
que afinal a humanidade
nem bem sabe o que é o natal?

Gilberto de Almeida
25/11/2016


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Boa Viagem



Há dois mil e dezesseis anos somos convidados
e nos escondemos
na irreverência das festas,
na frivolidade prazerosa dos encontros,
nos excessos regados a dedicação,
em todas essas tolices
(agora, meigas tolices!).

Há uma nostalgia esperançosa
que é, agora, mais expectativa que esperança.
É como se estivéssemos de posse do bilhete aéreo,
a aeronave já estacionada no portão de embarque.

A chamada sou.

Agora é só aguardar
o voo vai partir.

...

Duas mil e dezesseis vezes fomos convidados;
o voo vai partir.

Feliz natal!
Boa viagem!

Gilberto de Almeida
24/11/2016


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Dona


Gilberto de Almeida
23/11/2016


terça-feira, 22 de novembro de 2016

Já esqueceu qual é o segredo do natal?


Gilberto de Almeida
22/11/2016



Luzes de natal


Luzes de natal.
Espírito de natal.

Natal.
Luz.
Espírito.

Gilberto de Almeida
21/11/2016


domingo, 20 de novembro de 2016

Biacróstico de natal












N ova  esperança, afina L,
A lcança, a partir do U -
T razendo a brisa da pa Z -
A alma que se enternec E
L embrança viva de Deu S!

Gilberto de Almeida
20/11/2016


sábado, 19 de novembro de 2016

Já vem dezembro


Já vem dezembro e abóbada do céu
virá beijar a Terra em manifesto
encantamento: - bálsamo e refresco
de Amor Divino em meio ao fogaréu!

E o ser humano, alheio, pobre ilhéu,
despreocupado e fora de contexto,
lembrar-se-á do Verbo Manifesto
que a humilde manjedoura recolheu.

Tomada, assim, de êxtase e de susto,

a humanidade, em transe natural,
sentir-se-á nos braços do Homem Justo.

Renascerá, quiçá - fato imprevisto! -
aquele que, na fonte do natal,
puder beber das lágrimas do Cristo!

Gilberto de Almeida
19/11/2016

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Natal sem sede


O natal contemporâneo,
por mais materialista que seja,
por mais distraído de sua origem,
é um treinamento de doar
e de servir.

Mas aprendemos a passos tímidos.

Nem sempre damos
com desinteresse.
Nem sempre servimos
com entrega.

Mas, natal trás natal,
ano trás ano,
experiência traz virtude.

E vamos guardando na memória da alma
o sentimento de felicidade
ligado ao ato de doar
e de servir.

Até que venha o natal
em que a alegria de doar
e de servir
será como água viva.

Nesse natal
ninguém mais terá sede.

Gilberto de Almeida
18/11/2016


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Natal (por tentativa e erro)


Gilberto de Almeida
16/11/2016


O seu amor...


O único presente que desejo neste natal
é o seu amor.

Mas não desejo que me ame.

Desejo o seu amor, sim,
mas que você ame quem lhe compartilha a existência,
sobretudo quem parece mais difícil de amar. 

Desejo o seu amor
para o parente ou o amigo desagradável, impertinente;
para o amigo egoísta, que se imagina o centro do universo;
para o conhecido alcoólatra, que magoa a todos quando embriagado;
para o filho malcriado;
para o filho que o afronta e ofende e que parece ter esquecido
o que é amor filial;
para a mãe acamada e desorientada,
que destrata quem só deseja ajudá-la;
para o marido ou esposa fúteis e irresponsáveis,
irritantes e desagradáveis e, mesmo, violentos;
para aquele que o trai;
para quem fala pelas costas;
para quem deve e não paga;
para o vizinho petulante;
para o chefe arrogante e desumano;
para o colega traiçoeiro;
para o subordinado indolente...

E também para
quem fura a fila;
quem não o cumprimenta;
quem não ajuda na cozinha;
quem diz impropérios no trânsito;
quem esquece o seu aniversário;
quem come de boca aberta;
quem não te reconhece;
quem ronca;
quem só sabe falar mal!

Porque amar o bonzinho,
o correto,
aquele que só dá motivos para ser amado...

...isso é muito fácil 
e não cura o mundo.

O que cura o mundo
é tratar todos os doentes da alma que nele vivem
e doente da alma
não se trata com intolerância;

Doente da alma
se trata com amor.

E porque em cada natal
eu quero curar o mundo,
o único presente que desejo neste natal
é o seu amor.

Gilberto de Almeida
15/11/2016


terça-feira, 15 de novembro de 2016

Claridade anunciada


Vencendo a escuridão da noite
a lua enorme anuncia
claridades que virão.

E a luz,
como foi um dia,
virá da mesma fonte,
atravessará as sombras da nossa própria ignorância,
e será natal novamente...

Mas, desta vez, a manjedoura
será a Terra inteira.

Desta vez, o rebento
será a humanidade,
mais amorosa,
mais compassiva,
mais humilde.

Depois da névoa espessa será Sol,
o mesmo que nos aquece
há muito mais de dois mil anos.

Gilberto de Almeida
14/11/2016


domingo, 13 de novembro de 2016

Pequena trova de natal


Veio o anjo Gabriel
em vaticínio de luz!
Mas não veio por Noel;
veio, antes, por Jesus.

Gilberto de Almeida
13/11/2016


O Segredo dos natais


No sopé da montanha
quando a neblina da noite
estende o véu nacarado
sobre a escuridão da floresta
é, então, que eu desejo mais
conhecer de perto
o Segredo dos natais.

E somente porque desejo,
Ele (o Segredo) se achega
e, num sussurro, me diz: - Gilberto,
não existe mistério...

E, saindo, me dá Seu beijo,
e é assim que adormeço em paz!

Gilberto de Almeida
12/11/2016


Eu, Alberto e a árvore de natal


De uns tempos para cá, eu e o Alberto andamos nos falando menos.
A amizade persiste, é claro, mas nossos assuntos parecem diferentes,
nossas crenças parecem mais distantes...

Na manhã de hoje, no entanto, quando dirigia por certa floresta de pinheirais, lembrei-me do Alberto.

Saquei-o do porta-luvas, desculpei-me pela longa ausência e perguntei-lhe, só para iniciar conversa, inspirado pela paisagem ao derredor:

- Alberto, você já providenciou uma árvore de natal?

O Alberto, como se houvéssemos nos falado ontem mesmo - e como é da sua natureza, diga-se de passagem - sem mais delongas, principiou a explicar-me, no seu jeito característico de falar:

"Há uma árvore no quintal da minha casa.
Mas não fui eu quem a plantou.

Então ela não é minha,
é da natureza.

Mas eu não preciso que seja minha,
porque não preciso de nada
que não tenha em mim mesmo.

Mas que aquela árvore,
lá no quintal da minha casa,
é de natal, eu sei que é, sim.

Porque toda árvore neste mundo,
toda árvore plantada no chão
e que vive da seiva da Terra
é de Deus, nosso pai,
e é de Nosso Senhor, Jesus Cristo."

Aí, enquanto dirigia, olhos fixos na estrada, mas com atenção no silêncio a que se entregara o amigo a meu lado,  pensei que deveria voltar a conversar mais frequentemente com o Alberto, porque, afinal de contas, em meio a nossas concordâncias e diferenças, sempre havia um quê de poesia a escapar da conversação, e isso, no fundo, é o que, para mim, sempre valeu a pena.

Gilberto de Almeida
11/11/2016

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Quando o próximo natal chegar


Virá o natal, mas agora chove;
caem pedras de gelo sobre um coração contrito.

Passada a chuva, abre-se o firmamento
e, da tempestade, surge a claridade.
Vem em ondas mansas beijar os charcos,
vem preparar o solo para amanhã...

Talvez, quando o próximo natal chegar
nos encontre a todos
de alma lavada!

Gilberto de Almeida
10/11/2016


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Agenda de Natal


Gilberto de Almeida
09/11/2016


terça-feira, 8 de novembro de 2016

Um haicai de natal


Grandeza divina;
humílimo aposento.
Síntese perfeita!

Gilberto de Almeida
08/11/2016


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Na tal


Acredito
na tal história 
de amar o próximo;

na tal!

Gilberto de Almeida
07/11/2016


domingo, 6 de novembro de 2016

Natal o ano inteiro


Há um período no ano,
de apenas alguns dias,
antes do vinte e cinco de dezembro,
quando certas pessoas -
ainda algumas, apenas -
refletem um pouco mais,
são um tanto mais fraternas,
escapam algo mais
do limite de si mesmas...

As outras vivem em festa!

Mas espero por um futuro
em que as pessoas refletirão mais,
serão mais fraternas
e não viverão encarceradas em si mesmas.

Nesse tempo
será natal o ano inteiro!

Gilberto de Almeida
06/11/2016


sábado, 5 de novembro de 2016

O natal não é uma árvore


O natal não é uma árvore,
não são enfeites caros e deslumbrantes 
que temos em casa,
ou estão na avenida,
ou no "shopping center".

Natal não são aquelas luzinhas encantadoras,
nem uma guirlanda na porta!

Natal não é "papai noel",
não são presentes,
muito menos "amigo-secreto",
ou "amigo-isso",
"amigo-aquilo"...

Natal não é o peru,
nem aquela mesa opulenta,
farta,
opulenta,
farta,
opulenta...

Natal não é "encher a cara" de vinho,
nem de uísque,
nem de cerveja...
Nem de maquiagem.

Natal não é o rinque de patinação do "Rockfeller Center",
não é o "Natal-Luz" de Labrador,
não são bonecos de neve,
 não é nem mesmo as musiquinhas adoráveis que fazem tudo isso derreter...

Natal não é costume,
não é tradição.

Natal é apenas uma lembrança íntima e profunda
(um misto de nostalgia e esperança)
de que ainda existe bondade em nós...

Gilberto de Almeida
05/11/2016