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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Narguilé


Gilberto de Almeida
06/12/2012
 


Quatro quartetos para quebrar o gelo















Debaixo do gelo existe 
a verdade cristalina.
Se aqui fora a vida é triste,
logo abaixo se ilumina.

Debaixo dessa camada
de destino congelado,
a água ainda é molhada:
sequer conhece outro estado!

E, então, como um quebra-gelo
destemido e persistente,
prossigo com meu apelo
de ir ao fundo e ir em frente!

E, então, como um quebra-gelo
é que avanço sem mágoa
por causa do amor e pelo
desejo de entrar na água!

Gilberto de Almeida
06/12/2012



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Bora?


 
Gilberto de Almeida
05/12/2012
 
 

Sirí-ocra



Gilberto de Almeida
04/12/2012


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Noite nevada em Moscou

 

 
Gilberto de Almeida
03/12/2012
 
 

domingo, 2 de dezembro de 2012

Dez caranguejos
























Dez caranguejos se mexendo na lagoa;
mais dez se esticam pelas pedras, numa boa,
mais outros dez passando o dia todo à toa...

Mais um, verão, noutro verão a cena ecoa:

- dez caranguejos se mexendo na lagoa...

Gilberto de Almeida
02/12/2012


Não pretendo morrer de burrice

 
 
Um dia posso até morrer de câncer
- quem sabe? -
mas não pretendo morrer de burrice!
 
Gilberto de Almeida
02/12/2012

 

Virando a ampulheta

Sempre  que  um  paciente  meu
se convenceu a parar de fumar
tive uma sensação de júbilo,
de missão cumprida
e pensei:
- Eu poderia morrer
 agora
e morreria feliz!
Mas depois eu imaginava
que outro paciente no futuro
poderia, também, se convencer
se  eu  continuasse  insistindo ...
E então eu decidia continuar vivendo.
Gilberto de Almeida
02/12/12

sábado, 1 de dezembro de 2012

Quase igual, só que eu não fumo

 
Gilberto de Almeida
01/12/2012
 
 

Eu, Alberto e o Vento


















Certo dia eu estava no Havaí.

Dessa vez  eu havia levado o Alberto e mais ninguém,
nem mesmo a Jennifer Connelly ou a Elettra Rossellini.

E eu pensava sobre o vento.
Pensava que o vento era a força com que Deus arrumava (e desarrumava) a sua casa.

Ele devia, por pura diversão, criar ondas de todos os tamanhos,
mudar as nuvens de lugar
e balançar as folhas das palmeiras
- como as pessoas fazem com os móveis em suas casas,
quando se cansam de como estão.

Da mesma forma, o vento deveria ter sido criado para Deus rearranjar a areia na praia
e as dunas no deserto.

- E, você, Alberto, o que acha do vento? - Perguntei ao amigo que não pensava, mas escutava muito bem meus pensamentos.

- Acho muito bom quando ele passa pelo meu rosto e pelo meu corpo.

E estatelou-se numa espreguiçadeira com um inenarrável sorriso de felicidade estampado naquela sua cara de pipa.

Nesse momento, diante da alegria pueril do meu amigo, fiquei feliz por ele e percebi - ou melhor, senti - que, às vezes, mesmo sem a Jennifer Connelly ou a Elettra Rossellini, esse tipo de alegria sem compromisso com nada é o que vale a pena na vida.

Gilberto de Almeida
01/12/2012