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domingo, 8 de setembro de 2013

Humildade


Gilberto de Almeida
08/09/2013


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Inteiro


(Mariana Nagano)

Este espaço
que te cabe
tem um laço
que não abre!

Você meio
pelo veio
deixou cheiro.

Pelo menos
você veio,
mais ou menos.

Mas não serve.
Vou ser breve:
- Quero inteiro!


Haicai e flores - XXXIV


Ao longe estou vendo,
lá onde o poente esconde...
a luz... é a Calêndula!

Gilberto de Almeida
06/09/2013




quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Tangível














Nem tudo que é tangível é tangível
porque,
quando alguém está distante,
a gente não pode dar um abraço,
nem pode tocar com as mãos!

E nem tudo que é tangível é tangível
porque, às vezes,
quando alguém está por perto
e a gente pode dar um abraço,
e pode tocar com as mãos,
a gente não dá
e a gente não toca!

Mas nem tudo que é intangível é intangível
porque, sempre,
quando alguém está por perto ou distante
e a gente não dá um abraço
e nem toca com as mãos,
a gente pode tocar com o pensamento!

Gilberto de Almeida
05/09/2013


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Certo dia no auditório


Gilberto de Almeida
04/09/2013


A Palavra Mágica

(Carlos Drummond de Andrade)

Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.

Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.

Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.


O Guardador de Rebanhos - XXVII

(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

Só a Natureza é divina, e ela não é divina...

Se falo dela como de um ente
É que para falar dela preciso usar a linguagem dos homens
Que dá personalidade às cousas, 
E impõe nome às cousas.

Mas as cousas não têm nome nem personalidade;
Existem, e o céu é grande e a terra larga,
E o nosso coração do tamanho de um punho fechado...

Bendito seja eu por tudo quanto sei.
Gozo tudo isso como quem sabe que há o sol.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Papo cabeça com o Alberto

O Alberto andava meio esquecido.

Dizendo melhor, eu é que andava meio esquecido do Alberto.

Mas eis que hoje ele me salta de dentro da mala e diz:

"- Eu vi seu poema!"

Assim, sem mais, depois de tanto tempo calado, até assustei! Mas me refiz, como se tudo estivesse na mais completa normalidade.

- Qual poema? - Perguntei!

"- O de ontem! 
O dos rabiscos."

Ah! Estava fácil! Ontem só escrevi um poema: - o dos rabiscos!

- "Deus em Tudo", você quer dizer!

"- Sim. Esse mesmo. 
Por que o batizou de 'Deus em Tudo'?"

- Porque, em primeiro lugar, eu acredito que Deus, de fato, está presente em tudo. Depois, porque aquilo é um poema concreto, e lá se leem as duas palavras: "Deus" e "Tudo"!

O Alberto refletiu por alguns instantes e perguntou:

"- Só vejo rabiscos! 
Porque você me diz que há palavras
Onde só existem rabiscos?" 

- Jura que você não enxerga as palavras?

O Alberto calou-se, pareceu meditar profundamente, e não respondeu minha pergunta!

"- Deus não está em tudo! - Emendou - 
Só na Natureza.
E Deus não está na natureza.

Você e os outros poetas místicos 
Procuram ver nas cousas, mais do que as cousas são. 

Os poetas místicos são filósofos doentes,
E os filósofos são homens doidos.

É loucura viver dessa maneira,
Porque viver dessa maneira
É como um barco de papel
Que uma criança faz
E navega na superfície dum lago.

Ele fica flutuando lá em cima
E pensa que sabe o que acontece no interior do lago,
Mas nunca viu os peixes,
Nem os filhos dos peixes
Nem nada que existe na profundidade do lago.
Só imagina!

Quando este barco ver o fundo do lago
é porque afundou.

Ele navegou sempre, 
Mas nunca soube o que existe.
Só imaginou!"

Ah! Eu fiquei intrigado com esse desaforo do Alberto!
Intrigado como se eu fosse um barco de papel a navegar no fundo do lago! 
Mas respondi à altura:

- Sabe, Alberto,
não entendo como podemos ser amigos!
Eu penso exatamente o contrário. 
Para mim, quem só vê o que está ao alcance dos olhos, 
que só acredita naquilo que pode tocar, 
esse é quem está navegando na superfície,
esse é o barco de papel, 
restrito ao horizonte limitado do seu lago,
e destinado a naufragar.

O poeta místico, meu caro,
não é como o barco de papel na superfície do lago;
é, sim, como a criança que fez o barco
e que, na sua inocência,
ali enxerga um imponente navio.
Ela o torna real em seu pensamento
e, mais tarde, na sua vida.
Porque é isso que o pensamento faz!

O Alberto franziu a testa, numa expressão de quase contrariedade, fazendo um silêncio interminável. Por fim, abusando da sabedoria incompreensível que lhe é peculiar, saiu-se com esta:

"- Gosto de Crianças!"

E continuamos amigos.

Gilberto de Almeida
03/09/2013


O Guardador de Rebanhos - XXVI

(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

Às vezes, em dias de luz perfeita e exata, 
Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Por que sequer atribuo eu
Beleza às cousas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer cousa que não existe
Que eu dou às cousas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então por que digo eu das cousas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as cousas,
Perante as cousas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Deus em tudo


Gilberto de Almeida
02/09/2013