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domingo, 18 de novembro de 2012

Naquele dia




















Se, exausto, eu morresse amanhã
queria que você tivesse
vindo até mim, naquele dia
não pelo chão, mas pela água.

E assim, nessa estranha manhã,
toda flor que, de mim floresce
você, molhada, regaria
e abrandaria a minha frágua.

Gilberto de Almeida
16/11/2012

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A passagem



















Tem uma passagem na minha vida
que ninguém conhece,
nem eu.

Fica por baixo de tudo
e eu tenho que me encolher,
ficar bem pequenininho
para conseguir passar por ela.

Mas quando ela vier,
se eu conseguir passar para o outro lado,
terei crescido
e já não conseguirei voltar.

Gilberto de Almeida
16/10/2012

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Brilho reprimido




 
Gilberto de Almeida
15/11/2012
 
 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Sem ponto nem vírgula


naquela paisagem nevada a luz do dia
tocava o som de flauta
doce perfumado
lago adiante onde eu não via
um dourado esguio matiz de outrora
dançava a admirá-la na morada

agora caso nos encontremos poderá ser verão

Gilberto de Almeida
14/11/2012

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Não comPeTe

mentira
aterra!
 
mente
ele
mina
em
quanto
este
verso
no pó
der!
 
Gilberto de Almeida
13/11/2012
 


Poesia com Creta

Eu sempre desconfiei que a Sicília
afastou-se do mar Jônico
porque ele andava fazendo poesia
com Creta!

Gilberto de Almeida
13/11/2012

Pedaços de um poema esquizofrênico



Gilberto de Almeida
13/11/2012
 


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Pares



No meio do dia nevou poesia.
No meio da poesia brotaram tulipas.

Tinham (as tulipas) toda a poesia...

que, se não fosse por elas,
que, se não fosse pela neve

tinham meia poesia.

Gilberto de Almeida
10/11/2012
 
 

Sem o Alberto, em Santorini




Amizade é tudo, certo?
Não! Nem tudo, meu amigo!
 
Pois se eu fosse a Santorini
não levaria o Alberto
- por mais que não pegue bem!
 
Mas se eu fosse a Santorini,
quem levaria comigo
no mínimo ia ser alguém
tipo a Elettra Rossellini!
 
Gilberto de Almeida
11/11/2012
 
 

Nevegação em dois atos


I

Para o meu alento,
na noite em que vivia
o timoneiro era o vento.

II

Quando despertei,
a doce luz do dia
agora era a minha lei.

Gilberto de Almeida
12/11/2012