(Vicente Galeano)
Se nossa roupa preferida
trocamos por roupa de festa,
por que motivo se protesta
quando o nosso Pai nos convida,
e a um canto, se larga esquecida
a roupa que já não nos presta,
pois vamos, após vida honesta,
à festa maior que há na vida?
Bem vindo! Você está convidado a relaxar e ler. Há aqui poemas meus e de autores consagrados, de que gosto. Você é livre para copiar os poemas deste Blog e utilizá-los sem fins comerciais. O uso comercial do conteúdo deste Blog não é permitido. Leia sem pressa e aproveite. Gilberto.
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sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Pintura abstrata!
Isso não é bom, nem é ruim.
Foi o autor que fez assim!
O universo é como pintura abstrata!
A mesma tela está à disposição de todos,
mas cada um enxerga
somente as cores e as imagens
que a vida o preparou para ver.
E isso não é bom, nem é ruim
Foi o Autor que fez assim!
Gilberto de Almeida
14/09/2012
Com Alberto, na Aquitânia
Estávamos eu e Alberto a passeio pela Dordonha. Mas como nada sei sobre departamentos, digo que estávamos no sul da França, na região da Aquitânia; era lá que estávamos.
Naquele dia, passeávamos a pé, nas proximidades da capital, Périgueaux. É claro que não é praticável realizar uma longa caminhada com o Alberto na maleta - como costumo fazer quando estou a trabalho. Por isso, naquele dia, eu que estava de férias, simplesmente coloquei o Alberto no bolso e saí para caminhar.
Ao passarmos por determinado vilarejo; na verdade, após já termos passado pelo pórtico de entrada, disse eu ao Alberto (já conhecendo meu amigo, no entanto, tomei o cuidado para não me apegar a interpretações e simbolismos):
- Você viu, Alberto, aquele portal por que passamos? Reparou nas cores? Nas pedras azuladas, esverdeadas, acinzentadas, róseas? Viu a luminária que lhe conferia um charme especial? (eu estava tão entusiasmado que não parava de tagarelar!)
- Para ser honesto - respondeu o Alberto - acredito nas cousas que estás a dizer. Que são verdades. E até mesmo existe memória em mim sobre o que estás a me falar. Mas ela é pequena. Peço-te desculpas. É que estás a contemplar o que já passou e eu me ocupo de observar a beleza deste outro lado.
E eu fiquei pensando que havia algo mais nesse meu amigo Alberto, que simplesmente ser um contemplador da natureza...
Gilberto de Almeida
14/09/2012
Naquele dia, passeávamos a pé, nas proximidades da capital, Périgueaux. É claro que não é praticável realizar uma longa caminhada com o Alberto na maleta - como costumo fazer quando estou a trabalho. Por isso, naquele dia, eu que estava de férias, simplesmente coloquei o Alberto no bolso e saí para caminhar.
Ao passarmos por determinado vilarejo; na verdade, após já termos passado pelo pórtico de entrada, disse eu ao Alberto (já conhecendo meu amigo, no entanto, tomei o cuidado para não me apegar a interpretações e simbolismos):
- Você viu, Alberto, aquele portal por que passamos? Reparou nas cores? Nas pedras azuladas, esverdeadas, acinzentadas, róseas? Viu a luminária que lhe conferia um charme especial? (eu estava tão entusiasmado que não parava de tagarelar!)
- Para ser honesto - respondeu o Alberto - acredito nas cousas que estás a dizer. Que são verdades. E até mesmo existe memória em mim sobre o que estás a me falar. Mas ela é pequena. Peço-te desculpas. É que estás a contemplar o que já passou e eu me ocupo de observar a beleza deste outro lado.
E eu fiquei pensando que havia algo mais nesse meu amigo Alberto, que simplesmente ser um contemplador da natureza...
Gilberto de Almeida
14/09/2012
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Feliz em Servir
(Vicente Galeano)
Aquele ser que tem a sorte
de ser chamado - e a Deus ouvir -
não a ganhar, mas a servir,
só lhe desejo: seja forte!
pois Deus não dá a quem não suporte
missão de santo ou de faquir,
mas quem, humilde, persistir,
será feliz, além da morte!
Aquele ser que tem a sorte
de ser chamado - e a Deus ouvir -
não a ganhar, mas a servir,
só lhe desejo: seja forte!
pois Deus não dá a quem não suporte
missão de santo ou de faquir,
mas quem, humilde, persistir,
será feliz, além da morte!
O futuro é uma pequena vila

O futuro é uma pequena vila
com simpáticas vielas,
chão de pedra, de amor e de argila,
e esperanças a ollhar das janelas
O futuro é uma pequena vila
que alguém arrumou pra nós:
tão gostosa, serena e tranquila
e um cantinho pra estarmos a sós.
O futuro é uma pequena vila
com mesa posta - e vazia -
aguardando que venha pedi-la
quem com ela sonhou um dia.
O futuro é uma pequena vila
que descansa a nossa espreita.
Nossa mente por ela desfila;
no futuro, indolente, se deita.
E o futuro é uma pequena vila
a que iremos fazer jus,
mas por ora o futuro cintila
enquanto espera por nossa luz!
Gilberto de Almeida
13/09/12
Clique aqui e veja o "curta-poema" feito com este poema pelos estudantes da escola "Joca de Souza Oliveira", na Bahia.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Via Sacra
"Ora (direi) Mademoiselle! Certo
perdeste o lenço!" Enxugarei teu pranto
perdeste o lenço!" Enxugarei teu pranto
com meu cabelos. Chegarei mais perto
sem mais cautela, pálido de encanto!
E dançaremos toda a noite, enquanto
a tia velha, de olho semiaberto,
E dançaremos toda a noite, enquanto
a tia velha, de olho semiaberto,
cochila. E, conversando em esperanto,
levar-te-ei ao canto mais deserto.
Direi então: "que tal fugir comigo?
Que queres desta festa? Que sentido
Direi então: "que tal fugir comigo?
Que queres desta festa? Que sentido
tem ela agora, já que estou
contigo?"
E me dirás: "Ai ai ... verei estrelas!
Mas me prometas cochichar no ouvido
E me dirás: "Ai ai ... verei estrelas!
Mas me prometas cochichar no ouvido
um poema que, daqui, me faça vê-las!"
Gilberto de Almeida
Gilberto de Almeida
12/09/2012
o classificado
(Christiana Nóvoa)
procura-se homem de espírito
complexo
sem vício moral
para nexo oral
implícito
que explicar tá difícil
Veja também no site da autora:
http://www.novoaemfolha.com/2012/09/o-classificado.html
procura-se homem de espírito
complexo
sem vício moral
para nexo oral
implícito
que explicar tá difícil
Veja também no site da autora:
http://www.novoaemfolha.com/2012/09/o-classificado.html
O Pastor Amoroso - II
(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)
Vai alta no céu a lua da Primavera
Penso em ti e dentro de mim estou completo.
Corre pelos vagos campos até mim uma brisa ligeira.
Penso em ti, murmuro o teu nome; e não sou eu: sou feliz.
Amanhã virás, andarás comigo a colher flores pelo campo,
E eu andarei contigo pelos campos ver-te colher flores.
Eu já te vejo amanhã a colher flores comigo pelos campos,
Pois quando vieres amanhã e andares comigo no campo a colher flores,
Isso será uma alegria e uma verdade para mim.
Vai alta no céu a lua da Primavera
Penso em ti e dentro de mim estou completo.
Corre pelos vagos campos até mim uma brisa ligeira.
Penso em ti, murmuro o teu nome; e não sou eu: sou feliz.
Amanhã virás, andarás comigo a colher flores pelo campo,
E eu andarei contigo pelos campos ver-te colher flores.
Eu já te vejo amanhã a colher flores comigo pelos campos,
Pois quando vieres amanhã e andares comigo no campo a colher flores,
Isso será uma alegria e uma verdade para mim.
Poesias da Vida - XIII
(Juliana Paula Landim)
Eu já andava irritada
com aquela que andava a presidir.
Por presidir, presidenta!
E esse substantivo horroroso,
me acompanhou no rádio:
eu, por ouvir, ouvinta!
Acreditam que tive um sono terrível,
tentando absorver o som do tal substantivo
(por absorver, absorventa!)
e dormi em cima do braço?
Foi aí que acordei com a mão formigando,
assim, por dormir, dormenta!
À janela decidi tomar ar
e vi uma estrela cair,
por cair, cadenta!
E eu, por escrever, escreventa,
com a mão dormenta,
não pude redigir um poema.
Fiquei fula!
Por divergir, divergenta!
Mas para cada mal há uma cura e eu, no inconformismo daquela noite,
lembrei de uma amiga,
por crer, crenta.
Fiz uma oração
e pedi aos gramáticos todos
pela saúde de quem estivesse a presidir!
Mas meu lado mal (que eu tenho!)
desejou fervorosamente
que os mesmos gramáticos todos
criassem o verbo jumir!
E, enfim voltei a dormir,
contenta!
Eu já andava irritada
com aquela que andava a presidir.
Por presidir, presidenta!
E esse substantivo horroroso,
me acompanhou no rádio:
eu, por ouvir, ouvinta!
Acreditam que tive um sono terrível,
tentando absorver o som do tal substantivo
(por absorver, absorventa!)
e dormi em cima do braço?
Foi aí que acordei com a mão formigando,
assim, por dormir, dormenta!
À janela decidi tomar ar
e vi uma estrela cair,
por cair, cadenta!
E eu, por escrever, escreventa,
com a mão dormenta,
não pude redigir um poema.
Fiquei fula!
Por divergir, divergenta!
Mas para cada mal há uma cura e eu, no inconformismo daquela noite,
lembrei de uma amiga,
por crer, crenta.
Fiz uma oração
e pedi aos gramáticos todos
pela saúde de quem estivesse a presidir!
Mas meu lado mal (que eu tenho!)
desejou fervorosamente
que os mesmos gramáticos todos
criassem o verbo jumir!
E, enfim voltei a dormir,
contenta!
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